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Alice Bastos Neves aconselha: “É preciso estar aberto a todas as possibilidades”

por Marcela Barbosa e Patrícia Pinho | marcela_cela_@hotmail.com e pati.tellier@gmail.com

Jornalista, gaúcha, apresentadora e mãe do pequeno Martin. Alice Bastos Neves iniciou a carreira na TV em 2006, como repórter no programa RBS Esporte e, posteriormente, assumiu a apresentação do Globo Esporte RS. A apresentadora que nunca se imaginou trabalhando frente às câmeras conta como foi o início de sua trajetória na emissora, os preparativos para os Jogos Olímpicos Rio-2016 e revela que dica gostaria de ter recebido quando saiu da faculdade.

Quando surgiu o seu interesse pelo jornalismo esportivo?
Na verdade, foi o esporte que me escolheu. Eu gostava de esportes como telespectadora, via futebol com o meu pai e gostava de vôlei, mas nunca fui praticante. Dancei balé a vida inteira, então não era boa e acabava sendo a última a ser escolhida no colégio para jogar nos times. Digo que normalmente as pessoas escolhem o jornalismo esportivo por já ter afinidade com esportes, mas comigo foi diferente. Em 2006 surgiu uma vaga na RBS TV na parte de vídeo. Eu nunca tinha feito televisão na minha vida e na faculdade sempre ficava nos bastidores. A vaga era para reportagem. Estava saindo da faculdade então pensei “vamos tentar, né?”. Eu fiz o teste de vídeo – com muito medo -, pensando coisas como “o que eu estou fazendo neste ambiente que não me pertence?”. Mas fui aprovada. Era uma época em que eles precisavam de caras novas na televisão. A vaga já era no esporte. Comecei no jornalismo esportivo, mas não com o carimbo que conhecemos hoje, que é a cobertura do futebol no dia-a-dia dos clubes. Eu fazia outros esportes e nessas matérias, normalmente, as fontes são mais receptivas e buscam a imprensa para aparecer, precisam desse espaço. Então, foi muito legal começar assim. As histórias eram muito acessíveis e as pessoas que falavam se tornavam amigas.

Arquivo pessoal

Formada em 2006 pela PUCRS, Alice começou a carreira cobrindo esportes olímpicos

Como foi sua primeira reportagem na rua?
Eu comecei indo com o produtor, pois como não tinha experiência em televisão “colava” nos outros repórteres para aprender. Eu só tinha a experiência da faculdade, mas na hora de estar no veículo é outro esquema. A minha primeira reportagem foi sobre esgrima. Eu estava extremamente nervosa, devo ter gravado a passagem umas 45 vezes. O cinegrafista teve que ter muita paciência comigo (risos). A matéria entrou no Bom Dia Rio Grande e foi legal ter sido de outros esportes, além do futebol, porque a fonte é muito mais próxima e te permite essa coisa de “eu estou aprendendo”. O grau de paciência deles é muito maior. Foi bom, muito legal, mesmo nervosa.

Você consegue deixar de lado o espírito jornalístico na sua vida pessoal?
De jeito nenhum. Jornalista é jornalista 24 horas por dia. Desde a faculdade eu já era jornalista. E, talvez, antes disso. Gosto de falar e gosto de ouvir as pessoas. Gosto de conversar com gente, de estar perto, de ouvir histórias, de olhar no olho e acho que isso é o que faz um jornalista desde sempre. Desde quando se é criança e chega em casa e relata para a mãe o teu dia, as histórias da creche. Acredito que é assim que a gente continua sendo jornalista ao longo da vida. Na faculdade a gente adquire a formação necessária para isso e aprende a refinar o que é informação, como repassar essa informação da melhor maneira e a prestação de serviços, que é o básico do ser jornalista, para então, prestar um bom serviço para a população. Não tem como ser jornalista só nas minhas oito horas de trabalho, quando bato o cartão para entrar e sair.

Você falou que começou fazendo reportagens sobre esgrima. Pensando que agora é época de Jogos Olímpicos, não acredita que esse é o momento certo para tentar inserir outros esportes, além do futebol, na grade de programação do Globo Esporte?
O Globo Esporte é um produto Globo, então nossa linha editorial segue a deles. Apesar disto nós temos, sim, a ideia de ampliar a visão para outros esportes. Trabalhamos com um produto que precisa de audiência e fazemos testes que provam que a audiência responde mais com o futebol – por isso ele acaba sendo nosso carro-chefe. É onde tem mais envolvimento então se entra em um ciclo vicioso. Os outros esportes não têm divulgação, logo ficam sem patrocínio. E esse é um problema que me atinge diretamente porque eu comecei com outros esportes. Queria muito colocar outros esportes no programa e acho que temos, sim, que aproveitar esse período olímpico para fazer esse acréscimo. Uma das maneiras de incluir outros esportes localmente é o quadro “Vem Alice”, que começou há dois anos como forma de se aproximar da comunidade. Antes era feito só com o futebol, mas agora vai ser só com esportes olímpicos. Eu vou lá visitar e conhecer projetos e assim vamos encaixando todos os esportes. É o jeito local que encontramos para inserir outros esportes, seguindo a linha editorial da Globo, que está engajada na cobertura dos Jogos Olímpicos. Por ter conseguido os direitos de transmissão, que há quatro anos não tinha, a rede está preparando uma cobertura muito grande. A RBS como afiliada entra nesse contexto.

Divulgação

Em 2011, Alice começou a apresentar o Globo Esporte ao lado de Paulo Brito

Sua trajetória de repórter a apresentadora foi bem contínua. Como foi isso? Você recebeu apoio dos seus colegas?
As pessoas falam que meu caminho foi rápido. Entrei em 2006 e já faz três anos que apresento o Globo Esporte. Então, em oito anos de trajetória dentro da RBS TV pode se dizer que foi relativamente rápido. Mas acredito que foi no tempo que tinha que ser. As coisas aconteceram. Comecei como repórter no RBS Esporte, que é um programa que existia no sábado de manhã; depois o Paulo Brito começou a precisar de um substituto. Comecei a substituí-lo e foi uma mudança natural. Mesmo assim eu sinto falta da reportagem. O “Vem Alice” é o meu jeito de estar na rua. Se eu tivesse que apontar alguém que me ajudou na apresentação, esse alguém foi o Paulo Brito. Eu assumi o Globo Esporte no lugar dele, que já apresentava o programa há 20 anos. Por um tempo fomos parceiros, até ter uma orientação da Globo que não era legal dois apresentadores, pois no resto das praças era apenas um apresentador. Ali foi definido que a apresentação ia ficar comigo e o Brito ia ficar com a narração. Ele foi muito parceiro sempre, desde o começo até hoje.

Arquivo pessoal

Para Alice, o importante é ser feliz no que se faz

Qual dica tu gostarias de ter recebido no começo e que pode passar para quem está iniciando a carreira jornalística agora?
A dica que gostaria de ter recebido é estar aberto a todas as possibilidades, absolutamente todas. Até alguma coisa que achamos que não tenha nada a ver com a gente. Experimentar, tentar e se permitir tentar, seja lá o caminho que for, porque a gente se surpreende com os caminhos possíveis e com as nossas capacidades. Se vocês me encontrassem na faculdade eu nunca diria que estaria apresentando o Globo Esporte hoje, então por isso eu digo: a gente se realiza sem perceber. Vivendo um dia depois do outro e, no jornalismo, principalmente, tem que ser feliz no que se faz. Fazer com vontade. É claro que se enfrentam coisas difíceis, mas temos que fazer as coisas com determinação.

1 Comment on Alice Bastos Neves aconselha: “É preciso estar aberto a todas as possibilidades”

  1. Shooow de entrevista.

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