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Edson Luques Bindilatti, um baiano que voa sobre o gelo

por Bernardo Figueira | beernaardo.fig@gmail.com

O pacato município de Camamu, localizado no litoral sul baiano, era muito pequeno para a dimensão da história que a vida do menino Edson iria tomar. Aos dois anos de idade, Edson Luques Bindilatti foi adotado pelos paulistas seu Jair e dona Dirce, e teve sua perspectiva de vida totalmente transformada. Em Santo André, na região do ABC paulista, o menino baiano despertou uma paixão enorme pelos esportes e assim acabou se tornando o grande atleta em proporções mundiais que é hoje na modalidade do bobsled. Com participações em três edições dos Jogos Olímpicos de Inverno e uma sendo integrante da primeira equipe da modalidade no Brasil, ele agora projeta uma boa participação no mundial na Áustria em 2016.

Em que momento começou tua paixão pelos esportes?
Desde criança eu gostava muito de esportes. Principalmente de correr, mas também fazia de tudo. Sempre tive o incentivo de meus pais e isso me fez gostar cada vez mais. Acredito que por isso até hoje sou atleta.

Arquivo pessoal

Edson (à direita) já defendeu o Brasil em três edições dos Jogos Olímpicos de Inverno

Como começou a tua carreira como atleta?
Em São Paulo temos as competições que se chamam Jogos Escolares. E nelas sempre tem alguns treinadores de atletismo que observam jovens talentos para convidar para as equipes. Foi onde me descobriram e passei a ser lapidado. Com 14 anos já comecei a ganhar títulos e até os 17 ganhei alguns nacionais e o sul-americano pela base. Aos 19 anos conquistei o brasileiro na categoria principal e ao todo somei oito conquistas nacionais em todas as categorias. E foi exatamente isso que acabou abrindo as portas para o bobsled em minha vida.

Como você foi sair do atletismo para o bobsled?
Nos Estados Unidos, Canadá e outros países são usados no bobsled muitos atletas vindos do atletismo, em função da velocidade, força e explosão muscular. Sendo assim ele (o técnico) perguntou se eu tinha interesse em praticar o esporte, daí lembro que eu disse que sequer sabia o que era (risos). Então ele pediu para eu assistir ao filme “Jamaica abaixo de zero” e dizer o que eu achei. Então eu assisti e aquilo despertou muito o meu interesse. Minha mãe ficou preocupada até, mas eu queria de verdade praticar a modalidade.

Divulgação

Equipe brasileira de bobsled durante uma competição classificatória para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, na Rússia

De que forma aconteceu o início dos teus treinamentos na modalidade?
Cheguei no local de treinamento com o pensamento de que iriam nos apresentar detalhes do esporte e nos deixar ambientados com tudo. Porém, não foi bem assim. Simplesmente o treinador falou pra sentarmos no bobsled, baixarmos a cabeça e não levantarmos pra nada! Fiquei morrendo de medo. Até porque sou meio bunda mole, se me chamarem pra andar de balão, montanha russa ou paraquedas, é melhor que nem perca tempo porque não vou (risos). Mas daí pensei que como já estava ali dentro, era melhor ir com tudo. E a loucura é que foi amor à primeira vista. Depois da primeira descida nunca mais quis largar.

Quando você ingressou no bobsled e quais competições te marcaram?
Estou desde a primeira equipe, em 1999. Começou junto comigo o Rodrigo Paladino, Cristiano Paes, Edson Trindade, Erik e Matheus Inocêncio. Após esse início muitas mudanças aconteceram. Mas entre todo esse período tive a grande oportunidade de ir a Salt Lake City, nos Estados Unidos, nas Olimpíadas de 2002; a Torino, na Itália, em 2006; e a Sochi, em 2014, na Russia. No ano de 2002 tivemos até a melhor colocação brasileira em Olimpíadas de Inverno, ficando entre os trinta melhores colocados.

Qual a próxima competição importante?
O Mundial na Áustria no início de 2016. A equipe está ansiosa para fazer uma ótima participação. Estamos muito motivados para buscar bons resultados para o Brasil. De uma coisa se pode ter certeza: a de que a vontade aqui é imensa para representar o nosso país.

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