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A trajetória de Cláudia Santos

por Brenda Aurelio | brendaaurelio@outlook.com | edição de Ulisses Miranda | ulisses_mr17@hotmail.com

Cláudia Santos treinando antes dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 (Foto: Buda Mendes)

Cláudia Cícero Santos, de 39 anos, nascida em São Paulo, é atleta paralímpica e competiu nos Jogos Paralímpicos Rio-2016. Natural da Carapicuíba, aos 21 anos perdeu a perna e precisou mudar o rumo de sua vida. Quando ganhou a primeira medalha de ouro, em 2005, no Mundial de Munique, percebeu que o remo era sua vontade, disposição e seu motivo para seguir em frente.

O acidente ocorreu em 15 de fevereiro de 2000, na rodovia Raposo Tavares, em São Paulo. A telefonista (Cláudia) esperava um menor fluxo de veículos para atravessar a rodovia. Sem passarela para pedestres, as pessoas atravessam à base da coragem. Um carro em alta velocidade a atropelou e foi embora, sem prestar ajuda. Conforme conta, Cláudia pediu aos colegas de trabalho que a ajudassem a levantar, quando ouviu: “Procura a perna dela, para levar no posto e pôr no gelo”. Logo pensou que iria morrer. No hospital, a perna direita não foi reimplantada pela demora ao atendimento. Além de quebrar bacia, lesionar o pé e ter o intestino afetado.

(Divulgação)

Cláudia encontrou no remo a força para superar as dificuldades (Foto: Ricardo Rojas/Divulgação)

Cerca de um ano após a tragédia, durante sua recuperação, a atleta recebeu a notícia sobre a morte de seu namorado da época. Um rapaz que se envolveu em um acidente de moto. Ela se recuperou após 13 cirurgias e diversas sessões de fisioterapia. Cinco anos depois começou a nadar e, por insistência do seu treinador, José Paulo Sabadini de Lima, conheceu o remo. Cerca de sete anos depois do acidente, ganhava sua primeira medalha de ouro pelo esporte que mudou a sua vida.

O remo paralímpico entrou para o programa dos Jogos a partir da edição de Pequim, em 2008. Todos os equipamentos da competição são modificados para que o atleta tenha mais facilidade na prática do esporte e independentemente da categoria, as provas são disputadas em distâncias de 2000 metros para os Jogos Olímpicos. Os barcos podem ser tripulados por um, dois ou quatro atletas e são divididos em três classes: “AS” para atletas com deficiência no tronco e pernas, cuja mobilidade se restringe aos ombros e aos braços; “TA” que é destinada a atletas que realizam movimentos com o tronco a remada; “LTA” destinada aos remadores que possuem mobilidade em pernas, troncos e braços. Cláudia compete pela classe “AS”, na modalidade Single skiff, que seria remo feminino de um competidor.

Começou sua carreira de remadora quando foi chamada para preencher uma vaga na Liga Mundial do remo, e em 2006 já era atleta do clube Pinheiros. Participou do primeiro campeonato mundial de Munique na Alemanha e conquistou o primeiro ouro. Entre as principais medalhas que a paralímpica conquistou estão: primeira medalha de ouro no Mundial de Munique, em 2005; sexto lugar nos Jogos de Pequim, em 2008; segundo lugar no Campeonato Mundial na Nova Zelândia, em 2010; quarto lugar na prova Bico de Proa em Londres, em 2012; medalha de bronze na Coreia do Sul, em 2013. Cláudia participou dos Jogos Rio 2016, não levou medalha mas conquistou o público. Competir pelo Brasil é sempre uma ótima escolha, afirmou em entrevista.

No ano de 2010 passou por outro momento complicado. Precisou de uma cirurgia para retirar o útero, que mudou de posição depois do esforço do esporte. A atleta não fala em arrependimentos e não se lamenta pelas tragédias. Está cheia de planos para um futuro filho adotivo com o novo marido, com quem se casou há dois anos. Orgulhosa pela carreira que está conquistando, afirma que não trocaria seu atual corpo por outro. Não imaginava viajar tanto ou ser uma atleta paralímpica. A mulher, guerreira, inspiração para muitas e muitos, se destaca no remo e informa como conquista todo esse reconhecimento. “A fórmula é simples: 20% de força, 20% de técnica, 20% de dor e 40% de vontade”.

FONTES CONSULTADAS:

CORTÊZ, Natacha. A pele que habito. Disponível em: http://revistatrip.uol.com.br/tpm/vanessa-giacomo-tie-jessica-ipolito-claudia-santos-e-xenia-franca-falam-sobre-seus-corpos. Acesso em: 17 out. 2016

AHE BRASIL. Brasileiros disputam quatro finais no Mundial de Remo. Disponível em: http://www.ahebrasil.com.br/noticias/2014/08/26/paradesporto/brasileiros+disputam+quatro+finais+no+mundial+de+remo.html. Acesso em: 16 out. 2016.

TAKASHIMA, Aline. Rio 2016: Cláudia Santos perdeu uma perna e encontrou no remo disposição para recomeçar. Disponível em: http://mdemulher.abril.com.br/fitness/boa-forma/rio-2016-claudia-santos-perdeu-uma-perna-e-encontrou-no-remo-disposicao-para-recomecar. Acesso em: 16 out. 2016.

BISPO, Roni. Na reta final. Remadora Cláudia Santos intensifica treinos rumo às Paralímpiadas. Disponível em: http://www.pocoscom.com/?p=3611 . Acesso em: 16 out. 2016.

TV TRIP. Atleta paralímpica Cláudia Santos. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gLpSWxn8TdY. Acesso em: 16 out. 2016.

JORNAL DA CIDADE. Cláudia Santos volta a treinar no Bortolan. Disponível em: http://www.jornaldacidade1.com.br/claudia-santos-bortolan/. Acesso em: 16 out. 2016.

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