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Dos tatames de São Paulo ao bronze olímpico em Londres

por Bruno Quiroga | 1realbruno@gmail.com

De uma criança sonhadora ao atleta que conquistou do bronze olímpico na terra da Rainha. Esse é Felipe Kitadai, judoca brasileiro, nascido em São Paulo, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, quando disputava pela primeira vez a competição e subiu ao pódio na categoria até 60kg no dia de seu aniversário. Felipe também foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2011, bronze na Copa do Mundo de São Paulo de 2010, prata no Campeonato Pan-Americano em 2010 e ouro nos Jogos da Lusofonia em 2009.

Criado nos tatames pelo pai e pelo irmão, aos 7 anos já desejava disputar os Jogos Olímpicos. Desde muito cedo se empenhava nos treinos e corria atrás de seus sonhos. Aos 14 anos, foi morar e treinar no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, com a aprovação dos pais. Morou sozinho muito cedo.

Kitadai vibra após a conquista do bronze em Londres-2012

Kitadai vibra após a conquista do bronze em Londres-2012

O recomeço em Porto Alegre

Após dois anos, em 2007, tornou-se amigo de João Derly, que o convidou para ser o seu sparring (ajudante de treinamento) no 25º Campeonato Mundial de Judô disputado no Rio de Janeiro. Kitadai ajudou o gaúcho a faturar o bicampeonato mundial. Depois que Felipe teve alguns contratempos com seu antigo clube, João Derly o convidou para treinar em Porto Alegre, pois o estilo de treinamento oferecido no Sul se encaixava à técnica do atleta de São Paulo. Desde 2010, Kitadai treina na Sogipa.

No primeiro semestre de 2012 ele garantiu vaga na Seleção Brasileira para Londres como o 11º melhor judoca do planeta na categoria ligeiro (até 60kg).

Caminho até o bronze

Os dias 27 e 28 de julho de 2012 estão marcados na vida do atleta. No dia 27, a abertura do maior evento esportivo do mundo, reunindo atletas de várias partes do planeta. Kitadai estava focado para as lutas que seriam no dia seguinte (28 de julho), mas havia ainda algumas preocupações em sua cabeça. Uma delas era o fato de seus pais terem garantido ingressos nos melhores lugares para assistir às finais da categoria do judoca. Mesmo sabendo da pressão pelo resultado, Kitadai guardou esse fato como uma motivação a mais. “Um dos meus melhores momentos com certeza foi encontrar vários ídolos caminhando pela Vila Olímpica. Era incrível. De repente estava andando e passavam por mim pessoas como Usain Bolt, Michael Phelps, até a própria seleção americana de basquete com todas as suas estrelas. São momentos que nunca esquecerei”, disse ele.

No dia de sua competição, 28 de julho, Kitadai selecionou algumas coisas que lhe faziam bem, inclusive vídeos das vitórias do piloto Ayrton Senna, considerado seu ídolo por suas atitudes como atleta tanto nas pistas quanto na vida. Kitadai também selecionou pensamentos sobre felicidade verdadeira e sobre sua caminhada até ali.

Ritual da sorte: Kitadai beijou os anéis olímpicos antes de cada luta disputada nas Olimpíadas de Londres. Depois, com a medalha de bronze no peito, repetiu o ritual que deu sorte

Um fato curioso é que, ao entrar no tatame para cada disputa, Felipe tocava no desenho dos anéis olímpicos localizados nas laterais das estruturas montadas nos ginásios. O desenho já chamava a atenção dele desde criança, quando assistiu a edições passadas dos Jogos Olímpicos. Esse movimento era a sua maneira de provar que aquele sonho era real. “É engraçado de se falar nisso, mas minha vida sempre foi guiada por ciclos olímpicos, o que acabou meio que sem querer, sendo um ritual pra mim em todas as lutas”, comentou Felipe.

Mesmo enfrentando adversários difíceis, ele venceu as duas primeiras disputas e acabou perdendo a terceira, chegando a ir para repescagem. Diante do sul-coreano Choi Gwang-Hyeon, a luta acabou indo para o golden score. Kitadai quase recebeu uma advertência, mas reverteu o quadro pontuando com um yuko e seguiu para a última luta com o italiano Elio Verde. Aos três minutos, Kitadai aplicou um golpe ensinado pelo pai, conseguiu um ippon e garantiu sua medalha de bronze.

Márcio Rodrigues/Fotocom.net

Medalha veio após a vitória sobre o italiano Elio Verde

Minutos após a conquista, Felipe vibrava com sua família e seu técnico na Sogipa, Antonio Carlos Pereira, conhecido como Kiko. Só que nem tudo foi comemoração. “Acho que é impossível descrever a minha emoção, na hora eu nem sei o que senti para falar a verdade. Mas, depois de algum tempo, prometi a mim mesmo que não largaria a medalha. Até entrei no banho com ela, foi quando eu a derrubei e a vi ser partida em dois. Fora a raiva, fiquei muito triste e envergonhado com o acontecido”, lembra o judoca, que buscou a organização do evento para substituir a medalha e ainda brincou que talvez tenha sido a primeira vez que tenha acontecido isso com algum medalhista.

Próximo desafio: Rio-2016

Agora o objetivo de Kitadai é manter a evolução de seu treinamento e a medalha olímpica. Hoje ele é o oitavo colocado na lista do ranking mundial divulgada e atualizada pela Federação Internacional de Judô (IJF).

Questionado sobre como andam os preparativos para os Jogos Olímpicos no Brasil, Kitadai respondeu: “A equipe está se preparando ainda mais do que nas últimas Olimpíadas, uma preparação bastante intensa, com mais apoio, materiais e estruturas melhores”.

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