ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Sérgio Oliva: uma história de superação e conquistas

por Gabriela Azzolini | gabibazzolini@gmail.com | edição de Débora Ramos | debora.indcris@hotmail.com

Atleta paralímpico com seus irmãos gêmeos (Foto: Michelle Abílio/brasil2016.gov.br)

Trigêmeo nascido em Brasília, Sérgio Froés Ribeiro Oliva, hoje com trinta e quatro anos, traz consigo uma história e tanto de vida. É portador de paralisia cerebral desde o dia de seu nascimento, competidor da Seleção Brasileira Parolímpica de Hipismo e servidor público do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Sérgio que nasceu prematuro, junto de seus irmãos Flávio e Eduardo, precisou de oxigenação enquanto estava na incubadora, mas o fornecido foi insuficiente, afetando então o cérebro, a mão esquerda, a perna direita e a sua dicção. O contato direto com cavalos foi durante a equoterapia, que entrou na vida de Sérgio para a reabilitação da paralisia cerebral. Praticou a equoterapia por seis meses, além de karatê, judô, natação e futebol de salão. O interesse por esporte era nítido desde a infância.

Aos treze anos algo inesperado acontece com Sérgio: Ele tropeça na portaria do prédio onde morava. “Tropecei em um pequeno desnível e acabei atravessando a parede de vidro. Um estilhaço cortou meu braço, na altura do tríceps. Foi muito grave, lesionou severamente tendões, nervos e músculos”, explica Sérgio. O deslocamento até o hospital foi tenso, levado por seu Renato, porteiro do prédio, em uma Brasília amarela na época. Sérgio perdia muito sangue e era amparado por sua mãe e seu irmão Flávio. “Lembro-me que no caminho para o hospital o seu Renato dizia que estava com sono e minha mãe que estava o tempo todo em oração pedia para que ele não dirigisse em alta velocidade”, relembra Sérgio. Devido ao incidente, o atleta teve os movimentos do braço direito comprometidos, braço este que não tinha sido afetado pela paralisia cerebral no seu nascimento.

Passado alguns anos, Sérgio fez intercâmbio para os Estados Unidos e quando voltou passou no vestibular da Faculdade EuroAmericana, atual UniEuro, para cursar direito. Logo voltou a praticar o hipismo, mas desta vez como hobbie, na modalidade salto. Foi quando conheceu a treinadora Marcela Parsons, que em 2002 o incentivou a praticar o Adestramento Paraequestre, que estava dando seus primeiros passos no Brasil.

A trajetória no hipismo
Durante muitos anos Sérgio precisou usar um cavalo alugado, devido ao alto custo deste esporte. Ele precisava arcar com as despesas do animal como alimentação, veterinário, tratador e demais necessidades. Somente há pouco tempo teve a oportunidade de comprar um animal próprio, mas ainda assim não é o ideal para competições internacionais.
Segundo Sérgio, a Confederação Brasileira de Hipismo e Comitê Paralímpico brasileiro que compram, alugam e mantêm cavalos no exterior para que os atletas possam competir em alto nível, mas ainda há a necessidade de investimentos, como comenta Sérgio “Nós temos talento, só precisamos de um pouco mais de suporte.”

Dentre os títulos de Sérgio Oliva estão duas medalhas de ouro nos jogos Para-Panamericanos de 2003 logo que iniciou no esporte, Campeão Sul Americano em 2005, sete vezes campeão brasileiro (em 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2011 e 2012), campeão mundial em 2007 na Inglaterra e duas medalhas de bronze nos jogos paralímpicos Rio 2016.

Sérgio considera seu desempenho nos jogos paralímpicos Rio 2016 como fantástico. “Minhas reais expectativas para os jogos era o bronze e as medalhas saíram. O que eu tinha para ganhar na Rio 2016 eu ganhei. Não tem como estar mais feliz! São dois bronzes com gosto de ouro”, comenta Sérgio. Em entrevista, Sérgio ressalta ainda que o que mais recompensa-o é ver o interesse das pessoas pelo Adestramento Paraequestre, buscando aprender as regras e características do esporte, fazendo com que ele seja divulgado e valorizado.

Sérgio comemorando o bronze nos jogos paralímpicos RIO 2016 (Foto: Cleber Mendes/MPIX/CPB)

Sérgio comemorando o bronze nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 (Foto: Cleber Mendes/MPIX/CPB)

Modalidade Adestramento Paraequestre
O Adestramento Paraequestre é a única modalidade do hipismo em que os atletas paralímpicos participam. Para alguns treinadores, esta modalidade é a mais difícil, e busca sempre a precisão. Recebeu o apoio da Confederação Brasileira de Hipismo somente em 2002.

As provas de Adestramento Paraequestre seguem os critérios conforme a competição. Em campeonato, os atletas apresentam movimentos pré-determinados pelo Comitê Internacional Paraequestre (IPEC). Nas apresentações “Estilo Livre”, os atletas incorporam movimentos exigidos pelo IPEC demonstrando harmonia entre o cavaleiro e sua montaria. Existem, ainda, as “duplas livres”, competição opcional em que atletas executam os exercícios aos pares. Para um país participar como equipe em competições internacionais é obrigatório que o time seja formado por 3 ou 4 atletas, onde pelo menos um deles deve pertencer à classe I ou II.

Os atletas da classe I, II e III apresentam seus exercícios em pistas um pouco menores do que os atletas da classe IV. A pista deve oferecer níveis de segurança maiores do que as pistas convencionais. Para isso, a areia, ao contrário do Adestramento convencional, é compactada para facilitar a locomoção do cavaleiro.

As letras de posicionamento são maiores para facilitar a leitura e a identificação. Uma sinalização sonora é usada para orientar o atleta cego: são os “chamadores”, que gritam letras conforme o cavaleiro se aproxima de um obstáculo. Além disso, o local de competição precisa ter uma rampa de acesso para os competidores subirem em suas montarias.

Mulheres e homens competem juntos nas provas e diferente de outras modalidades do hipismo, no Adestramento Paraequestre os cavalos também são premiados.

Categorias
A classe Ia e Ib é composta por cadeirantes, atletas com, sem e pouco equilíbrio no tronco, e ainda pessoas com deficiência nos quatro membros. A classe II possuiu cadeirantes, pessoas com deficiência motora no tronco, mas com boas funções nos membros superiores. Também há atletas com deficiências sérias no braço e leves nas pernas, ou com uma deficiência de alto grau em um dos lados do corpo. A III é composta por atletas que conseguem se locomover sem auxílio, possuem uma deficiência moderada nos quatro membros, ou de um lado do corpo, tem um comprometimento grave no braço, ou deficiência visual total/severa. Já a classe IV é formada por atletas com deficiência visual mais amena, ou deficiência em um ou dois membros.

FONTE CONSULTADA:

BRASIL HIPISMO. Paraequestre. Disponível em: http://www.brasilhipismo.com.br/paraolimpico . Acesso em: 19/10/2016.

Deixe um comentário

%d blogueiros gostam disto: