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Felipe Perrone: voltando às origens

por Rafael Acosta Martins | rafaelacostamartins@hotmail.com | edição de Débora Ramos | debora.indcris@hotmail.com

Felipe Perrone é o principal jogador brasileiro no polo aquático (Foto: Divulgação)

Felipe Perrone, 30 anos, é atleta de polo aquático, capitão e o principal nome da Seleção Brasileira no esporte. Nascido no dia 27 de fevereiro de 1986, no Rio de Janeiro, e com uma família ligada fortemente aos esportes aquáticos, Felipe teve que tomar uma difícil decisão ainda na sua adolescência, se quisesse se tornar um atleta profissional.

Ainda no início dos anos 2000, o polo aquático ainda era algo amador no Brasil, e os atletas acabavam tendo outra profissão além de jogador. Nesta época, Kiko Perrone, irmão de Felipe, já com 25 anos, estava prestes a desistir do esporte e seguir sua profissão como economista. Porém, em um torneio de polo aquático que disputou fora do país, acabou encontrando um amigo cubano que jogava na Espanha e perguntou a ele se não havia um time em que pudesse atuar. Curiosamente, a equipe deste amigo estava atrás de um reforço, e Kiko acabou indo para a Europa.

Quando Felipe completou 17 anos, pouca coisa havia mudado no Brasil e, mesmo novo, teve que tomar uma dura decisão caso quisesse ir atrás de seu sonho. Perrone decidiu deixar para trás a família, os amigos e o país para seguir os passos do irmão mais velho na Espanha. E foi lá que ele se encontrou no esporte.

Logo na chegada acabou assinando com o Clube Natação Barcelona, uma das principais equipes do país e a mesma equipe em que o irmão atuava. Acabaram jogando e sendo campeões juntos, orgulhando a família no Brasil. Dois anos depois, Felipe trocou de lado e foi para o maior rival no país, ao assinar com o Barceloneta. Com suas conquistas e grandes atuações, o jogador chamou a atenção da seleção espanhola, que via em Felipe a chance de qualificar ainda mais o time no esporte.

Carioca já defendeu a Esp

Carioca aceitou o convite de se naturalizar e defender as cores da Espanha (Foto: Getty Imagens)

Em 2005, acabou recebendo um convite inesperado: se naturalizar espanhol e defender o país nas competições. Isso acabou mexendo com a cabeça de Felipe. Com o sonho de disputar as Olimpíadas e com polo aquático ainda muito distante de se profissionalizar no Brasil, aceitar o convite seria a chance de poder orgulhar seu pai. Isto porque, nos Jogos Olímpicos de 1972, o pai de Felipe, Ricardo Perrone, havia sido convocado pela Seleção Brasileira para disputar o evento. Porém, como na época o polo aquático estava longe de ser levado a sério, para alguns dirigentes, o nível da equipe era baixo para compensar um investimento para levá-los aos jogos, decidindo assim cancelar a participação do país no esporte e levaram outros membros de alta elite, algo que frustrou Seu Ricardo.

Com descendência espanhola em sua família, através de sua avó, Perrone poderia se naturalizar e defender as cores da “Fúria”, apelido da seleção da Espanha. Com uma seleção de muita força e tradição no esporte, além de disputar as principais competições mundiais, Felipe Perrone acabou aceitando convite para defender as cores espanholas. Além disso, as chances de se tornar um dos melhores jogadores da modalidade e poder chegar às Olimpíadas ficaria ainda mais perto de se tornar realidade.

Junto com Felipe, Kiko também acabou sendo convocado para a seleção – e os dois trilharam seus caminhos juntos. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, os dois atuaram como titulares na partida de estreia da Espanha, e foram deles os primeiros gols anotados na competição. Já em Londres, em 2012, desta vez sem o irmão, Felipe acabou sendo um dos principais nomes da seleção espanhola, mesmo sem conquistar a medalha.

De volta para casa

Haviam passado oito anos desde a naturalização de Felipe como espanhol. Mesmo atuando em uma das melhores seleções no esporte, não obteve grandes conquistas durante o tempo em que defendeu a Espanha. Nas duas Olímpiadas disputadas, um quinto e um sexto lugar, respectivamente. Além disso, uma terceira colocação no Mundial de Melborne, em 2007, e um vice no de Roma, em 2009.

Brasileiro aceitou o convite de volta a defender as cores de seu país (Foto: Satiro Sodre/SSPress )

Brasileiro acabou retornando para seu país de origem e voltou a defender as cores da seleção (Foto: Satiro Sodre/SSPress )

O carioca naturalizado espanhol não via mais chances de defender a bandeira verde e amarela, mas a escolha do Rio de Janeiro como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 mudou os planos de Felipe outra vez. Com a escolha da cidade, o polo aquático acabou recebendo um investimento jamais visto e imaginado pelos profissionais. A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) passou por um processo de reformulação, que foI liderado por um dos principais técnicos do esporte no mundo, o croata Ratko Rudic, contratado logo após o anúncio. Ele gerenciou a naturalização de jogadores e o regresso de outros que estavam na Europa.

Felipe foi o primeiro nome a ser chamado pelo croata, encabeçando a lista desta nova fase do polo aquático brasileiro e com o objetivo de auxiliar no processo de desenvolvimento da seleção Olímpica do Brasil. Para poder estar presente e contribuir mais de perto com a profissionalização do Brasil no esporte, em 2013, recebeu uma oferta para atuar no Fluminense, e ele prontamente aceitou e teve a oportunidade de voltar para sua cidade.

“Eu sempre quis representar o Brasil e acho que agora, com todo o incentivo que a gente está tendo, realmente eu me sinto representando meu país. No momento que eu joguei com a Espanha foi exatamente por isso. Era um esporte totalmente desconhecido, a gente não tinha nenhum apoio. Agora as coisas já estão acontecendo e os resultados começaram a vir”, afirmou Felipe.

Motivado pelo fato de voltar para o seu país e defender a sua seleção, juntou o sonho de representar o Brasil e ser um ídolo no esporte, mas não apenas com medalhas e conquistas, mas para fomentar a prática do polo aquático. Aproveitando o momento de preparação do país para as Olimpíadas, se tornou embaixador de um projeto social chamado Polo Aquático do Futuro, que atende mais de 100 crianças na comunidade de Vicente de Carvalho, no Rio de Janeiro.

Retorno à Europa em busca de conquistas

Perrone foi eleito o eleito o melhor jogador (MVP) da Liga dos campeões europeia de polo aquático por duas vezes consecutivas (Foto: Divulgação)

Perrone foi eleito o eleito o melhor jogador (MVP) da Liga dos Campeões Europeia de polo aquático por duas vezes consecutivas (Foto: Divulgação)

No seu retorno à seleção brasileira, já em 2014, Felipe conquistou o bicampeonato sul-americano, disputado na Argentina, e foi eleito o melhor jogador do torneio em que já havia conquistado o título também em 2002. Perrone também estava presente na conquista da medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015. Ainda neste ano, disputou a Liga Mundial pelo Brasil, que acabou ficando na 3º colocação, batendo a poderosa seleção croata logo na estreia.

Após esses títulos pela seleção, e vendo que o time estava encaminhado para os Jogos Olímpicos, aceitou o convite de voltar a jogar na Espanha para ser o grande nome do esporte. No seu retorno à Europa, o Barceloneta foi novamente o clube escolhido, e nele, mesmo conquistando o bronze da Liga dos Campeões Europeia (Champions League Final Six), acabou sendo eleito o Jogador Mais Valioso (MVP) do torneio, um dos principais títulos em nível mundial. Além disso, foi eleito o terceiro melhor jogador do mundo na categoria.

No ano seguinte, às vésperas das Olimpíadas, aceitou o convite para ir jogar na Croácia, país que é a principal potência no esporte. Por lá defendeu as cores do Jug Dubrovnik, e acabou sagrando-se campeão da Liga, conquistando pela segunda vez consecutiva o prêmio de MVP, algo que fez com que Felipe chegasse ainda mais motivado para o Rio.

Seleção com o melhor desempenho da história nos Jogos

Brasil obteve seu melhor resultado na história das Olímpiadas (Foto: Divulgação)

Brasil obteve seu melhor resultado na história das Olímpiadas (Foto: Divulgação)

Nas Olimpíadas de 2016, o Brasil voltou a disputar o polo aquático na competição após 32 anos e obteve a sua melhor classificação na história dos Jogos. Após conseguir classificação antecipada às quartas de finais, a seleção acabou sendo eliminada pelos croatas, uma das principais potências no esporte, e que chegaram ao Rio de Janeiro ostentando o ouro olímpico conquistado em Londres 2012, bem como a prata no Mundial de Desportos Aquáticos de Kazan, em 2015.

“Nós tentamos, mas foi muito difícil. A Croácia é campeã olímpica e tem uma grande defesa”, disse o brasileiro Felipe Perrone, feliz com a campanha do Brasil. “Se voltarmos três anos no tempo, nunca imaginaríamos jogar as quartas de final dos Jogos Olímpicos”, exaltou.

Depois de vencer Austrália, Japão e os campeões mundiais da Sérvia nas três primeiras partidas, o Brasil sofreu uma grande queda de rendimento e foi derrotado nos outros cinco jogos que disputou, diante de adversários mais fortes e com tradição na modalidade – Hungria, duas vezes, Grécia, Croácia e Espanha, ficando em oitavo lugar, algo que foi comemorado pela equipe brasileira, visto que o profissionalismo deste esporte ainda é algo muito recente no país.

FONTES CONSULTADAS:

ESPORTE ESPETACULAR. Origens: conheça a história do atleta de pólo aquático Felipe Perrone. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/5056757/. Acesso em 3 out. 2016

GISMONDI, Lydia. De volta ao Brasil, ‘espanhol’ Felipe Perrone vira esperança para Rio 2016. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/polo-aquatico/noticia/2013/12/de-volta-ao-brasil-espanhol-felipe-perrone-vira-esperanca-para-rio-2016.html. Acesso em 3 out. 2016

GLOBOESPORTE.COM. Brasileiro é eleito MVP da Liga dos Campeões da Europa de polo aquático. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/polo-aquatico/noticia/2015/06/brasileiro-e-eleito-mvp-da-liga-dos-campeoes-da-europa-e-polo-aquatico.html. Acesso em 3 out. 2016

ESTADÃO CONTEÚDO. Rio 2016: Melhor do mundo no polo aquático, Perrone celebra jogar em casa. Disponível em: http://esporte.ig.com.br/olimpiadas/2016-08-04/rio-2016-polo-aquatico.html. Acesso em 3 out. 2016

ESPORTE INTERATIVO. De volta à seleção brasileira de polo aquático, Felipe Perrone sonha com o ouro no Pan de Toronto. Disponível em: http://esporteinterativo.com.br/brasil-de-ouro/de-volta-a-selecao-brasileira-de-polo-aquatico-felipe-perrone-sonha-com-o-ouro-no-pan-de-toronto/. Acesso em 3 out. 2016

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