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Das brigas de rua ao pódio olímpico

por Lidiane Moraes | liidymoraes@gmail.com | edição de Ulisses Miranda | ulisses_mr17@hotmail.com

(Foto: Flavio Florido/Exemplus/COB)

Nas ruas de Salvador que as primeiras rodas de capoeiras foram organizadas. As reuniões eram feitas em vários pontos da cidade, como praças e ruas. E foi deste misto de dança e lutas que o campeão Robson Conceição surgiu. Criado pela avó e pela mãe no bairro humilde de Boa Vista de São Caetano, em Salvador, o menino que brigava nas ruas se tornou um dos maiores boxeadores brasileiros.

A única referência de Robson era o tio, Roberto, famoso pelas brigas de rua no carnaval de Salvador. Robson queria ser igual a ele. Aos 13 anos teve contato com o esporte que mudou sua vida: o boxe.

A primeira luta de sua vida: o sustento

Para ajudar a mãe e a avó em casa, Robson começou a trabalhar jovem. Acordava e ia para a barraca de Ana Neusa, sua avó, onde organizava os caixotes e montava a estrutura da feira que a família trabalhava. Depois que voltava do colégio, Robson ajudava a desmontar tudo. Só após a sua jornada de trabalho e estudo que Robson iniciava seus treinos.
A distância percorrida era de 9 km. Percurso que fazia a pé, pois o custo com transportes era alto demais. Os treinos eram administrados pelo seu amigo Luiz Alberto, que passava os ensinamentos da academia que frequentava.
Os equipamentos necessários para os treinamentos eram improvisados. Para as bandagens, Robson fingia que estava com o braço machucado, assim conseguia atendimento no posto médico, de onde seguia para os treinos. Já as manoplas eram feitas com chinelos havaianas.

Das ruas para o boxe profissional

Foto: arquivo pessoal

(Foto: Arquivo Pessoal)

Famoso pelas brigas de rua, seu tio Roberto lhe servia como exemplo. Robson queria ser igual a ele. Com o tempo ganhou fama, as brigas lhe renderam o apelido de “terror de boa vista”. “Eu brigava muito na rua, todos os dias, procurava briga na rua e por tudo brigava”, conta o pugilista em entrevista para o jornal Folha.

Foi só aos 13 anos que Robson se envolveu com um projeto social do seu bairro. O projeto oferecia aulas de boxe gratuitas para a comunidade. Sua avó era contra, e foi só depois de muita insistência por parte do pugilista que ela cedeu. “A partir do momento que ela me inscreveu no projeto, nunca mais briguei na rua”, lembra.
Foi só uma questão de tempo para o pugilista começar a se destacar. Com o incentivo da comunidade e amigos, logo foi convocado para participar da seleção brasileira de boxe. Passou a morar em Santo André, na cidade de São Paulo, onde também enfrentou dificuldades financeiras, pois apenas os quartos coletivos e alimentação eram custeados.

Com o apoio da Marinha

Foto: Arquivo Pessoal

(Foto: Arquivo Pessoal)

Em 2009 Robson perdeu o apoio da federação brasileira de boxe, devido a divergências entre a escolha de seu local de treino. A confederação queria que Robson treinasse em São Paulo, mas o pugilista escolheu continuar treinando na Bahia onde, com o apoio da Marinha e seu técnico Luis Carlos Dórea, fez parte de um time com Robenilson de Jesus e outros sete pugilistas.
Em entrevista recente, Robson afirma que esse antigo problema com a federação já foi resolvido. Atualmente ele integra o programa de desenvolvimento esportivo das Forças Armadas do Brasil, onde possui a patente de terceiro-sargento da marinha.

De olho no ouro das Olimpíadas

Aos 19 anos Robson participou pela primeira vez dos Jogos, na edição de Pequim, na China em 2008. E junto com a sua primeira participação, veio sua primeira derrota. fotoRobson perdeu na estreia para o chinês Yang Li. Três anos depois, participou dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, onde conquistou a medalha de prata. Nos Jogos Olímpicos de Londres/2012, Robson foi eliminado novamente na estreia, desta vez contra o pugilista britânico, Josh Taylor.

Em 2015 o bronze em Doha, no Catar, garantiu a Robson a vaga nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O foco de Robson era claro: queria a tão sonhada medalha olímpica. Na sua rotina diária, os treinos eram intercalados entre a capital paulista, onde fica o centro de treinamentos, e a capital baiana, onde reside. A rotina cansativa começava cedo, e com a competição se aproximando, teve que dedicar-se menos ao projeto no qual dá aulas para as crianças da comunidade de Boa Vista de São Caetano, onde foi criado.

Todo o esforço foi recompensado quando enfrentou o francês Sofiane Oumiha nas Olimpíadas do Rio 2016. “Sempre tive o sonho de chegar à Olimpíada. Cheguei novo, esperançoso e com tudo ficava feliz. Participei de duas, mas só agora foi diferente, me desliguei das redes sociais, tudo. A medalha foi do meu foco e da minha vontade”, desabafa. A torcida do pavilhão seis do Rio Centro era dele, os gritos eram claros: “o campeão voltou”. Robson se manteve firme durante a luta e a decisão foi unânime, 3 a 0. Robson é o primeiro pugilista brasileiro na história a ser medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos.

FONTES CONSULTADAS:

VETTORAZZO, L.; LUCENA R.; RIBAS T. Campeão olímpico, Robson buscou o boxe para brigar no Carnaval de Salvador. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/08/1802157-brigao-robson-entrou-no-boxe-aos-13-anos-para-melhorar-sua-tecnica-na-rua.shtml. Acesso em: 12 de out. 2016

WIKIPÉDIA. Robson Conceição. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Robson_Concei%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: 12 de out. 2016

CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BOX. Ficha do Atleta Robson Conceição. Disponível em:  http://www.cbboxe.com.br/sitenovo/fichaatleta/7/Robson-Conceicao. Acesso em: 12 de ago. 2016.

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