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Do transtorno ao auge: a trajetória de Phelps

por Aline Eberhardt | alineberhardt@gmail.com | edição de Leonardo Ferreira | leonardoferreira305@hotmail.com

Michael Phelps após 200m medley masculino, RIO 2016 (Foto: David Gray/Reuters)

Com 1,92 metros de altura e 2,01 metros de envergadura, Michael Fred Phelps conquista facilmente uma piscina. Tendo 37 recordes mundiais e 28 medalhas olímpicas, sendo 23 de ouro, o agora ex-nadador norte-americano anunciou sua aposentadoria nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, onde levou suas últimas seis medalhas olímpicas, sendo cinco de ouro.

O que poucos sabem é como o atleta chegou ao seu auge. Em 1991, com 6 anos, foi diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O transtorno mental se caracteriza por frequente comportamento de desatenção, inquietude e impulsividade. A criança com essa síndrome muitas vezes se sente isolada e segregada dos demais colegas, não entende porque é diferente e fica perturbada com suas próprias incapacidades. Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, um aspecto positivo do transtorno é a sua capacidade de ‘hiperconcentração’ em uma área de interesse. O que, supostamente, aconteceu com Phelps na natação.

E foi por causa desses motivos, e pelo incentivo de suas duas irmãs mais velhas, já nadadoras na época, que Phelps iniciou sua vida nas piscinas aos 7 anos. Três anos mais tarde ele já havia quebrado o recorde nacional de natação para sua idade.

Michael Phelps poses with his gold medal. REUTERS/Jeremy Lee

Michael Phelps posa com medalha de ouro, RIO 2016 (Foto: Jeremy Lee/Reuters)

Aos 15 anos, sob direção do treinador Bob Bowman, classificou-se para as Olimpíadas de 2000, em Sydney. Embora tenha ficado em 5º lugar, é considerado um prodígio por chegar tão longe nessa idade. Nas Olimpíadas de 2004, em Atenas, Phelps mostrou do que era capaz. Deixou a capital grega levando seis medalhas de ouro e duas medalhas de bronze.

Mas foi em Pequim, Jogos Olímpicos de 2008, que o atleta realmente construiu seu nome. Conquistou nada mais nada menos do que oito medalhas de ouro, sendo sete recordes mundiais e um recorde olímpico. Nesse momento, a vida de Phelps começou a ser referência no meio da natação. Sua dieta de 12 mil calorias por dia foi revelada na mesma edição olímpica, sendo uma das curiosidades mais lidas na época.

Infelizmente, nem tudo é um mar, ou piscina, de rosas. Um pouco antes das Olímpiadas de Londres, em 2012, o astro foi visto fazendo uso de maconha. Três meses de suspensão e abandono dos treinos não foram suficientes para derrubar Phelps. Participou da edição mesmo assim, faturando seis medalhas, duas dessas de ouro. Satisfeito com sua carreira, decidiu anunciar a aposentadoria.

Michael Phelps competes. REUTERS/Pilar Olivares

Michael Phelps competindo, RIO 2016 (Foto: Pilar Olivares/Reuters) 

Aposentado com 27 anos e um total de 22 medalhas olímpicas, Phelps mostrou sua real fraqueza: teve problemas com alcoolismo. Não era outro competidor ou um novo recorde que o assustavam, era a humilhação da clínica de reabilitação. Bowman, seu fiel treinador, em entrevista para o jornal The New York Times, revelou que “ele não tinha mais ideia do que fazer com sua vida”: havia caído nas garras da depressão.

Mas, pouco tempo depois, enfrentando seus medos, o nadador entrou para a Clínica Meadows, no Arizona, onde era apenas mais um paciente. Sem contar com privilégios ou tratamentos especiais, as seis semanas passaram se arrastando para Michael Phelps, se for pensar pelas muitas terapias em grupo que aconteceram.

Procurando achar novamente o equilíbrio, Phelps concentrou todas as suas forças na recuperação. Voltou a falar com seu pai, com quem nunca teve uma relação saudável, comprometeu-se com sua atual esposa e nunca deixou de olhar para a pequena piscina nos fundos da clínica. Assim, redescobriu a paixão pela natação, o que foi essencial para sua decisão de voltar às piscinas para as últimas competições: os Jogos Olímpicos RIO 2016.

Michael Phelps of the U.S. greets his fiance Nicole Johnson and their son Boomer after he won the gold in the men's 200m butterfly. REUTERS/Stefan Wermuth

Michael Phelps comemora ouro com sua noiva Nicole Johnson e seu filho Boomer, Rio 2016 (Foto: Stefan Wermuth/Reuters)

Hoje, pai novato, marido dedicado e atleta modelo, Michael Phelps não se arrepende da decisão tomada nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. “Estou feliz com a forma como a minha carreira acabou. Eu não posso dizer o mesmo sobre Londres 2012. Fiquei orgulhoso do trabalho que fiz nos últimos dois anos para ser capaz de voltar e chegar onde estou hoje. Se eu não tivesse voltado, eu não saberia o que fazer comigo mesmo e teria ficado frustrado por não ter me dado uma chance”, disse, esboçando sorriso largo em uma coletiva de imprensa, realizada em agosto na cidade maravilhosa.

FONTES CONSULTADAS:

MIRÁS, Denise. O esporte dá adeus a Michael Phelps no RIO 2016. Disponível em: https://www.rio2016.com/noticias/michael-phelps-o-mundo-se-curva-a-sua-grandeza-no-rio-2016. Acesso em: 10 out. 2016

FENNO, Nathan. Michael Phelps ends record-breaking career with 23rd Olympic gold medal. Disponível em: http://www.latimes.com/sports/olympics/la-sp-oly-rio-2016-michael-phelps-ends-record-breaking-1471141061-htmlstory.html Acesso em: 10 out. 2016

FORDYCE, Tom. Da depressão ao Olimpo: as cinco fases da Odisséia de Phelps. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37028511. Acesso em: 10 out. 2016

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