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Mônica Santos: a atleta que disse não ao aborto

por Bruna Rodrigues | brunarjordana@gmail.com | edição de Leonardo Ferreira | leonardoferreira305@hotmail.com

(Foto: Matheus Bruxel/Agência RBS)

“Nós somos a soma das nossas decisões”. Esta frase, dita pelo cineasta Woody Allen em cena, no seu filme Crimes e Pecados, pode ilustrar, de certa forma, a história de vida de Mônica Santos, uma das principais atletas da esgrima paralímpica do Brasil.

Nascida no interior de Santo Antônio da Patrulha, a menina cheia de sonhos começou a se interessar por esporte desde cedo. Por ser muito hiperativa Mônica não conseguia ficar parada por muito tempo. O futebol foi o primeiro esporte a entrar na sua vida: foi correndo atrás da bola que ela descobriu onde poderia depositar tanta energia.

A rotina da moradora de Santo Antônio da Patrulha se resumia basicamente em trabalhar em uma indústria calçadista no Vale dos Sinos, jogar futebol duas vezes por semana e passar o restante do tempo ao lado de Angelo Claudeci, com quem recém tinha se casado. Até que , no ano de 2002, a vida de Mônica mudou drasticamente. Foi ao acordar em uma manhã que ela percebeu que seu joelho não conseguia mais sustentar o corpo, aos poucos a situação se agravava e ela já não sentia mais os membros, até que chegou o momento em que ela não conseguia mais caminhar.

(Foto: Matheus Bruxel)

Mônica Santos, primeira mulher a conquistar o ouro no Regional das Américas (Foto: Matheus Bruxel)

Foi quando decidiu buscar auxílio médico que Mônica teve uma notícia que traria muitas alegrias a sua vida e a levaria a tomar grandes decisões: ela estava grávida, junto á alegria da gravidez veio a incerteza dos médicos em relação à perda dos seus movimentos das pernas. Depois de alguns meses de exames e de internação durante a gestação para ir em busca de um diagnóstico sobre o que estava acontecendo com suas pernas veio a segunda notícia: ela estaria com um angioma medular, uma espécie de tumor na medula. Os médicos foram precisos: era necessário interromper a gravidez caso ela quisesse continuar mantendo os movimentos das pernas, pois a evolução da gestação poderia pressionar ainda mais este angioma podendo deixar ela tetraplégica ou levar á morte. Foi em um curto espaço de tempo que a paratleta tomou a decisão que mudaria sua vida para sempre, com o desejo de ser mãe e acreditando no destino que lhe foi proporcionado, Mônica, que já estava tendo os primeiros sinais da gestação, decidiu assumir o risco e manter a gravidez.

Em 1º de novembro de 2002 nasceu Paola, a filha do casal. 40 dias depois do nascimento foi marcada a cirurgia para descomprimir a medula. Os médicos se encontravam pessimistas em relação à cirurgia, se saísse vida Mônica ficaria tetraplégica. Ela acordou da cirurgia sabendo que estava com vida e sentindo os movimentos dos braços, o que faria dela paraplégica, porque não perdeu todos os movimentos do corpo como os médicos acreditavam que iria acontecer.

(Foto:Daniela Battastini, DaniBat Fotografia, Divulgação)

Mônica e sua filha Paola fruto de uma escolha decisiva (Foto: Daniela Battastini/DaniBat Fotografia)

Ao se adaptar á vida de cadeirante, Mônica ajudava o marido na oficina de motos até que ela percebeu que queria fazer algo a mais, pois estava tomada pelo tédio. Até que lhe veio a ideia de voltar para o esporte. Ela saiu a procura de modalidade esportivas adaptados para cadeirantes, depois de algumas tentativas em inúmeras modalidades como tiro ao alvo, tênis de mesa, vela e basquete ela se encontrou na esgrima. Foi Jovane Guissone que lhe apresentou o esporte. Mônica mal tinha entrado na esgrima e já estava obtendo muito reconhecimento de seu desempenho. Com muita dedicação aos treinos em 20 dias ela já tinha conquistado a sua primeira medalha de bronze após isso vieram mais conquistas. A paratleta tornou-se especialista em florete, uma das armas usadas no esporte, entrou para a seleção brasileira e já conseguiu mais de 30 medalhas em campeonatos nacionais e internacionais.

(Foto: Alexandre/Urch/MPIX/CPB)

Mônica Santos em sua primeira Paralímpiada, Rio 2016 (Foto: Alexandre Urch/MPIX/CPB)

Nas Paralímpiadas Rio-2016 Mônica não obteve nenhuma medalha, mas isso de maneira alguma desanimou a “monstrinha”, como é cariosamente chamada pelos amigos da esgrima. Ela que acredita que o nervosismo por estar em sua primeira Paralímpiada tenha atrapalhado um pouco, mas que esta foi apenas para testar, pois o foco agora está nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2020.

FONTES CONSULTADAS:

REVISTA DONNA. Prêmio Donna: a esgrimista Mônica Santos transformou sua vida após se tornar cadeirante. Disponível em: http://revistadonna.clicrbs.com.br/gente/premio-donna-monica-santos/. Acesso em: 11 de out. 2016

GAZETA ESPORTIVA. Única mulher na esgrima, Mônica superou doença durante gravidez.
Disponível em: http://www.gazetaesportiva.com/esgrima/unica-mulher-na-esgrima-monica-santos-superou-doenca-durante-gravidez/. Acesso em: 11 de out. 2016

FOLHA DE SÃO PAULO. Depois de arriscar a vida pela filha, gaúcha se torna estrela da esgrima. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/09/1812195-depois-de-arriscar-a-vida-pela-filha-gaucha-se-torna-estrela-da-esgrima.shtml. Acesso em: 11 de out. 2016.Salvar

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