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Jornalista e professor da UniRitter fala sobre a cobertura diferenciada da Copa do Mundo de 2006

por Cristiane Vargas e Matheus Machado |vargasane@gmail.com e matheus.machado.v@hotmail.com

Mesmo sem experiência anterior em coberturas esportivas, Rodrigo Rodembusch, jornalista e professor da UniRitter Laureate International Universities, abraçou uma missão desafiadora em 2006: cobrir a Copa da Alemanha com a equipe de esportes da Rádio Guaíba, onde na época trabalhava como redator e repórter do departamento de jornalismo. A bagagem de conhecimento sobre outras editorias ajudou no bom resultado durante os 30 dias em que ele esteve em um dos maiores eventos esportivos do mundo. A experiência no jornalismo fez com que ele ampliasse a forma de falar sobre o futebol, mostrando um olhar diferenciado em relação à cobertura esportiva. O domínio do alemão também o ajudou a coordenar a equipe da Guaíba e a vivenciar fatos inusitados e experiências únicas em meio às diferentes culturas que se reuniram durante o evento na Alemanha. Em entrevista ao UniRitter Esporte, Rodrigo contou mais sobre a cobertura do evento e o olhar que teve sobre a Copa do Mundo.

Como você recebeu o convite para fazer a cobertura da Copa do Mundo de 2006? 

Eu já tinha experiência de fazer cobertura de outros eventos na Alemanha, então antes de cobrir a Copa do Mundo eu já tinha viajado para lá umas seis vezes pela Rádio Guaíba. Me escolheram também pelo domínio do idioma. Fui para coordenar a equipe, porque já conhecia o lugar. Fui para agilizar a logística, fazer matérias de assuntos variados, não exatamente fazer cobertura de esporte.

Arquivo pessoal/Rodrigo Rodembusch

Rodrigo ao lado de Luiz Carlos Reche (na época repórter e chefe de Esportes da Rádio Guaíba) e do narrador Haroldo de Souza

Você  havia participado de algum evento como esse 

Não. Nós dizemos no jornalismo que uma cobertura como essa é a maior cobertura que pode existir assim como a de Jogos Olímpicos. Eu nunca havia participado de um evento assim, junto com repórteres do mundo inteiro. Por causa do fuso horário nós trabalhávamos 29 horas, foi uma maratona de trabalho muito puxada.

Quais as limitações que você encontrou ao fazer essa cobertura?

Como não cobri a parte esportiva, não achei nenhum problema. O único revés foi não ter tido o espaço que eu achei que  teria nos veículos para o qual eu trabalhava na época.

Você acha que a experiência de fazer reportagens de outros assuntos contribuiu nessa cobertura?

Sim. O domínio do idioma me abriu portas. Por exemplo, eu fui o único jornalista do Brasil a entrevistar a missão da África do Sul que visitou a Alemanha. Ninguém sabia que eles estavam visitando o parlamento do estado alemão, e ao descobrir isso, eu fui fazer essa entrevista. Inclusive tive que comprar terno em uma loja lá na Alemanha!

que você pode falar sobre a estrutura do evento?

Fantástica. O problema é que a Rede Globo chega no local dominando o território. Onde a Globo está ninguém entra. Uma semana antes de a seleção brasileira chegar, ninguém mais poderia entrar na cidade que servia de concentração porque a Globo já estava dominando o local. Então isso era um limitador muito forte.

Arquivo pessoal/Rodrigo Rodembusch

Rodrigo com torcedores na Copa da Alemanha, em 2006

Devido às torcidas pertencerem a culturas diferentes, o que mais marcou você?

O Brasil jogou contra o Japão, Austrália, Gana e então marcou a maneira como eles comemoram. Por exemplo, a maneira quieta e civilizada do japonês. Lembro quando o Brasil abriu os jogos em Berlim contra a Croácia, era uma massa de gente vestida e pintada de branco e vermelho. Então é fantástico sentir o povo curtir pelo seu país.

Foi possível presenciar algum fato inusitado fora dos estádios?

Uma Alemanha superlotada, onde não se respeitava os horários dos treinos, mas isso é uma coisa super normal. Algo inusitado era o alemão abrir todas as tabelas de horário para os treinos e quem tinha a credencial entrava de graça. Sem falar o fato de o país estar preparado para a Copa do Mundo, o que o nosso não esteve em momento algum. As obras na Alemanha já estavam prontas dois anos antes de começar a Copa. 

Embora toda a estrutura para a Copa do Mundo estivesse pronta, foi possível passar tranquilamente pela Alemanha durante este período?

Não. É que nem ter um esgoto que comporta dez litros de água e chover cem litros de água. A Alemanha comporta no país a população dela, naquele período da Copa do Mundo era muita gente. Então obviamente houve atrasos, houve correria. E outra: não é a cultura alemã dentro da Alemanha, tinha outros povos que não sabiam ser civilizados nessas situações.

Por quanto tempo você permaneceu na Alemanha?

Fiquei por um mês. Quando terminou eu chorei de felicidade voltando para casa porque foi muito desgastante. Vou confessar para vocês quando o Brasil perdeu para a França eu estava em Frankfurt, eu chorei de alegria, não por causa do Brasil, mas porque eu estava esgotado de tanto trabalho e queria voltar. E a primeira ligação que eu recebi foi do diretor da rádio, dizendo: Rodrigo tu ficas até o final. E então foi uma tristeza.

Você voltaria a fazer a cobertura de um evento como esse?

Com certeza! Se me dessem espaço e me deixassem abordar algo que não fosse só vinte e dois homens defendendo uma bola no campo.

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