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Melhor do mundo no futebol de 5, Ricardinho reclama da falta de investimento no esporte paralímpico

por Karem Rodrigues | karem_ritiele@hotmail.com

Ricardo Alves, o Ricardinho, como é conhecido, perdeu a visão aos oito anos de idade em razão de um descolamento de retina. O sonho do menino, de ser um grande jogador de futebol, parecia ter acabado ali. “Depois de dois anos de tratamento, perdi totalmente a visão, não tinha mais o que fazer. No momento em que isso aconteceu, pensei que não poderia mais jogar futebol. Foi um choque”, lembra.

Divulgação/CPB

Ricardinho é o principal jogador da seleção brasileira de futebol de 5 que vai em busca do tetracampeonato nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro-2016

Mas a tristeza só durou até o esporte paralímpico entrar na sua vida. “Não conhecia futebol de 5, para mim não existia. Quando descobri a existência do esporte, descobri que tinham times no Brasil, seleções e tudo mais, aquele sonho renasceu para mim. Pensei: bom, agora eu posso tentar de novo”, disse Ricardinho em entrevista ao UniRitter Esporte. O futebol de 5, um esporte adaptado para deficientes visuais, se tornou a esperança daquele garoto que tinha desistido do sonho de jogar futebol.

O gaúcho, natural de Osório, fez com que a dificuldade da perda de visão virasse a seu favor. Com dez anos ele entrou em uma escolinha especializada em deficientes visuais. “Comecei a praticar numa escolinha onde eu estudei, no Instituto Santa Luzia, em Porto Alegre”, conta. Hoje, com 26 anos, Ricardinho acumula títulos e vitórias, inclusive vestindo a camisa 10 da seleção brasileira da modalidade em campeonatos disputados no Brasil e no exterior.

Divulgação/CPB

Eleito por duas vezes o melhor jogador de futebol de 5 do mundo, Ricardinho diz que o problema do esporte paralímpico brasileiro é a falta de investimento

O jogador faz parte da equipe brasileira tricampeã paralímpica – e é o maior expoente do futebol de 5 na busca por mais apoio e patrocínio. “O problema do esporte paralímpico no Brasil é a falta de incentivo, patrocínio e reconhecimento, os únicos atletas remunerados são os de ponta, independentemente da modalidade, os que representam suas seleções são os que conseguem ainda se manter da prática esportiva”, afirma o jogador. “Os atletas que não tem tanto destaque acabam ficando esquecidos. Dão o melhor quando conseguem os resultados, só que para ter resultados é preciso investimentos, temos muitos atletas bons e o investimento ainda é pequeno”, reclama Ricardinho, que atualmente defende a equipe da Agafuc, de Canoas.

Eleito duas vezes o melhor jogador de futebol de 5 do mundo (2006 e 2014), Ricardinho se dedica apenas ao futebol. Ele cursou dois semestres de fisioterapia, porém, em meio a dois treinos por dia e muitas viagens, não teve como continuar. “Me dedico inteiramente para isso, sou remunerado para isso e vivo do futebol. É minha renda e o meu trabalho”, diz.

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