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A surpreendente Katie Ledecky

por Bruno Raupp | brunoraupp96@gmail.com | edição de Robson Hermes | robsonhermescolombo@gmai.com

Katie posa com suas medalhas olímpicas (Foto: Divulgação)

Imagine uma menina de seis anos de idade. Empolgada, na beira da piscina, ela conta os segundos para entrar na água espelhada e de temperatura agradável. Enquanto outras crianças esperam o sinal para que o mergulho inicie, o cheiro forte do cloro invade as narinas da garota no exato momento em que ela puxa o ar para os pulmões. O sinal é dado. Todos saltam. A pequena de cabelos ruivos, nesse exato momento, dá seu primeiro mergulho. Ao entrar na água, a jovem não fazia ideia de que, em menos de uma década, seu pescoço estaria envolto por uma medalha de ouro olímpica. E esse é apenas o começo da história de Katie Ledecky.

Natural de Washington, D.C., a norte-americana nascida em 1997, é, hoje em dia, uma das maiores promessas do esporte estadunidense. O fenômeno Katie surgiu ainda em sua adolescência. Aos 15 anos, a nadadora se classificou para competir os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Por ser a mais jovem da delegação dos Estados Unidos, Ledecky não representava risco real às suas adversárias. Porém todo seu potencial estava prestes a ser posto à prova. Escalada para competir apenas os 800m livre, Ledecky superou todas as expectativas e conquistou a medalha de ouro, em uma final dominada pela jovem atleta. A expressão de incredulidade em seu rosto após tocar na parede da piscina, decretando sua vitória, é marcante. Afinal, que adolescente conseguiria acreditar que seria campeã olímpica antes mesmo de completar a maioridade?

Katie no pódio no Rio 2016 (Foto: Getty Images - Clive Rose)

Katie no pódio no Rio 2016 (Foto: Clive Rose/Getty Images)

Depois desta vitória, a comparação com o maior nome da natação mundial teve início. Michael Phelps, compatriota de Katie, participou de sua primeira Olimpíada com a mesma idade. Entretanto, seu resultado, embora tenha sido expressivo, não se equipara ao da nadadora. Isto demonstra, em termos de longo prazo, que Katie pode vir a se tornar maior que Phelps.

Após Londres, a jovem mostrou que sua vitória não havia sido apenas um mero golpe de sorte. Em 2013, competindo no Mundial de natação de Barcelona, Katie levou quatro medalhas de ouro (400m livre; 800m livre; 1500m livre; 4x200m livre;). Dentre essas quatro provas, a menina de 16 anos bateu dois recordes mundiais – um na prova dos 800m livre e o outro nos 1500m livre. É importante frisar que Ledecky é especialista em provas de nado livre e seu nível técnico é espantoso comparado ao de outros nadadores, independente do sexo.

Depois do Mundial de Barcelona, Katie ganhou os holofotes da natação. Todavia, uma atleta com sua capacidade sempre tem algo para surpreender. Em 2015, Ledecky participou de seu segundo mundial, desta vez em Kazan, na Rússia. Não contente com as quatro medalhas conquistadas dois anos antes, na Espanha, a nadadora conquistou mais cinco na fria cidade russa, somando nove medalhas de ouro em Mundiais. Apenas a dos 200m livre sendo inédita.

Katie na piscina nos Jogos Olímpicos de 2016 (Foto: Al Bello/Getty Imagens)

Katie na piscina nos Jogos Olímpicos de 2016 (Foto: Al Bello/Getty Imagens)

Posteriormente, Katie passou a ser cotada como uma das maiores nadadoras e com grande chance de conquistar medalhas para a equipe norte-americana nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Porém, logo após o Mundial de Kazan, a garota havia recebido uma bolsa de estudos em Stanford, prestigiada universidade da Califórnia. A partir deste momento, é possível avistar a verdadeira Ledecky. Após receber a proposta da bolsa, Katie decidiu que adiaria sua entrada na universidade para disputar as Olimpíadas de 2016, mas que, logo após os Jogos, faria sua matrícula e se tornaria uma simples estudante. Jogos os quais ela ganhou mais quatro medalhas de ouro (200m livre; 400m livre; 800m livre; 4x200m livre) e uma de prata (4x100m livre). É interessante analisar o ponto de que, ao se tornar uma universitária através da bolsa de estudos, Ledecky só poderá competir amadoramente pelo nome de sua universidade. Assim, a nadadora deixará de ganhar em patrocínios – já que alunos não podem ser patrocinados -, uma média de US$ 5 milhões por ano.

Mas essa decisão foi tomada de forma serena e sem dúvidas por Katie. É chocante vermos uma atleta negar milhões para poder viver uma vida comum, pois o esporte é, na maioria dos casos, um objeto de superação. Já é intrínseco. O atleta vê que pode superar suas dificuldades financeiras e sociais através da ascensão esportiva. Mas Ledecky não. Vinda de uma família de classe média e com condições financeiras estáveis, a nadadora decidiu apenas seguir sua vida normalmente, competindo por Stanford e, depois de formada, voltando à natação profissional.

Ledecky comemora no Rio 2016 (Foto: Adam Pretty/Getty Imagens)

Poucos sabem, mas a religião é algo muito presente na vida da jovem esportista. Educada desde pequena em escolas católicas e aprendendo os valores do catolicismo com sua família, Katie leva isso até à piscina. Antes de entrar em qualquer competição, a nadadora reza a Ave Maria pelo menos uma vez para se acalmar e entrar o mais concentrada possível.

Katie é surpreendente, desde suas performances na piscina até suas escolhas pessoais. Mesmo extremamente jovem, ela demonstra uma maturidade impressionante. Após conquistar nove medalhas em mundiais e seis em olimpíadas, Ledecky tomou um rumo totalmente inesperado para um atleta com seu potencial. Ao decidir competir amadoramente por Stanford, a nadadora facilitou para suas adversárias nas provas de nado livre e deixará uma lacuna na natação mundial pelos próximos anos. Agora, resta esperar Katie terminar seus estudos para poder retornar às piscinas profissionais e torcer para que o mundo possa ver Ledecky se tornar um dos pilares do esporte mundial.

FONTES CONSULTADAS:

BENTO, Helena. Katie Ledecky, a menina de ouro. Disponível em: http://expresso.sapo.pt/desporto/2015-08-08-Katie-Ledecky-a-menina-de-ouro-. Acesso em: 10 out. 2016

FAVERO, Paulo. Katie Ledecky: Um fenômeno das piscinas aos 18 anos. Disponível em: http://esportes.estadao.com.br/noticias/jogos-olimpicos,katie-ledecky-um-fenomeno-das-piscinas,1822415. Acesso em: 10 out. 2016

ROSA, Ana Beatriz. Nasce um mito: Quem é Katie Ledecky, a mulher mais vitoriosa da Rio 2016. Disponível em: http://www.brasilpost.com.br/2016/08/16/katie-ledecky-natacao_n_11542340.html. Acesso em: 10 out. 2016

LAJOLO, Mariana; CONDE, Paulo Roberto. Com 19 anos, americana Katie Ledecky supera fatos de Phelps nesse idade. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/08/1801932-com-19-anos-ledecky-supera-feitos-de-phelps-nesta-idade.shtml. Acesso em: 10 out. 2016

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