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Amor para toda vida: a história de uma paixão pela ginástica que dura mais de 30 anos

por Jordana Laguna e Luiza Guerim | jordanalaguna1@gmail.com e luizaguerim@gmail.com

Paixão. Essa é a palavra mais usada por Lisiane Bergue para descrever sua relação com a ginástica artística. Uma relação que tem uma história curiosa e começou quando ela tinha quatro anos. O pai de Lisiane, decatleta e apaixonado por esporte, assistiu a um desfile de suas filhas na escola e notou a inabilidade das meninas na hora de dar a passada. Foi aí que ele percebeu que elas precisavam praticar um esporte.

Arquivo pessoal/Lisiane Bergue

Lisiane (à esquerda) em seus tempos de ginasta, quando conquistou o campeonato estadual por equipe em todas as categorias

São 32 anos dedicados à sua paixão: 17 como ginasta da Sogipa e o restante como treinadora. Lisiane só ficou longe dos ginásios em duas ocasiões: nas licenças-maternidade das duas filhas, Júlia, de oito anos, e Joana, de dois. Com a infância e a adolescência inteiramente voltadas para a ginástica artística, a técnica conta que não deixou de perder nada por se doar e se dedicar ao esporte. “É como se fosse um casamento entre nós duas”, afirma, referindo-se ao esporte.

Ela também não se arrepende das horas diárias de treinos e do tempo que passou longe da família. Pelo contrário: se orgulha da decisão tomada e sabe que, com certeza, ela influenciou muito no seu amadurecimento. “Nunca deixei nada para trás porque sempre ganhei outras coisas. Foi uma troca. Eu poderia perder de não comer um chocolate ou tomar um refrigerante, mas por outro lado ganhava em fazer uma acrobacia nova ou em viajar com a equipe”, diz.

Em sua carreira como atleta, Lisiane participou de campeonatos nacionais e internacionais. Foi campeã estadual por equipe em todas as categorias, além de conquistar no individual as categorias mirim, em 1988, e adulto, em 2006. A ex-ginasta disputou também todas as categorias do Campeonato Brasileiro e levou a medalha de ouro na trave nos Jogos Universitários Brasileiros de 1997.

Jordana Laguna/UniRitter Esporte

Como técnica, Lisiane desperta o amor pela ginástica nas suas pequenas atletas na Sogipa

Foi no esporte que tanto ama que ela encontrou suas amizades e uma outra família. “As minhas colegas de ginástica sempre foram as minhas melhores amigas. Isso permanece até hoje”, conta. Ela lembra que convivia “mais com os treinadores do que com a própria família”, um contato especial que se transformou em uma ligação muito próxima e familiar com seus técnicos. Essa boa relação com os treinadores é fundamental para os ginastas, segundo ela. “É uma necessidade ter esse lado mais afetivo por parte do treinador com o ginasta. Se não tem isso, nós nunca teremos o atleta”, ressalta Lisiane.

Faz 15 anos que ela está do outro lado deste relacionamento. Formada em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Lisiane já foi técnica do Grêmio Náutico União e atualmente trabalha na Sogipa com crianças de três a oito anos e a equipe pré-juvenil (sete a nove anos). Para a treinadora, é preciso disciplina e rigidez, mas sempre acompanhadas de carinho e respeito. Ela lembra que o atleta é “uma criança em formação, um adolescente que depois será um adulto”.

Lisiane acredita que as ginastas não são todas iguais e, por isso, precisam de um tratamento diferenciado: “Com uma funciona aumentando a voz, com outra não. Uma funciona olhando no olho, a outra funciona pegando na mão”. É preciso ter “um feeling do que cada uma precisa” e realizar um trabalho integrado com nutricionista, psicólogo e médico do esporte para, segundo a técnica, “dar o suporte para os atletas aguentarem a carga de treino”.

Jordana Laguna/UniRitter Esporte

Técnica de ginástica artística soma 32 anos de dedicação e experiência no esporte

No entanto, Lisiane admite que essa metodologia não é usada por todos: “Alguns treinadores utilizam métodos que são mais rigorosos, que passam por humilhações e outros caminhos”. Para ela, essa não é a melhor forma de orientar os atletas. “Não adianta ir para a porrada. Pode funcionar por um tempo, mas lá na frente isso vai estourar, vão acontecer lesões e desistências”, ressalta. Ela lamenta as consequências dessa metodologia mais severa: “Se perde muitos atletas quando entra essa questão da forma de tratar”.

Como treinadora, Lisiane quer despertar nas suas atletas o mesmo amor pela ginástica que a sua primeira professora no esporte lhe ensinou. A “mãezona”, como é conhecida, busca, todo dia, passar essa paixão para as suas ginastas. Porém, se nos ginásios da Sogipa essa missão é natural, em casa, com Júlia e Joana, está complicado. “Lamento que as minhas filhas são muito altas para a ginástica”, brinca Lisiane.

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