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As gurias coloradas: a volta do futebol feminino do Inter

Paula Fernandes | paula.1909@yahoo.com.br | Edição: Leonardo Ambrosio | leonardo.ambrosio@outlook.com

Jogadoras do time adulto realizando jogo treino. | Foto: Paula Fernandes Jogadoras do time adulto realizando jogo treino | Foto: Paula Fernandes

No dia 23 de fevereiro de 2017, o Sport Club Internacional anunciou a volta do futebol feminino. À frente estava o presidente, Marcelo Medeiros; o vice-presidente de relacionamento social, Norberto Guimarães; o diretor do futebol feminino, César Martins Schunemann; e a gerente do futebol feminino, Eduarda Luizelli, a Duda. O projeto vem com o objetivo de fortalecer ainda mais a modalidade no clube.  A primeira iniciativa do Internacional foi em 1984. Na época, Duda participava da equipe que ficou em 3º lugar no Campeonato Brasileiro no ano de 1987, mas o time não teve continuidade. Em 1996 Duda, retomou o time feminino, que foi tricampeão do Campeonato Gaúcho. Os trabalhos continuaram até os anos 2000, mas novamente foram encerrados.

Para selecionar as jogadoras dessa nova etapa, foi feita uma peneira no dia 5 de março, no CT Morada dos Quero-Queros, em Alvorada. Ao todo 702 meninas, entre as categorias sub-13, sub-15, sub-17 e adulto foram avaliadas. Os critérios para a seleção eram habilidade e desenvoltura. Hoje em dia todas as categorias treinam em um dos campos da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ESEFID).

Entre as garotas que se destacaram em campo estava Cássia Guimarães, de 15 anos, que atualmente joga pela Seleção sub-17 do Inter. Mas para chegar a um clube não é fácil e com Cássia não foi diferente. Desde pequena joga futebol e sempre recebeu apoio da família, o que foi importante para que ela seguisse acreditando no sonho de ser jogadora. Ela já havia treinado em escolinhas, mas nunca em uma seleção de clube. “É muito difícil ter uma oportunidade, tem muitas outras meninas que querem chegar onde tu está”, afirma Cássia. Segundo a jogadora, o trabalho é mais regrado, exige foco, determinação e alto rendimento.

Mesmo sabendo da dificuldade que o futebol feminino enfrenta no Brasil, por não ser tão valorizado quanto o masculino e estar evoluindo de forma devagar, Cássia quer viver do futebol, ser jogadora profissional. Caso não dê certo, pretende cursar Educação Física para continuar no meio esportivo. Outro desafio é enfrentar algumas pessoas que ainda julgam as meninas por jogarem futebol: Cássia enfrentava comentários como: “O que tu está fazendo aí?”, “Tu não tem esse direito”, mas ela sempre seguiu em frente e afirma que é preciso “ter muita cabeça” para continuar, pois magoa bastante.

Técnica Tatiele Silveira orienta atletas do Inter. | Foto: Arquivo pessoal.

Técnica Tatiele Silveira orienta atletas do Inter | Foto: Arquivo pessoal

Para manter o foco das gurias coloradas, como são chamadas, e dar o apoio necessário, está a técnica Tatiele Silveira. Ela é ex-jogadora do Internacional, passou três temporadas nos Estados Unidos e voltou em 2016 a convite da Seleção Brasileira sub-17, para ser assistente técnica, no Mundial da Jordânia. A treinadora voltou para o Inter a convite da Duda, que faria um projeto no Parque Gigante do Inter e que em seguida agregou com a volta do futebol feminino.

Além de ser técnica de todas as Seleções do Inter, Tatiele também está à frente da categoria adulta. O time está se preparando para disputar o Gauchão, que inicia em agosto. Até lá, elas estão participando de torneios e copas para ir estimulando o lado tático, técnico, físico e competitivo das jogadoras. Recentemente venceram o Campeonato de Futsal de Fagundes Varela e a Copa das Gurias. “A cobrança é jogo duro, tem que trabalhar firme a parte física, principalmente a parte tática”, explica.

Mas Tatiele não está sozinha, junto com ela existe uma comissão técnica de peso: Suellen Ramos, preparadora física; Felipe Casanova, preparador de goleiras e Carlos Daniel, auxiliar técnico.

O Internacional não está participando do Campeonato Brasileiro, que no feminino é dividido entre séries A1 (série A) e A2 (série B). A meta do time é vencer o Estadual para disputar a série A2 ano que vem.

Time sub-17 feminino do Inter treina na ESEFID.

Meninas da Seleção sub-17 treinando no ESEFID | Foto: Paula Fernandes

Não desistir dos sonhos é o que diz a treinadora para as jogadoras. No Brasil esse caminho não é fácil, a igualdade entre o futebol masculino e feminino está longe de ser alcançada, mas pequenos passos como os do Inter e de outros clubes do país, estão ajudando para que essa diferença diminua ao longo dos anos.

A inclusão de times femininos nos clubes brasileiros

Em 2015, a ex-presidente Dilma Rousseff sancionou a lei de nº 13.155, que se refere ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro – PROFUT, onde os clubes entrariam em acordo com o Governo para quitar suas dívidas com a União. Para que continuassem no programa, os clubes cumpririam algumas condições, entre elas a manutenção de investimento mínimo na formação do futebol feminino.

Além disso, a Conmebol, CBF e Fifa exigiram nesse ano que os clubes que quiserem participar das competições das entidades a partir de 2019, deverão ter um time feminino disputando competições nacionais.