ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Atletas da terceira idade: a prática esportiva no processo de envelhecimento

Jocelias Costa | jocelias78@hotmail.com | Edição: Leonardo Ambrosio | leonardo.ambrosio@outlook.com

Foto: Henrique Hainzenreder/Divulgação PMPA

Muitas pessoas na terceira idade, quando chegam próximo da aposentadoria, buscam uma alternativa para envelhecer com qualidade. Uma das receitas para ter uma vida mais ativa é a prática esportiva. Essa é a filosofia de alguns atletas que praticam esportes no Ginásio Tesourinha.

Os atletas do Ginásio Tesourinha

O Ginásio foi erguido em 1988, homenageando Osmar Fortes Barcellos, mais conhecido como Tesourinha, um grande atacante da dupla Gre-Nal nos anos 40 e 50 e antigo morador do bairro onde está localizado o ginásio no bairro Menino Deus. Hoje, o Ginásio Tesourinha, por meio de ações da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), promove diversas atividades esportivas, como vôlei, basquete, handebol, musculação, futsal e yoga.

Foto: Francielle Caetano/Divulgação PMPA

Um dos responsáveis pela realização dessas tarefas é o professor de Educação Física Tiago Bernardes, que trabalha há dois anos na musculação e no Câmbio – jogo de vôlei adaptado – atendendo três turmas de 12 alunos. O professor destaca que a procura pela prática esportiva existe por conta da necessidade de a pessoa ficar em atividade, por isso eles estão dando muita importância aos exercícios, mas ressalta que o idoso ainda está se acostumando a praticar a musculação.

“A musculação tem uma peculiaridade, pois a questão dos aparelhos que parecem máquinas de tortura assusta um pouco essas pessoas, mas aos poucos isso está mudando”, relatou Tiago.

Outro fator importante para a procura para uma atividade esportiva é o convívio social. Segundo relato do professor, antes de cada atividade os idosos se encontram, e muitas vezes a amizade transcende as dependências do ginásio.

Casal esportivo

Um dos exemplos de atividade e fidelidade ao esporte é o casal Roque e Hélia Gellanti, ambos com 77 anos.

Hélia pratica esportes ativamente há 15 anos, realizando caminhadas e musculação. Gosta muito da convivência com outros atletas e enaltece o fato de não tomar remédio devido a atividade física. “O esporte é importante não só pela estética, mas pela saúde e a convivência com o grupo. E com 77 anos não tomo nenhum remédio, procuro me alimentar bem e pretendo continuar com a atividade física dentro das minhas limitações, mas não pretendo parar”, revelou Hélia.

Já o seu marido, Roque Gellanti, embora aposentado tem uma vida agitada, pois viaja quase que diariamente pelo estado e para Santa Catarina, realizando palestra de formação,  não deixa de praticar esportes. Jogador de futebol de salão até os 47 anos, Roque treina quase que diariamente entre caminhadas de 6 km e musculação. “Se eu levo uma vida intensa eu preciso de uma atividade física”, diz Roque.

Para fugir da rotina e da solidão

Dona Maria Klaik tem 83 anos e é mãe de dois filhos que não gostam de praticar esportes. Mas diferente dos seus herdeiros, ela tem uma vida esportiva agitada. Amante do esporte há cerca de 9 anos, Dona Maria Klaik faz musculação, joga câmbio, pratica caminhadas e Tai Chi Chuan. Ela chega a treinar de 5 a 6 horas diárias, e a aproximação com o esporte começou devido a preocupação com o peso e pelo sentimento de solidão. “Quando não faço exercícios parece que o dia não passa”, destacou Dona Maria.

Já Ledi Spanemberg, 59 anos, aposentada, sempre praticou atividades físicas. Ela lembra dos tempos que se deslocava para o trabalho de bicicleta. Hoje, faz câmbio, musculação, caminhada e faz acompanhamento para pessoas que realizam tratamento para depressão, e afirma que os exercícios são responsáveis pelo fato dela não tomar remédios, e acredita ser importante para manter a mente e o corpo em atividade e não ficar na solidão, pois ficou viúva há nove meses. “A gente não tem tristeza quando fazemos exercícios. O esporte só faz a gente pensar em coisas boas”, disse Dona Ledi.

Apenas 27,6% dos idosos praticam algum tipo de esporte no Brasil

Foto: Henrique Hainzenreder/Divulgação PMPA

Segundo informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, o Brasil tinha 161,8 milhões de pessoas de 15 ou mais anos de idade, das quais 37,9% praticavam alguma atividade física, sendo 27,6% com idade acima de 60 anos. Destes quase 30% de brasileiros, alguns estão em Porto Alegre, que tem cerca de 250 mil idosos residentes, número que vem crescendo nos últimos anos.

Para aumentar o número de praticantes foi apresentado em maio deste ano na Câmara Municipal de Vereadores o Programa Incentivo à Prática de Atividade Física por Pessoas Idosas (Piafi), proposto pelo vereador Aldacir Oliboni, do Partido dos Trabalhadores (PT), que envolve a Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), através do professor Newton Luiz Terra, diretor do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS.

Clarissa Biehl Printes, doutora em ciências aplicadas às atividades físicas e desporto, que participou da apresentação do projeto, explicou que na prática o programa será uma integração entre a prefeitura de Porto Alegre, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), Conselho Municipal do Idoso (COMUI) e a PUCRS, permitindo que tenha um educador físico na Unidade de Saúde, orientando o idoso a fazer uma atividade física.

Clarissa explicou que o programa é autossustentável, captando recursos por meio de pessoas físicas e jurídicas. “É uma proposta que é realizada em alguns países da Europa, ela tem como estratégia econômica de sustentabilidade contar com a contribuição das pessoas físicas e das empresas, através de doações para o Fundo Municipal do Idoso,” ressaltou. O projeto ainda precisa passar pela aprovação da Câmara de Vereadores.

Clarissa Biehl Printes destacou que o esporte ajuda no processo de envelhecimento.“Ele é importante para atenuar o processo natural de envelhecer. Quando tivermos uma conduta de estilo de vida ativo, maior vai ser nossas reservas fisiológicas, e isso nós vamos sentir lá na frente quando precisarmos dessa reserva numa condição de instalação de doença. Elas não se instalam com facilidade e isso tudo com tributo do exercício físico, recuperando as funções orgânicas, fisiológicas e funcionais, também garantindo uma vida bem independente”.