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Robson Conceição, o maior atleta do boxe brasileiro em Jogos Olímpicos

por Ariadne Kramer | ade_ks@hotmail.com | edição de Débora Ramos | debora.indcris@hotmail.com

Robson Conceição na conquista inédita do ouro nos Jogos Olímpicos (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Conhecida como uma das competições mais apaixonantes do mundo, o boxe é uma arte marcial que, ao contrário de outras espécies de luta, utiliza apenas os punhos, seja para defender ou atacar. A modalidade começou a ser praticada na Grécia e em Roma, mas como um desporto violento e desumano, onde os rivais lutavam até a morte.

Depois desse longo período conturbado, a luta popularizou-se na Inglaterra, a partir do séc. XVII, onde os combates começaram a render dinheiro, o que foi o suficiente para surgirem novas técnicas, como a introdução do jogo de pernas e o jogo ofensivo, o que atraiu milhares de novos praticantes. Com toda essa fama e a necessidade de um regulamento, o nobre inglês Marquês de Queensbury criou normas que previam rounds de três minutos, separados por um intervalo de um minuto, além do uso obrigatório das luvas. As regras entraram realmente em vigor a partir de 1872. Chega de mãos nuas e brigas, a coisa ficou séria.

No Brasil, o boxe chegou com os emigrantes alemães e italianos no final do século XIX e início do século XX. Os primeiros combates aqui foram realizados nas docas de Santos e do Rio de Janeiro entre marinheiros europeus.

Mas Robson Conceição não traz essa tradição do berço ou como herança de família. Na verdade, a origem de seu sobrenome é portuguesa e espanhola. No seu sangue corre apenas à vontade de ser o melhor que puder ser. Mesmo assim, podemos bradar com orgulho: é o maior atleta da história do boxe brasileiro em Olimpíadas.

O pugilista quando criança morava com sua mãe e avó no bairro Boa Vista de São Caetano. Sua vontade de lutar não veio dos ringues, ele queria apenas melhorar sua técnica para usá-las nas brigas de rua do Carnaval de Salvador e ser tão bom como seu tio Roberto, famoso por isso. Não foi bem por um “espírito olímpico”, mas o garoto ficou tão bom que ficou conhecido como Terror de Boa Vista.

Só que o Terror de Boa Vista pegou tanto jeito e apreço pelo esporte que acabou se apaixonando. Para poder treinar, percorria 9km a pé, ida e volta, à noite, para encontrar seu primeiro técnico, Lino Brito. Assim, sua rotina era baseada em ajudar na feira da vó, conhecida como banca da Dona Neusa, ir à escola, retornar a barraca para ajudar a desmontar e ir, finalmente, se entregar as regras da arte marcial de punhos.

Antes de poder se dedicar apenas ao boxe, fez bicos. Foi carregador de compras, vendedor de feira, vendedor de picolé na praia, ajudante de pedreiro, vendedor ambulante em sinal de trânsito, entre outros. Tudo em busca do seu sonho de ser convocado para a seleção brasileira. E conseguiu.

O pugilista baiano dominou o francês Sofiane Oumiha e garantiu ouro inédito no boxe nas Olimpíadas. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

O pugilista baiano dominou o francês Sofiane Oumiha e garantiu ouro inédito no boxe nas Olimpíadas (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Aos 19 anos, disputou sua primeira Olimpíada, sendo derrotado logo na estreia. Quatro anos mais tarde, já com medalha de prata no Pan de Guadalajara, no México, participou dos Jogos Olímpicos de Londres de 2012, onde também foi derrotado na sua primeira luta. Mas Robson não desistiu. Dando a volta por cima, foi o primeiro boxeador brasileiro a garantir vaga nas Olimpíadas do Rio, graças à medalha de bronze que conquistou no Mundial de Doha, Catar, no ano passado. Mas o melhor de tudo estava por vir. Em sua última e quarta luta, Robson derrotou o francês Sofiana Oumiha, por decisão unânime, trazendo a conquista do ouro inédita nos Jogos Olímpicos, subindo finalmente ao pódio.

Agora Robson completa o time de boxeadores nacionais com medalhas olímpicas. Ele se junta à Esquiva Falcão, com a prata, e Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo, com o bronze, todas em Londres, em 2012, além de Servílio de Oliveira, no México, em 1968.

PROFISSIONAL

Mesmo que seja um esporte atualmente popular no Brasil, algumas diferenças entre o boxe olímpico e o profissional existem e não são de conhecimento geral. No profissional, uma luta tem de dez a 12 rounds, os juízes avaliam qual lutador é mais contundente em uma luta, mostrando domínio do centro do ringue, golpes, entre outros. Nem sempre o que mais dispara golpes é o vencedor. No olímpico, em que o boxe é considerado amador, são apenas quatro rounds de dois minutos cada e é computado cada golpe encaixado e no final, vence quem tiver mais pontos ou golpes encaixados.

Com 28 anos, Robson agora se prepara para o seu mais novo desafio como profissional. Após 2 meses do ouro nas Olimpíadas do Rio, o pugilista assinou um contrato com a Top Rank, mesma empresa que cuida da carreira de Esquiva Falcão. Sua primeira luta terá como rival o americano James Clyaton Burns e acontecerá em 5 de novembro, no Thomas & Mack Center, em Las Vegas, nos Estados Unidos. A disputa integra o card preliminar da luta principal da noite, que será entre Manny Pacquiao, que está retornando ao boxe após um curto período de aposentadoria, e o americano Jessie Vargas.

Com um futuro promissor à sua frente e muita vontade de vencer, Robson Conceição é visto como um boxeador promissor, que ainda trará muito alegria ao seu país, mas principalmente ao bairro Boa Vista de São Caetano, onde tudo começou.

FONTES CONSULTADAS:

BARSETTI, Silvio. No boxe, Robson Conceição se inspira em Rafaela Silva. Disponível em: https://esportes.terra.com.br/no-boxe-robson-conceicao-se-inspira-em-rafaela-silva,23df59ffc5069b6fb9840e02c6591663b7f4fi5z.html. Acesso em: 24 out. 2016.

IBAHIA, Jornal. Robson Conceição disputará primeira luta como boxeador profissional. http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/robson-conceicao-disputara-primeira-luta-como-boxeador-profissional/?cHash=9d12ee9a60017d3345cd442eeb4ad1d8. Acesso em: 24 out. 2016.

CARTA CAPITAL, Revista. Robson Conceição, das brigas nas ruas ao ouro olímpico. http://www.cartacapital.com.br/sociedade/robson-conceicao-da-briga-nas-ruas-ao-ouro-olimpico. Acesso em: 24 out. 2016.

VEJA, Revista. Robson Conceição vence e garante medalha no boxe. http://veja.abril.com.br/esporte/robson-conceicao-vence-e-garante-medalha-no-boxe/. Acesso em: 24 out. 2016.

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