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Campeão sul-americano de vôlei para surdos, Alexandre Lopes fala sobre as conquistas no esporte

por Júlia Fernandes | julia_fernandesaraujo@outlook.com

Arquivo pessoal/Alexandre Dal Forno Lopes

Alexandre mostra, com orgulho, os troféus conquistados no esporte

Alexandre Dal Forno Lopes, 37 anos, é natural de São Gabriel. Criado pelos tios, ele começou a se interessar por esporte desde muito cedo, quando tinha apenas oito anos de idade. Alexandre nasceu surdo, mas isso não o impediu de ir atrás dos seus sonhos. “Sempre gostei muito de esportes. Mas, como no colégio em que eu estudava não tinha esporte para surdos, comecei a procurar em outros lugares”, afirma o atleta. Ele começou como goleiro em um time amador de futsal de sua cidade natal e, em 2010, entrou para a seleção brasileira dessa modalidade. Alexandre se destacou e chegou a ganhar sete troféus de goleiro menos vazado, além do título da Copa do Brasil em 2011.

O goleiro decidiu abandonar o futsal em 2013, pois o time no qual ele jogava não tinha nenhum tipo de patrocínio. A maioria das viagens e treinos quem bancava eram os próprios atletas. Alexandre acha que os esportes para deficientes auditivos não são muito divulgados na mídia e, por esse motivo, eles acabam não tendo reconhecimento e muito menos patrocínio. “Nós arcávamos com todos tipos de despesas, já que não recebíamos ajuda de ninguém”, relata o atleta. 

Arquivo pessoal/Alexandre Dal Forno Lopes

Colegas de trabalho de Alexandre comemoram a conquista do Campeonato Sul-Americano de 2014

Em 2014 ele entrou para a seleção brasileira de vôlei para surdos, onde também foi destaque. Nesse mesmo ano o time foi campeão sul-americano (na foto de abertura desta entrevista, Alexandre posa com os colegas de equipe e a comissão técnica antes da conquista do título). “Foi uma experiência muito boa. A disputa foi em Caxias do Sul e jogamos com times de outros países. Desta vez tivemos patrocínio, o que tornou tudo mais fácil”, avalia o jogador. O atleta fala também sobre o técnico da seleção, Mário Xandó de Oliveira (o Xandó da seleção vice-campeã olímpica de Los Angeles-1984, o time que ficou conhecido como a Geração de Prata do vôlei brasileiro). “Ele é um técnico muito bom, bastante exigente, mas sempre nos dá muito apoio”, relatou o jogador.

Além de jogar vôlei, Alexandre trabalha como inspetor de qualidade na empresa Souza Cruz. Quando perguntado sobre como é conciliar o trabalho e a vida de atleta, ele respira fundo e pensa por alguns instantes. “Às vezes é difícil. No momento estou de férias do vôlei, mas em junho os treinos voltam a acontecer”, conta o atleta. Os jogadores tem treinos mensais que acontecem em São Paulo e, por isso, às vezes é complicado conciliar as duas atividades.

Júlia Fernandes/UniRitter Esporte

Alexandre já espera, ansioso, pelas SurdOlimpíadas de 2017, na Turquia

Em 2017 acontecem as SurdOlímpiadas, na Turquia, e a seleção brasileira estará presente. Alexandre garante que vai estar lá para representar o país. O jogador afirma estar bastante ansioso com a viagem para um país diferente, ainda mais carregando o nome da seleção, mas está feliz com a oportunidade. Empolgado, ele mostra uma agenda com todas as datas dos jogos e treinos que já estão marcados.

A falta de patrocínio e de reconhecimento não desanimam o atleta. “Eu gosto muito do que eu faço. Eu adoro praticar esportes. Estou sempre na ativa, joguei futsal, agora estou no vôlei, mas já pratiquei também handebol e gosto de correr”, relata. Questionado sobre qual esporte que mais gostou de praticar, Alexandre riu. Disse que não tinha uma resposta, pois todos o ajudaram a superar a deficiência e, por isso, ele é um amante de todos os esportes.

1 Comment on Campeão sul-americano de vôlei para surdos, Alexandre Lopes fala sobre as conquistas no esporte

  1. Henrique Vieira // 17 de abril de 2015 at 16:02 // Responder

    Ótima matéria :D

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