ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Daniele Hypólito: mais que um nome, um ícone da ginástica brasileira

Rafael Costa | rcosta209@gmail.com | edição de Ulisses Miranda | ulisses_mr17@hotmail.com

(Foto: Hector Guerrero/AFP)

A ginástica artística é um dos poucos esportes que definimos e elegemos atletas pelo nome e sobrenome. Quem seria Daiane, se não fosse pelo “dos Santos”? Sabemos quem é a Jade… Barbosa! E a pequena Flávia? Quem? Flávia… Saraiva. E entre todas estas atletas brasileiras, não podemos deixar de destacar e contar a história da Daniele… Hypólito.

Quem é Daniele Hypólito
Filha da dona de casa Geni Matias Hypólito e do motorista Wagner Hypólito, Daniele Matias Hypólito nasceu em 8 de setembro de 1984 no município de Santo André, em São Paulo. Cedo já era fã de ginástica. Inspirada com vídeos de fitas VHS da histórica primeira nota 10 da ginástica artística, Daniele brincava no quintal de casa executando as primeiras estrelinhas, movimentos que um dia lhe consagrariam. As peripécias acrobáticas de Daniele chamaram a atenção de um professor de educação física que era seu vizinho e, sem perder tempo, convidou-a para praticar ginástica artística no SESI da cidade. Mesmo com aparelhos antigos, Daniele passou a treinar regularmente.

Com destaque, mais tarde, Daniele passou a treinar na Yashi, um instituto de ginástica artística de São Paulo. Lá conheceu Georgette Vidor, que tinha ido treinar ginastas em São Paulo devido aos atritos e mal tratamento recebido pelo Clube de Regatas Flamengo. O destino estava unindo a experiência com a revelação. Uma vez que o Flamengo atendeu as reivindicações de Georgette, ela voltou para Rio de Janeiro, levando Daniele Hypólito junto.

Trajetória e consquistas
O Cristo Redentor as recebeu de braços abertos, em 1994. O Flamengo ofereceu moradia, salário e escola para Daniele e os irmãos. Talentosa, aos 12 anos obteve a primeira conquista nacional. Naquele momento, o país via em Daniele Hypólito uma esperança para o Pan de 1995. E a consagração chegou. A conquista de medalha por equipes no solo e barras.

No ano de 1997, aconteceu algo que poderia ser acabado com a carreira de Daniele. No mês de maio, o ônibus que levava a delegação de ginastas do Flamengo do Rio de Janeiro à capital do Paraná, Curitiba, colidiu com um caminhão na Via Dutra. A tragédia resultou em 7 mortos. Daniele ficou ferida, Georgette ficou tetraplégica e sua amiga, Úrsula Flores, em coma.

Daniele não desistiu. Mesmo com o acidente, a perseverança da garota falou mais alto. Em 1998, foi a primeira na categoria solo individual e geral no pan-americano júnior. No mesmo ano, conquistou o décimo quinto lugar na categoria individual e um lugar na American’s Cup.

Daniele durante Rio2016 (Divulgação, Ricardo Bufolin /CBG)

Daniele durante Rio 2016 (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)

Aos 15 anos, em Sidney, disputou sua primeira edição de Olimpíada, em 2000, na cidade de Sidney, Austrália. Chegou a todas as finais que disputou, mas não conquistou nenhuma medalha. Em 2001, Daniele se consagrou como a melhor ginasta do Brasil, conquistando a medalha de prata no Mundial de Gent, Bélgica. Além disso, conquistou também a prata em março daquele mesmo ano, na Copa do Mundo em Paris, França.

Em 2002, após destaque nos jogos Sul-Americanos (onde conquistou cinco medalhas), Daniele conquistou pela segunda vez o Prêmio Brasil Olímpico. Ainda naquele ano, conquistou o quinto lugar na Hungria.

No Pan-Americano de Santo Domingo, República Dominicana, em 2003, Daniele Hypólito conquistou quatro medalhas, uma prata nas paralelas e outra na trave e bronze na geral por equipes e individual. Nos Jogos Olímpicos de Atenas, 2004, chegou ao décimo segundo lugar, superando seu resultado em Sidney.

Daniele Hypólito conectou seu nome à ginástica artística de forma exuberante, coletando medalhas em campeonatos a cada ano, em Pan-Americanos e Copas do Mundo. Junto ao seu irmão, Diego Hypólito, ela superou barreiras, falta de patrocínio e atualmente serve como inspiração para as novas gerações da ginástica artística brasileira.

No Rio de Janeiro, Daniele declarou sua aposentadoria. Assim, não disputará os Jogos Olímpicos de Tóquio, Japão, em 2020. Porém, sua legião de fãs conseguiu convencer a atleta a continuar a sua carreira até o evento, com a perseverança, talento e força que sempre demonstrou.

FONTES CONSULTADAS:

PUREPEOPLE. Biografia. Disponível em: http://www.purepeople.com.br/famosos/daniele-hypolito_p546444. Acesso em: 17 de Out. de 2016.

QUADRO DE MEDALHAS. Daniele Hypólito nos Jogos Olímpicos. Disponível em: http://www.quadrodemedalhas.com/olimpiadas/daniele-hypolito-atleta-brasil-jogos-olimpicos.htm. Acesso em: 18 de Out. de 2016.

Deixe um comentário