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De sem teto a medalhista olímpico: a incrível história de Jimmy Butler

por Renato Kubaszewski | renatokubaszewski@hotmail.com | edição de Ulisses Miranda | ulisses_mr17@hotmail.com

Após conquista do ouro nas Olimpíadas, Butler desfila com a bandeira dos EUA (Foto: Jamie Squire/Getty Images)

Ala-armador do Chicago Bulls e da seleção dos EUA, Jimmy Butler vive sua melhor fase na carreira. O jogador de 27 anos é uma das estrelas da NBA e principal estrela dos Bulls, além de recentemente ter ganho a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. O que poucos sabem é que apesar de brincalhão e sempre bem-humorado, Butler possui uma das histórias de vida mais notáveis e relevantes da NBA. Ele passou por diversas dificuldades em sua infância pobre, no subúrbio de Houston, mas o pior veio quando tinha apenas 13 anos: foi expulso de casa pela sua mãe. E foi através do basquete que Butler conseguiu superar todos os problemas e se tornar o que é hoje.

Jimmy Butler em um jogo contra o Philadelphia 76ers (Foto: Divulgação)

A infância difícil até a universidade

Jimmy Butler nasceu e cresceu no subúrbio de Houston, porém, sua relevante história começa ainda quando ele era um bebê. Logo depois de seu nascimento, o jovem e mais cinco irmãos foram abandonados pelo pai. Criado apenas pela mãe, ele já passava por algumas dificuldades, mas tudo pioraria mais tarde. Quando tinha apenas 13 anos, Butler foi expulso de casa pela mãe. Em uma entrevista dada em 2011, ele conta que as últimas palavras de sua mãe para ele foram: “Não gosto do seu olhar, me lembra o seu pai. Você tem que ir embora”.

E depois disso Jimmy passou a viver nas ruas, dormindo nos sofás das casas dos seus colegas de escola, matando tempo nas quadras de basquete do bairro e comendo qualquer coisa que fosse de graça. Sua meta era sobreviver.

O basquete sempre foi o aliado de Butler, e foi assim que ele conheceu Leslie Jordan. Ele estava numa quadra jogando quando apareceu Leslie e começou a jogar com ele. Os dois rapidamente viraram grandes amigos. Sabendo da situação de Jimmy, Leslie o convidou para passar uns dias na sua casa com seus pais e mais cinco irmãos. No início, os pais de Leslie não conseguiam deixar Butler ficar tantos dias seguidos com eles, pois também tinham uma renda apertada. Poucos meses se passaram e Michelle Lambert (mãe de Leslie) acolheu Butler em sua casa por definitivo, dando uma família nova para o jovem.

Jimmy jogando pela universidade de Marquette, em 2011 (Foto: Divulgação)

Jimmy terminou o ensino médio na escola Tomball. Ele jogava pelo time júnior da escola e, em 2006/07, foi escolhido como jogador mais valioso da sua equipe. Mesmo sendo o destaque, Butler não foi recrutado para nenhuma universidade, então resolveu ir para a Tyler Junior College. Com ótimas partidas, marcando 30/40 pontos e fazendo uma grande temporada, ele recebeu bolsas de faculdades como Marquette, Kentucky, Clemson, Mississippi o Iowa State. Butler não pensava em ser jogador de basquete, pensava na bolsa de melhor ensino para ter um bom emprego no futuro. Assim ele escolheu a universidade de Marquette.

Butler assumiu a titularidade na equipe ainda no primeiro ano e com médias muito boas. Ao total ele jogou duas temporadas em Marquette, sendo nomeado duas vezes para o time do ano e sendo também decisivo para classificar a universidade para a NCAA, principal liga americana de universidades. Ao final da segunda temporada, Butler já despertava interesse de olheiros da NBA como Bulls, Celtics e Clippers.

“Sempre duvidaram de mim. Minha mãe e meus colegas diziam que eu era baixinho e não poderia jogar, mas agora eu tenho a chance de entrar para a NBA. Com isso eles me ensinaram que tudo é possível e, o que mais me motiva, é que duvidem de mim”, disse Butler antes do draft de 2011.

A chegada no Chicago Bulls até o sucesso na NBA

Como escolha número 30 no draft de 2011, a última do round 1, Butler foi selecionado pelo Chicago para vestir a camisa número 21 dos touros. Jimmy realizava um sonho que nunca pensou que chegaria. Butler foi draftado para ser um bom coadjuvante para Derrick Rose, que era atual MVP (melhor jogador da liga) da NBA. Mas com as graves lesões de Rose, que perdeu praticamente três temporadas, Butler foi evoluindo muito rápido e se tornando um dos principais jogadores do Bulls.

“O basquete sempre foi minha tábua de salvação na vida. A única. Na época da faculdade e do colégio, eu jogava porque o basquete me dava bolsa de estudo, comida, academia e moradia. Não sonhava com muito mais do que aquilo. Era, naqueles momentos conturbados, o meu máximo, o maior prêmio que poderia pedir. Eu só queria ter uma bolsa de estudo para ter uma profissão mais adiante”, disse Butler em uma entrevista alguns anos atrás.

Na temporada de 2014/15, foi quando Butler estourou de vez como o principal jogador da equipe. Com um enorme crescimento ano após ano, Butler foi recompensado e, ao final da temporada, ganhou o prêmio MIP (Most Improved Player), dado para o jogador que mais evoluiu de uma temporada para a outra.

Em uma entrevista há algum tempo, Butler foi perguntado em como sua história de vida reflete na quadra.

“Meu passado difícil me fez ficar mais forte. Principalmente no lado mental. Não é qualquer coisa que me abala. Na quadra você me vê como realmente sou fora dela: batalhador, disciplinado e disposto a fazer qualquer coisa para ver meu time vencer”, disse ele.

Butler com Michelle Lambert, sua mãe adotiva, após o draft 2011 (Foto: Divulgação)

Na última temporada da NBA, agora ao lado de Rose, Butler continuou evoluindo ainda mais e até chegou a ser cotado para o prêmio de MVP. Ele não ganhou o prêmio de MVP, mas sua temporada individual foi tão boa que lhe rendeu a primeira convocação para a seleção dos EUA. O ala-armador do Chicago Bulls foi convocado justamente para representar o país nas Olimpíadas do Rio 2016. Embora não tenha sido titular, Jimmy aproveitou seus minutos em quadra e colaborou muito bem para mais um ouro olímpico do Dream Team norte americano.

Em cinco temporadas disputadas pela equipe de Chicago, o camisa 21 foi três vezes nomeado para o time defensivo do ano. Além disto, Butler também foi votado para participar do All-Star Game duas vezes, embora tenha ficado de fora do último devido a uma lesão.

Há algum tempo, Butler falou o que sempre lhe motivou na vida: “Em toda a minha vida, eu sempre tive todos os motivos para falhar. Eu sempre tive tudo para dar errado. Mas foram todos estes motivos que me fizeram dar certo”.

Mesmo sendo um jogador bastante reservado, sem muitos holofotes, Butler tem orgulho de sua história e não hesita em contá-la para quem quiser ouvir. A inspiradora história de vida de Butler fez com que ele crescesse muito como jogador e também como pessoa. Tudo que ele passou, como os problemas e as dificuldades que enfrentou, mas ainda assim mostrando sua força e superação, refletem a grandeza que ele tem.

Prêmios e conquistas na carreira:
Chicago Bulls:
Duas vezes NBA All-Star Game (2014/15 e 2015/16)
Três vezes NBA All-Defensive Team (2013/14, 2014/15 e 2015/16)
NBA Most Improved Player (2014/15)
Seleção dos Estados Unidos:
Medalha de Ouro Rio 2016

FONTES CONSULTADAS:

SANTOS, Luiz Henrique. Conheça a e emocionante história de Jimmy Butler, jogador do Chicago Bulls. Disponível em: http://torcedores.com/noticias/2015/01/conheca-emocionante-historia-de-jimmy-butler-jogador-chicago-bulls Acesso em: 19 out. 2016

MARTÍN, Kiko. Jimmy Butler: de ‘sin techo’ a protegido de Jordan. Disponível em: http://www.elespanol.com/deportes/20160103/91740853_0.html Acesso em: 19 out. 2016.

SCHELL. Jimmy Butler: de vivir en la calle a jugar con los Bulls. Disponível em: http://www.marca.com/2011/06/24/baloncesto/nba/1308916161.html Acesso em: 19 out. 2016.

BALASSIANO, Fábio. Após infância difícil, Butler brilha mas rejeita rótulo de estrela do Bulls. Disponível em: http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2015/02/24/apos-infancia-dificil-butler-brilha-mas-rejeita-rotulo-de-estrela-do-bulls/ Acesso em: 19 out. 2016.

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