ÚLTIMAS NOTÍCIAS

De volta à elite com o Bento Vôlei, Dentinho desabafa: “O Rio Grande do Sul já investiu mais no esporte”

por Eduardo Castilhos | willricheduardo@gmail.com

Mais de três mil pessoas lotaram o Ginásio Municipal de Bento Gonçalves para acompanhar a vitória sobre Foz do Iguaçu, no dia 28 de março, por três sets a zero (25-21, 25-15 e 25-20), que qualificou o Bento Vôlei/Isabela para a divisão principal da Superliga masculina de vôlei. Dias depois, também na Serra, o Bento perdeu o título da competição, em casa, para o Sada Cruzeiro Unifemm (25-20, 24-26, 17-25, 25-17 e 15-13). Apesar da derrota, diante de aproximadamente 4500 torcedores, os jogadores ressaltaram que o principal objetivo da equipe havia sido alcançado: o retorno para a primeira divisão da Superliga, que era objetivo desde 2009, quando o clube participou da elite pela última vez. O UniRitter Esporte conversou com um dos maiores responsáveis pela conquista da vaga, Rafael Luiz Fantin, mais conhecido como Dentinho. Dirigente, ponteiro e capitão do time, ele tem, no currículo, os títulos de campeão da Superliga 2002/2003 pela Ulbra e de melhor atacante da edição 2004/2005.

Alexandre Arruda/CBV/Divulgação

Dirigente e capitão do Bento Vôlei/Isabela, Dentinho já adiantou que na próxima temporada vai atuar apenas em uma das duas funções

Em 2009, o Bento Vôlei encerrou as atividades no vôlei profissional. Em 2013 você assumiu a responsabilidade de trazer uma cidade apaixonada pelo esporte de volta à elite da modalidade no país. E, agora, em 2015, vocês conseguem o acesso para a Superliga. Qual é o seu sentimento em relação à conquista?

O Bento Vôlei se manteve apenas nas categorias de base e com projetos sociais em virtude do recesso de sete anos na Superliga. Essa chama nunca se apagou. Sou natural de Bento e sempre quando vinha pra cá de férias analisava essa condição (de voltar à Superliga). Sempre tive essa vontade de voltar a jogar pelo Bento e, juntando tudo isso, com mais um grupo de apaixonados pelo vôlei, montamos essa nova diretoria para retomar as atividades da equipe principal.

Antes da semifinal contra Foz do Iguaçu, o governador do Estado, José Ivo Sartori, telefonou para você desejando boa sorte no jogo. Ele ligou novamente desejando sorte na final?

Na verdade o governador estava com o deputado Jerônimo Goergen na abertura de uma feira. O governador é aqui da região e o Bento Vôlei está mobilizando a comunidade regional e até estadual. Como temos um canal muito bom com o deputado também, eles aproveitaram e ligaram os dois juntos, para parabenizar pelo trabalho que a gente vem fazendo, dizer que o Rio Grande está torcendo por nós. Então, ele estendeu essa ”boa sorte” para o resto do campeonato também.

Bento Vôlei/Divulgação

Ginásio Municipal de Bento Gonçalves lotou na decisão da Superliga B contra o Sada Cruzeiro Unifemm

Você jogou de 2010 até 2012 no Vôlei Futuro, em Araçatuba, que tinha uma média de público de aproximadamente 3000 pessoas por jogo. A torcida do Bento Vôlei, com uma média de 1600 torcedores por jogo, é mais apaixonada ou tão apaixonada quanto era a torcida de Araçatuba?

É muito semelhante. Araçatuba, em termos de população, é maior que Bento Gonçalves. Vejo que são cidades apaixonadas pelo vôlei, que compraram essa ideia. Levo muito aprendizado daqueles momentos no Vôlei Futuro. O marketing que a diretoria de Araçatuba fazia mobilizava mesmo a cidade. Então acabo trazendo essa experiência para a nossa realidade aqui. É muito parecido, são duas cidades que têm o voleibol no sangue. Tranquilamente posso dizer que o Bento Vôlei, estando em uma Superliga principal, com um time competitivo como era em Araçatuba, nossa média de público será igual ou superior a que tinha o Vôlei Futuro.

Com o time que o técnico Fernando Rabelo tem disponível, é possível chegar aos playoffs da Superliga 2015/2016 ou contratações deverão ser realizadas?

Nosso plantel é bastante qualificado, teria condições. Precisaríamos ter contratações pontuais para que chegássemos aos playoffs da Superliga A com condições reais de título. Precisaria dar um incremento em relação ao grupo. Até porque nós sabemos que existem jogadores que estão aqui e foram valorizados. Receberam propostas de outros clubes e dificilmente vão ficar.

Como quem, por exemplo?

Prefiro não entrar nestes méritos, mas existem jogadores que já receberam sondagens de equipes de fora do país. Não quero citar para não causar nenhum tipo de situação constrangedora para eles. O grupo valorizou, é automático e normal que aconteça. Acabamos perdendo algumas peças pela valorização pessoal, por outro lado, acabamos abrindo possibilidades para trazer outros jogadores, aumentar o plantel e fortificar o grupo. Creio que isso seja uma seleção natural.

Bento Vôlei/Divulgação

Jogadores comemoram a conquista do vice-campeonato da Superliga B e a vaga para a elite do maior torneio de vôlei do país

Em entrevista ao jornal Metro você declarou que na Superliga A será preciso focar ‘’só dentro ou só fora’’ das quadras. Em qual das duas áreas você irá focar na próxima temporada?

No primeiro ano da Superliga B fiz muito as duas funções, dentro e fora de quadra. Nós vimos que não deu certo. Este ano, por alguns momentos, dei prioridade mais para um setor (dentro ou fora de quadra), pela necessidade, mas acabou sobrecarregando o resto do administrativo e diretoria. Já temos ciência que para a Superliga A a demanda é muito maior. Terei que ficar só dentro de quadra ou só fora de quadra. Mas, sinceramente, não pensei ainda qual que vai ser o setor que iria atuar.

Desde 2009 o vôlei gaúcho não tinha três participantes na Superliga masculina. Tendo em vista que o Rio Grande do Sul sempre foi um grande formador de atletas, qual a importância desta boa fase do vôlei estadual e qual é o reflexo que isso pode ter nas próximas gerações?

O Rio Grande do Sul passou por alguns momentos delicados por conta de investimento. O que começou a viabilizar esse retorno foram os projetos incentivados pelo governo do Estado (como o Pró-Esporte/RS). Infelizmente, o governador do Estado suspendeu por 180 dias esse projeto. Pedi particularmente para que o governador revisse isso o mais rápido possível, pois não só o Bento Vôlei mas como o Voleisul/Paquetá Esportes (Novo Hamburgo) e o Vôlei Canoas (Canoas) têm a sua existência diretamente ligada a esse projeto. Assim como o governador ligou desejando boa sorte, deixei esse recado para ele como uma forma de continuidade. Junto com isso outros motivos vieram a valorizar o esporte no estado. A volta de Gustavo Endres, Tiago Peper (diretor executivo da equipe Voleisul/Paquetá Esportes)… jogadores que tiveram vasta experiência dentro de quadra e levam esse conhecimento para fora de quadra. Esse somatório foi o principal motivo. Porém, o Rio Grande do Sul já investiu mais no esporte, somos reconhecidos no Brasil inteiro como celeiro de atletas de vôlei. Nos últimos anos, não vínhamos formando mais tanto quanto antes. Temos que tratar isso com mais carinho. O esporte ultrapassa a esfera da competição, é educação, é saúde. Ele acaba tendo outros poderes de abrangência.

O Bento Vôlei tem um projeto social que atende oitocentas crianças e outras duzentas na base. Como funciona esse projeto e quais serão os frutos deste investimento no futuro?

A filosofia do Bento Vôlei é em forma de pirâmide. Na base tem o projeto social com mais de oitocentas subsidiadas por incentivos federais. As categorias de base são o centro da pirâmide, duzentas crianças do mini-mirim ao infanto-juvenil. A ponta da pirâmide são as categorias adultas. Que, em virtude da maior exposição, divulgam o nome dos patrocinadores. O projeto social é de suma importância para esse desenvolvimento. A criança deve, desde cedo, aprender a viver em um mundo competitivo.

Bento Vôlei/Divulgação

Fabiano Bittar, o Tuba, é um dos principais atacantes do Bento Vôlei

Em 2012, em entrevista ao jornal Serra Nossa, você declarou que, no futuro, de alguma forma que ainda não sabia como seria, iria ajudar o Bento Vôlei. Em virtude disso, qual o reconhecimento que você tem em Bento Gonçalves?

É muito mais uma retribuição e não uma ajuda. O Bento Vôlei fez muito por mim e a cidade inteira reconhece isso. Todos nós abdicamos de momentos de lazer para a melhoria do Bento Vôlei. A cidade entende isso e sempre nos ajuda lotando o ginásio nos jogos.

O que é mais difícil: lidar com toda a burocracia que existe sendo dirigente ou pegar o Tuba, um dos melhores atacantes do time, no bloqueio?
(risos) Pensava que pegar o Tuba no bloqueio era complicado, mas ir em busca de patrocínios, atrás de investimentos e lidar com burocracias é muito mais difícil que bloquear o Tuba ou passar por um bloqueio triplo.

Deixe um comentário