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Lucarelli, o principal nome da nova geração do vôlei

por Larissa Zarpelon | larissazarpelon17@gmail.com | edição de Débora Ramos | debora.indcris@hotmail.com

Lucarelli já chegou a ser negociado em troca de 250 bolas (Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images)

Lucarelli chegou ao Rio de Janeiro para a sua primeira Olimpíada. Apesar de estreante, ele teve uma grande responsabilidade no time do Brasil. Ele é considerado hoje o principal atleta da equipe brasileira. E, essa história, que terminou em medalha de ouro no peito no fim de agosto, fez muitas curvas até o atleta chegar ao vôlei.

Antes de fazer sucesso no esporte, o menino hiperativo e alegre deu trabalho para os pais, Ricardo e Rosa. Os dois decidiram colocar o filho para praticar algum esporte para ocupar o tempo vago que ele tinha. Lucarelli fez a escolha: futebol. Logo depois, quis muda. Passou pelo basquete, handebol e natação e, às vezes, treinava mais de um esporte ao mesmo tempo. O vôlei foi a quinta modalidade que ele tentou como brincadeira para acompanhar a irmã mais velha, Rafaelli. Na época, Lucarelli só brincava no Grêmio Tutão, o projeto social que duas vezes por semana oferece aulas de vôlei gratuitas nas quadras da Praça da Glória em Contagem-MG. O treinador, Tutão, achava que ele poderia ir mais longe. Neste momento, o pai Ricardo Souza falou que ou ele aceitava jogar sério ou não iria mais levá-lo na quadra para brincar.

Lucarelli então aceitou levar a sério o vôlei. Começou a fazer aulas e conhecer novos amigos até que apareceu um time maior de Contagem, o Méritos. O técnico do Méritos foi ver um dos treinos para ver se podia levar algum jogador para o clube e Lucarelli chamou atenção.

Foi aí que o jogo emocional do pai apareceu. Lucarelli, na época, não queria transferir-se para um clube com medo de assumir uma responsabilidade de jogar em um time maior. Ricardo Souza, então, resolveu conversar com o filho. A missão era fazer com que Lucarelli acreditasse em si mesmo. Só faltava um empurrão para que ele parasse de “tremer na base” e fosse jogar.

No clube amador Méritos, o nível era outro. Mas mesmo assim, Lucarelli chegou bem abaixo e coube a Geraldo, treinador do clube, assumir o dever de ensiná-lo a jogar e a desenvolver todos os fundamentos. O tempo passou e o menino que levava o esporte como brincadeira começou a se destacar nos campeonatos estaduais.

Não demorou muito para o Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte, fazer uma proposta. Mas apareceu o mesmo problema de antes: Lucarelli não queria sair do Méritos e ir para o Minas. Novamente o “jogo” do pai teve que aparecer. Ricardo explicou ao filho que ele não podia mais continuar no clube amador e que ele precisava evoluir. Era chegada a hora de partir para um desafio maior. Lucarelli, então, aceitou a proposta. Só que Geraldo não aceitava porque tinha lapidado o menino e queria uma compensação. A compensação veio com 250 bolas de vôlei.
No Minas, o crescimento foi meteórico. E só assim ele realmente entendeu que já não era mais brincadeira e que podia ser profissão.

Em 2010, Lucarelli era o sexto ponteiro do Minas e, já no ano seguinte, tornou-se titular e eleito o melhor atacante da SuperLiga. Em 2012, veio a primeira convocação para a Seleção Brasileira. Com apenas 19 anos, transformou-se no atleta mais jovem a vestir a camisa do Brasil. Lucarelli, na época, foi pré-convocado para os Jogos Olímpicos de Londres, mas acabou ficando de fora da lista final. Mesmo assim, o técnico Bernardinho o convidou para ficar com a delegação para fazer parte do elenco na preparação. A prata em 2012 foi o ponto de partida para uma renovação na Seleção, e Lucarelli é o maior símbolo dessa nova geração.

Lucarelli disputa a sua primeira Olimpíada (Foto: Divulgação FIVB)

Lucarelli disputa a sua primeira Olimpíada (Foto: FIVB/Divulgação)

O geralmente nervoso Bernardinho teve a calma necessária para preparar esse caminho. O desafio traçado era ousado. O técnico queria fazer daquele rapaz um dos pilares do ciclo olímpico de 2016. O peso a carregar não era dos mais fáceis. Não havia mais Giba e o candidato imediato a tentar ocupar aquele espaço não teve outra saída senão aceitar o desafio.

Na primeira partida da Liga Mundial de 2013, Lucarelli saiu como titular e deu conta do recado. Mas havia mais estrada para percorrer. Para atender às expectativas do técnico, passou a aceitar algumas sugestões. Não bastava só aprimorar ainda mais os fundamentos. Seria preciso uma reeducação alimentar.

O cardápio passou a ter menos fritura e o refrigerante foi praticamente deixado de lado. As saladas passaram a fazer parte dos pratos todos os dias e frutas também foram integradas. Combinado a isso, um trabalho físico foi intensificado para evitar lesões e raramente ficou de fora de um treino ou de um jogo por conta de um problema dessa ordem. A evolução dentro de quadra veio junto.

O desafio deu certo. Autor de 93 pontos nos Jogos Olímpicos, eleito o quinto melhor saque da competição e o melhor ponta dos jogos, Lucarelli jogou as partidas decisivas no sacrifício. No jogo contra a Argentina, nas quartas de final, sentiu o posterior da coxa direita e teve que passar por tratamento para poder voltar a jogar contra a Rússia pela semifinal da competição. Após ver o sacrifício feito por Lucarelli, o técnico da Seleção Brasileira, Bernardinho, diz que ele deve ser a grande referência a comandar o Brasil a partir de 2017.

Lucarelli, que por tantas vezes relutou em levar o vôlei a sério, hoje percebe que deu certo todo o esforço da família para que ele se tornasse um profissional. O jogo emocional do pai para que ele seguisse em frente transformou o menino hiperativo em um atleta calmo e concentrado, que consegue manter a tranquilidade, especialmente naquele momento decisivo, em que a bola sai da mão do levantador, viaja pelo ar e vai até a mão dele, onde decide, em uma fração de segundos, como colocá-la no chão.

FONTES CONSULTADAS:

ROCHA, Danielle. Lucarelli muda dieta, evolui em fundamentos e voa em 2016. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/volei/noticia/2016/08/lucarelli-muda-dieta-evolui-em-fundamentos-e-voa-em-2016.html. Acesso em:  30 de ago. 2016.

CARNEIRO, Leandro. Principal nome do Brasil, Lucarelli já foi “trocado” por 250 bolas de vôlei. Disponível em: http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/07/27/lucarelli-ja-custou-250-bolas-e-so-seguiu-no-volei-apos-pressao-do-pai.htm. Acesso em: 29 de ago. 2016.

UOL. Bernardinho vê Lucarelli líder em 2017 e elogia sacrifício: “É referência”. Disponível em: http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/20/bernardinho-ve-lucarelli-lider-em-2017-e-elogia-sacrificio-e-referencia.htm. Acesso em: 27 de ago. 2016.

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