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Do esporte ao empreendedorismo: a trajetória da jornalista Eduarda Streb

por Cinthya Py e Sharon Nunes | pycinthya@gmail.com e sharonnunes_s2@hotmail.com

Natural de Porto Alegre, Eduarda Streb, a Duda, se formou em Jornalismo em 1994 na PUCRS. Iniciou a carreira como diagramadora da Zero Hora e, mais tarde, entrou na RBS TV. Foi repórter e apresentadora dos programas Lance Final, RBS Esporte e Globo Esporte. Trabalhou na Rede Globo produzindo matérias para os principais telejornais da emissora e, de 2009 a 2012, atuou na SporTV, no Rio de Janeiro. Ao longo da carreira Duda cobriu eventos marcantes como os Jogos Olímpicos de Pequim-2008 e a Copa do Mundo de 2014, além de ter se arriscado em outras áreas (ao lado da jornalista Rafaela Meditsch escreveu Que Lance!, a biografia do ex-narrador Celestino Valenzuela). Em 2010 teve a filha Luiza, hoje com cinco anos. E, em setembro de 2015, Duda deixou a RBS TV para dedicar mais tempo à família e a projetos pessoais. Nesta entrevista ela nos fala sobre a carreira, as realizações e o seu novo momento profissional. Com vocês, Duda Streb!

Como foi fazer a cobertura da Copa 2014? O que te marcou mais? Foi tua primeira cobertura?
Foi a realização de um sonho. Em 2010, eu estava escalada para fazer a cobertura do Mundial na África do Sul, mas engravidei. E tive que adiar este que era o meu maior objetivo, já que eu já tinha trabalhado nas Olimpíadas, na China. O mais incrível foi estar entre as maiores seleções do mundo. Entrevistar os principais jogadores do mundo. Nada é igual. A festa das torcidas em POA também foi show. Conhecer e conviver com diferentes culturas sempre é um aprendizado incrível.

Arquivo pessoal

Duda em 2008, na cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim

De todas as tuas coberturas e reportagens, tem alguma que tu tenhas um carinho especial?
Difícil falar de uma reportagem, entre tantas. Mas a estreia do Pato no Milan foi especial. Viajamos com a família dele de POA até a Itália. Acompanhamos o treino no Milan, que na época tinha Kaká, Emerson, Ronaldo Fenômeno, e como dirigente o Leonardo – ex-jogador da seleção brasileira. Foi demais!! Pra completar, fomos com o time todo no mesmo avião pra Ucrânia pra fazer um amistoso contra o Dínamo de Kiev. E tudo batalhado por mim. Eu mal podia acreditar que estava lá!

Na época da morte do Fernandão, você apresentava o RBS Esporte, que era gravado. Como foi derrubar o programa que já estava pronto e dar aquela notícia?
Foi tenso. Difícil. Era minha folga. Me acordaram dizendo que o Fernandão tinha morrido, que era pra eu ir pra TV. Eu não acreditava. Não podia ser verdade. Ele, com 30 e poucos anos. O RBS Esporte estava gravado. Não tínhamos equipe de plantão, então saímos atrás de toda a estrutura pra fazer pelo menos parte do programa ao vivo – pra poder dar a notícia que comoveria a todos. Foi uma correria e uma tristeza. Conseguimos executar. No último bloco, no susto. Quando terminou o programa, chorei no estúdio.

Na transmissão de um jogo, como é sentir o calor da torcida?
Depende. Quando o barulho é muito grande, às vezes a gente não consegue ouvir direito a narração, os detalhes no fone que usam, e pior, as instruções dos coordenadores. Mas sentir o calor da galera que não para de cantar , que torce sem parar, é lindo demais! Muitas vezes, emociona.

Como foi tomar a decisão de sair da TV? Quanto tempo tu levaste para decidir?
Nem sei bem como foi. Parece que as coisas foram clareando na minha frente. O fato de completar 20 anos de TV mexeu comigo. Me perguntava o que mais eu iria fazer ? Já sonhei tanto, corri atrás e realizei tantas coisas, que não poderia me acomodar com qualquer coisa. Preciso de desafios que me movam, novidades. Foi assim com o Lance Final, foi assim com o RBS Esporte, e de volta ao Globo Esporte, recentemente. Assim como um jogador de futebol, um atleta do vôlei ou do basquete, a gente também tem que saber a hora de parar. E acho que escolhi a hora perfeita!

Já deu para sentir falta? Como foi acordar e saber que não tinha mais aquela correria?
Ainda não deu tempo. Porque tenho recebido muitas mensagens, tenho dado muitas entrevistas. Ainda não me afastei definitivamente e com a correria do novo trabalho, nem deu pra pensar muito nisso. Mas certamente sentirei saudades…

Divulgação

Em 2014 Duda assumiu a apresentação do RBS Esporte e conduziu reportagens e entrevistas marcantes. Uma delas foi com o ex-jogador de vôlei Gustavo Endres relembrando a conquista do ouro em Atenas-2004.

Qual foi a reação da Luiza quando tu contaste?
Ela não entendeu muito. Como assim mamãe saiu da TV? Como alguém “sai” da TV ??? Até que ela disse, ah mãe! Agora tu é chefe do teu trabalho?! E assim, passamos a curtir mais o tempo livre, que ainda foi pouco, mas estamos aproveitando feriados e finais de semana que não passávamos juntas.

Já conseguiste organizar uma nova rotina, vais abrir um escritório?
Rotina não é comigo.E nem poderia ser, né? Depois de 20 anos como repórter, na rua, em casa, sempre ligada nas notícias, a gente fica meio solta. Mas o bom é que agora eu faço a minha agenda. Corro pra um lado e pro outro o dia todo, mas a hora de pegar a Luiza na escola, de levar no ballet, essas partes eu não abro mão. Não mais.

Arquivo pessoal

Entre 2009 e 2012 Duda trabalhou na SporTV, no Rio de Janeiro, ao lado de profissionais como o narrador Milton Leite

Que tipo de público tu vais assessorar?
Por enquanto, estou na área de geral – com lojas de shopping, produtos e serviços.E com um jogador, o Marcelo Moreno que está atuando na China. O povo do esporte começou a me procurar. Acho que vai ser um processo natural pegar mais e mais clientes da minha área. Também estou apresentando muitos eventos.

Olimpíadas Rio 2016. O que tu sentes quando lê isso? Não da vontade de voltar só para fazer a cobertura?
(Risos) Sinceramente, agora, não sinto nada. Acho que passou. Estive em Pequim, 2008, foi maravilhoso! Estive na cobertura de Jogos Olímpicos, e ainda num país como a China, com tantas descobertas. Me sinto completa.

Como foi a tua ida para o Rio de Janeiro? O que a Duda aprendeu lá?
Aprendi demais, viajei demais. Tive algumas das melhores oportunidades no jornalismo esportivo. Fiz reportagens especiais nos Emirados Árabes, na Dinamarca, em Portugal, no Chile, de tudo que era esporte. Apresentei jornal em rede nacional. E aprendi a lidar com um mercado mais competitivo do que o nosso.

Quando tu saíste da faculdade tu ganhaste algum conselho de jornalistas experientes? Qual e de quem?
Eu tive muitos professores que eram da área. Trabalhavam na TV e nos passavam à experiência deles – Flavio Porcello, Ivani Schutz, entre outros. É super importante porque aproximam a teoria da prática.

Qual conselho tu gostarias de ter recebido? E qual conselho tu dás?
Não sou muito de esperar conselhos. Sou de colocar a mão na massa. E digo o mesmo. Que os meus futuros colegas sejam inquietos, encarem as oportunidades, por menores que pareçam. O jornal de bairro, de hoje, pode ser a ZH de amanhã. Temos que tentar, conhecer processos e pessoas. Isso nos dá bagagem para buscar um espaço nesse concorrido mercado. Aconselho a ficar de olho no on-line. Muito de olho.

Arquivo pessoal

Empreendedora, Duda saiu da RBS TV em setembro de 2015 para atuar na assessoria de imprensa e na apresentação de eventos

A Duda já se arrependeu de ter escolhido o jornalismo?
Nuncaaaaaa!! Tive minhas maiores alegrias como jornalista. E ainda terei outras, agora em nova área.

O que esperar da Eduarda em 2016?
Duda repaginada. Apresentando eventos e cuidando de meus clientes ! Mas a Duda de 2016 será como a de 95 que começou a carreira apaixonada pelo que fazia. A paixão pelo nosso trabalho não pode morrer jamais.

Conta um pouco do teu curso. Vai ser só esportivo (TV, redação)?
Ainda estamos elaborando. E vocês podem ajudar. O que gostariam de ver e saber ? Pensamos em contar um pouco da minha trajetória (afinal eu respondo pra muuuitos estudantes), poder passar minha experiência pra galera. De repente um módulo de reportagem e outro de apresentação no estúdio. Sem esquecer da aula prática, com algumas dicas pra quem está começando. O que vocês acham?

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