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“É um momento em que as grandes empresas estão em crise”, afirma Nando Gross

por Luciana Ritta e Carlos Lacerda | lunapaz@ibest.com.br e carlos.lacerda03@gmail.com

No rádio desde 1985, Nando Gross é considerado um expoente do jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul. O interesse pela profissão veio desde criança, quando ele andava de um lado para o outro sempre com um rádio a tiracolo. O começo da carreira profissional foi por meio de um projeto conduzido por Pedro Ernesto Denardin, Sérgio Endler e Marcelo Fernandes, em 1985, com a terceirização do setor de esportes da Rádio Difusora. O primeiro contato com o microfone foi no final da década de 80, quando Ênio Mello criou um programa de automobilismo e colocou Nando para produzir e apresentar. Ele ficou na Difusora até 1989, quando o departamento de esportes da emissora fechou. Em 1995, Nando deixou a Gaúcha e voltou à Difusora, que já se chamava Bandeirantes. O sucesso do seu programa na Band foi tão grande que ele começou a “incomodar” a concorrência e, em 2001, foi chamado de volta à Rádio Gaúcha. Após se consolidar como um dos grandes nomes da comunicação, Nando resolveu deixar o Grupo RBS, em abril de 2014, para assumir a gerência geral da Rádio Guaíba e enfrentar o maior desafio da carreira. Além de jornalista, Nando também é vocalista da banda Altofalantes. Em entrevista ao Uniritter Esporte, ele falou sobre o atual momento do jornalismo e os seus desafios no comando da Guaíba, uma das emissoras mais tradicionais do Rio Grande do Sul.

Como você avalia o atual momento do jornalismo?

É um momento em que as grandes empresas estão em crise, especialmente os jornais, que estão demitindo diversos funcionários. Há uma crise no setor. Porém existe um novo cenário para os jornalistas, um profissional que pode ser empreendedor, que pode criar o próprio negócio e lucrar com ele. Já para os jornalistas tradicionais o momento está muito difícil.

Arquivo pessoal/Nando Gross

Um dos principais nomes do jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul, Nando Gross trocou a Rádio Gaúcha pela Guaíba em abril de 2014

As redes sociais se tornaram as maiores vilãs do jornalismo?
Acho que não, pelo contrário, elas abrem novas possibilidades. O público se informa pelos grandes jornais, mesmo que virtualmente. É no que as pessoas confiam mais.

Você se considera um visionário?
Me considero sim, na verdade sou um sonhador. Não gosto muito de discurso pessimista. Muita gente reclama da rotina do profissional. Temos que criar uma nova visão do jornalista, ainda temos a síndrome do coitadismo. A faculdade tem que mostrar aos estudantes as novas ferramentas, como criar seu próprio negócio, mostrar uma outra visão para os profissionais que estão chegando ao mercado. É importante saber também no que somos bons, a partir daí explorar o tema.

O que motivou você a trocar a Rádio Gaúcha pela Guaíba?
A vontade de empreender. A RBS é uma grande empresa, que sempre me deu espaço. Eu sempre tinha opinião e dava sugestões e, às vezes, eu era tratado como metido. Porém eu sempre gosto de participar dos projetos, tenho que saber onde vou me meter. Me considero um inquieto no segmento. Queria participar das tomadas de decisões e lá não tinha essa liberdade.

 “A faculdade tem que mostrar aos estudantes as novas ferramentas, como criar seu próprio negócio, mostrar uma outra visão para os profissionais que estão chegando ao mercado.”

Qual é o seu maior desafio no Grupo Record?
É enfrentar a RBS. A empresa é boa, porém ela tem dificuldade de conviver com os adversários, eu tenho que conseguir terminar com isso mostrando que a Record é forte, até mesmo para atrair o mercado publicitário. Meu desafio é mostrar a eles que tem algo novo no ar.

Qual a principal diferença entre as rádios que você trabalhou?
A principal diferença é que a Gaúcha tem uma estrutura muito forte, se contrata um cara preguiçoso ele vai trabalhar, pois é tudo muito movimentado. A Guaíba vem de três diferentes gestões, o Grupo Record era focado apenas na televisão, agora que estamos dando um ânimo para o pessoal. Existia sempre o conceito de que se não está na RBS o cara não é bom, e isso estou tentando mudar. A principal mudança é que estamos indo para local do evento. Já na Band o problema é que quem manda está em São Paulo, ocasionando a terceirização.

Arquivo pessoal/Nando Gross

Além de comandar a Rádio Guaíba, Nando faz participações na TV Record e escreve uma coluna no Correio do Povo

Você acha que o jornalismo está investindo mais em estagiários?
Oportunidade para estágio nada mais é que uma tática de redução econômica, isso precisa ser regulamentado. Aqui na Guaíba eu trabalho com apenas dois estagiários. O estágio é importante, porém tem que ser bem regulamentado. A única maneira de valorizar o jornalismo é aprovar a lei da obrigatoriedade do diploma para a profissão.

Qual o segmento do jornalismo mais difícil de atuar?
Cada um tem seu atalho, sua maneira. Hoje precisamos de jornalistas que saibam ser especialistas em um determinado assunto, ao mesmo tempo que tenham um domínio geral de diversos assuntos. Ainda acho que o maior desafio é para o profissional que faz o jornalismo investigativo, ele sofre com ameaças, tem que saber segurar a notícia.

Como você caracteriza o atual ouvinte de rádio?
Exigente, participativo. Hoje todo o ouvinte quer participar, dar sua opinião. É preciso lidar com essa pressão.

Você acha que o novo jornalismo está pedindo uma dose de humor?
Não acho. A piadinha em tudo que é matéria é muito chato. Quando aparece uma notícia de superação e depois volta para os apresentadores que acabam fazendo piadinha, isso é muito chato. Estão confundindo o cara ser descontraído com ser humorista.

“Estão confundindo o cara ser descontraído com ser humorista.”

Você trocaria sua carreira de jornalista para seguir na carreira de músico?
Não. Porém, antes de ser jornalista, queria ser popstar. Mas aquilo que te falei no início, o cara tem que saber o que é bom. Como músico eu não ganhei dinheiro. Então resolvi optar pelo jornalismo.

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