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Egito não é só pirâmide, é vôlei de praia também

por Gabriel Alves | gabrieldogenoma@hotmail.com | edição de Ulisses Miranda | ulisses_mr17@hotmail.com

Viktoria Orsi Toth e Nada Meawad em disputa. (Foto: Divulgação)

No dia 7 de agosto de 2016, o mundo viu uma quebra de barreiras. Um grande marco nos Jogos Olímpicos. Uma vitória de Doaa Elghobash e Nada Meawad que, pela primeira vez, classificaram o Egito para uma Olimpíada na modalidade do vôlei de praia.

Com trajes totalmente diferentes do que estamos acostumados a ver, vestidas de calças e camisas de mangas compridas, uma delas com véu, o hijab, as duas chamaram a atenção de todos. A imagem de Doaa disputando a bola com a alemã Kira Walkenhorst correu o mundo. Para Doaa as vestimentas não atrapalham, incluindo o véu, que sua companheira dispensou. Aliás, Nada costuma jogar de biquíni, mas usou calças porque as duas atletas têm de usar o mesmo tipo de equipamento. Apesar de ambas serem muçulmanas, as parceiras são de linhas diferentes do Islamismo, onde a mulher não pode usar roupas que revelam o corpo.

A palavra “hijab” vem do árabe “hajaba” e significa ocultar do olhar, ou esconder. No contexto atual, hijab é a modéstia cobrindo a muçulmana. As mulheres muçulmanas estão sujeitas a um grande número de restrições, como usar roupas que cobrem todo o corpo, não viajar sozinha e nem dirigir. O Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, diz que elas devem cobrir o corpo sempre que estiverem fora do ambiente familiar. A determinação não especifica as partes do corpo, mas a maioria cobre até a cabeça deixando apenas os olhos de fora. Alguns países não tão rígidos permitem o uso de um lenço sobre os cabelos. Doaa, que se tornou uma inspiração para as mulheres muçulmanas, especialmente aquelas que querem praticar esportes, tem usado seu hijab por 10 anos.

Doaa Elghobash (Foto: Divulgação/Rio 2016)

Doaa Elghobash (Foto: Divulgação/Rio 2016)

Em 2012, quando Londres foi a sede dos jogos, três países muçulmanos autorizaram a participação de atletas femininas pela primeira vez nas Olimpíadas. No mesmo ano, a FIFA retirou a proibição do hijab, o traje feminino muçulmano, dos jogos oficiais.

A dupla joga vôlei de praia há apenas um ano e meio, o que pode ter atrapalhado o desempenho delas no Rio 2016. Doaa Elghobashy e Nada Meawad não ganharam uma medalha olímpica e foram eliminadas no jogo contra a dupla canadense, Jamie Broder e Kristina Valjas. Porém, sem dúvida a sua participação nos jogos já foi uma grande conquista.

Quebra de paradigmas

Estar nos Jogos Olímpicos já é, por si só, algo memorável, certo? Participar da disputa, pela primeira vez, se torna inesquecível, não é? Esse é o grande feito de Doaa Elghobashy e Nada Meawad. Mas não é só isso. É algo ainda mais marcante. Não só pela calça e o véu, mas sim por serem mulheres. Também por serem muçulmanas. A delegação egípcia estava composta por 123 atletas e 37 são mulheres – apenas 30%.

As mulheres são subjugadas no país. No que se refere ao trabalho, por exemplo, precisam pedir autorização de seus maridos. Além disso, dependendo da linha que se segue, obedecem a rígidos códigos de vestimenta, o que, para países não islâmicos, pode ser visto como um símbolo de opressão. No vôlei de praia, as duas atletas chamaram a atenção na Praia de Copacabana.

Jogadoras de quadra

Doaa Elgobashy na conquista da vaga olímpica para o Egito (Foto DivulgaçãoCAVB)

Doaa Elgobashy na conquista da vaga olímpica para o Egito. (Foto Divulgação/CAVB)

Além de toda a questão da posição inferior da mulher islâmica e na participação, ainda que tímida, nos esportes, Doaa e Nada até pouco tempo nunca tinham jogado vôlei de praia. A primeira está na modalidade há um ano e meio e foi uma das responsáveis pela classificação egípcia através da Copa Continental da África.

 

Com esse título, ela se tornou a primeira mulher, ao lado de Lames Nossier, a conquistar uma medalha de ouro em um torneio internacional nessa modalidade para o país. Nada, por sua vez, joga há apenas três meses. O país já estava classificado para a Olimpíada do Rio de Janeiro quando ela fez a transição para as areias. Ela, aliás, nem se considera profissional no vôlei de praia. Após os Jogos, não sabe dizer se continuará jogando a modalidade ou se voltará para as quadras.

 

FONTES CONSULTADAS: 

Rio 2016. Doaa Elghobashy. Disponível em: http://rio2016.fivb.com/en/beachvolleyball/women/teams/911888-elghobashy-nada/doaa-elghobashy?id=151097. Acesso em: 12 de out. de 2016.

SIMS, Alexandra. Rio 2016: Wearing a Hijab ‘won’t keep’ Egyptian volleyball player Doaa Elghobashy ‘away’ from sport. Disponível em: http://www.independent.co.uk/news/people/rio-2016-wearing-a-hijab-wont-keep-egyptian-volleyball-player-doaa-elghobashy-away-from-sport-a7180636.html. Acesso em: 12 de out. 2016.

FAWAZ, Rawda. What Olympian Hijabis Like Doaa El Ghobashy Mean To Me As A Muslim Woman. Disponível em: https://www.bustle.com/articles/178053-what-olympian-hijabis-like-doaa-el-ghobashy-mean-to-me-as-a-muslim-woman. Acesso em: 12 de out. 2016.

GOLEN, Jimmy. Egyptian beach player: Hijab won’t keep me from sport. Disponível em: http://bigstory.ap.org/article/4b68785dcb7a4170977d14da9f45bbdf/egyptian-beach-player-hijab-wont-keep-me-sport. Acesso em: 12 de out. 2016.

WIKIPÉDIA. Doaa Elghobashy. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Doaa_Elghobashy. Acesso em: 12 de out. 2016.

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