ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Ensinamentos do jiu-jitsu vão muito além dos tatames

por Rafaela Amaral |rafaela.amaralcosta@gmail.com

Quando questionado sobre a maior dificuldade enfrentada ao iniciar a prática do jiu-jitsu, Jeffrey Araújo, 20 anos, afirma: criar um estilo próprio dentro dos limites de seu corpo. Ele integra a Union World Team, academia fundada pelo mestre Ricardo Murgel e atualmente comandada pelo mestre Taylor Finato, que realiza treinos por toda a Região Carbonífera, incluindo Minas do Leão, cidade onde Jeffrey cresceu. Mesmo morando em Porto Alegre, o atleta retorna para o interior nos fins de semana e nunca perde o ritmo dos treinamentos.

Arquivo Pessoal

Para Jeffrey, sempre há algo novo para se aprender no jiu-jitsu

O jiu-jitsu é uma arte marcial que utiliza golpes de alavancas, torções e pressões para derrubar e dominar o oponente. Segundo historiadores, a arte era praticada por monges budistas, que, preocupados com a autodefesa, desenvolveram uma técnica baseada nos princípios do equilíbrio, do sistema de articulação do corpo e das alavancas, evitando o uso da força e de armas. O chamado jiu-jitsu brasileiro é muito praticado no país; fundamentado nas bases do jiu-jitsu japonês, esse estilo foi desenvolvido no Brasil pelo mestre Hélio Gracie.

Jeffrey leva os ensinamentos do esporte para muito além do tatame. Segundo ele, é impossível não se sentir motivado quando se pratica jiu-jitsu, pois há sempre algo novo para aprender. “A partir da experimentação de como o conhecimento e a experiência são ilimitados, buscamos sempre melhorar nas áreas em que atuamos, seja como lutador, como pai, irmão, amigo, namorado ou no trabalho”, afirma Jeffrey, que começou a prática do esporte em 2009. Para ele, a luta promove a aproximação, profunda e rapidamente, pois nada torna alguém mais companheiro de outra pessoa do que a real vontade de ajudar ou a sensação de ser ajudado com empenho e sinceridade. Como aluno de uma academia de luta, ele que conta que o professor e os alunos graduados ajudam quem está começando mesmo sabendo que eles não têm nada para ensinar em troca. Isso, para o campeão absoluto do Torneio Brazucas de Lutas do ano de 2013, é prova de generosidade e de cuidado com o outro. “Algo que falta em todos os setores da nossa sociedade”, completa.

Alunos da academia Union World Team

Embora Jeffrey afirme que o jiu-jitsu tenha lhe ensinado os valores da confiança e da disciplina, o jovem não pretende seguir carreira no tatame. Ele acredita que, atualmente, no Brasil, ainda é preciso contar muito com a sorte, pois os atletas não têm apoio nenhum além do familiar, e geralmente isso não é o suficiente para que se arrisque tudo. “Afinal, uma lesão séria encerra uma carreira promissora impiedosamente”, observa, ressaltando que a pressão social por resultados imediatos também pesa muito nas costas de quem compete, o que acaba fazendo com que a maioria desista na metade do caminho. Mesmo encarando o esporte como um hobby, Jeffrey tem orgulho da faixa azul que carrega e sabe que poderia chegar longe no esporte. “Com trabalho duro e dedicação, mesmo o maior dos adversários pode ser derrotado com facilidade”, afirma. Desde 2009, Jeffrey já competiu em cerca de treze torneios por todo o Rio Grande do Sul, conquistando diversos títulos nas categorias peso médio e peso meio pesado. Depois de longos cinco anos de incessantes treinos, ele lembra mais uma das dificuldades que enfrentou: “Sair da ‘zona de conforto’ e cair em uma rotina de treinamento pesado foi difícil, mas essa é uma dificuldade que todo lutador enfrenta”, diz. Por fim, ao explicar qual é, para ele, a importância de um esporte que envolve luta nos dias de hoje, Jeffrey acaba soando meio filósofo. “As artes marciais são, geralmente, esportes individuais com o ‘ser’ enquanto individuo social. Na vida não é possível evoluir sem o próximo… o tatame e o ambiente de combate te mostram isso com uma clareza palpável com tombos, socos, chutes…”, afirma o lutador.

Deixe um comentário