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Era só mais uma Silva…

por Josiane Skieresinski | josiane.skieresinski@gmail.com

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Rafaela com sua tatuagem que fez logo após Londres, em 2012 (Cristian Gal)

Essa poderia ser a história de Rafaela Silva, a campeã olímpica de judô no Rio 2016. A judoca entrou no esporte através de projetos sociais na sua comunidade. Ela como mulher, negra e suburbana poderia ter entrado para as estatísticas sociais, mas com toda sua garra ganhou títulos mundiais.
Rafaela, nascida em 1992, no auge dos seus 24 anos, já uma campeã da vida, criada na comunidade Cidade de Deus, na cidade do Rio de Janeiro, aos cinco anos foi envolvida pelo esporte. Mas foi aos oito anos que sua estrela começou a brilhar, quando entrou para o Instituto Reação, projeto social criado pelo ex atleta Flávio Canto. Rafaela treina lá até hoje. Seu grande incentivador foi Geraldo Bernardes, treinador do projeto.
Em 2008, já com 16 anos, Rafaela ganha seu primeiro mundial, competindo pela modalidade júnior, em Bangkok, na Tailândia. E no final do mesmo ano entra para a seleção brasileira de judô adulta. Já no ano seguinte, 2009, Rafaela vai para Roterdã, na Holanda, competir pela modalidade adulta, e fica em quinto lugar.
O início da carreira de Rafaela foi de muito esforço e junto dele suas recompensas, suas medalhas e como sempre o incentivo da sua equipe.
Mas foi em 2012, nas Olímpiadas de Londres, que Rafaela viveu seu maior pesadelo: ser desclassificada por um erro que ela mesma cometeu. Já não bastando se sentir mal e devastada pelo erro, foi alvo de racismo e críticas em suas redes sociais, algo que no momento a abalou muito. Sua irmã, Raquel, conta um pouco como foram os dias da atleta: “Rafaela só ficava deitada vendo televisão. Minha mãe fazia comida que ela gostava para ver se ela se animava. Às vezes ela estava vendo televisão, eu olhava e via que ela estava era chorando sozinha. Só queria ficar dentro de casa, não queria fazer nada”
Durante esses quatro anos até as Olímpiadas do Rio, Rafaela treinou muito, se dedicou muito e todos viram a garra e a vontade que vem dela. Para a sua preparação treinava de duas a três vezes por dia, entre treinos físicos, técnicos e específicos, fazendo acompanhamento nutricional e psicológico, e participava de competições e treinamentos internacionais. Se consagrou com o ouro na sua categoria de até 57kg. Rafaela deu a volta por cima, mostrando a todos que a criticaram que seria capaz. “Depois da minha derrota, muita gente me criticou, disse que eu era uma vergonha para minha família, para meu país. E agora sou campeã olímpica”, afirmou Rafaela, após o ouro. A atleta também relembra sentimentos logo após a desclassificação em Londres: “Fiquei sufocada, chateada. Eu tinha 19 anos, queria realizar o meu sonho, mas pensei em largar o judô”

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Rafaela após o recebimento da medalha. (Danilo Verpa | Agência O Globo)

Fontes consultadas:

SPORTV. Rafaela Silva lembra que foi chamada de “vergonha da família”em 2012. Disponível em: <http://sportv.globo.com/site/programas/rio-2016/noticia/2016/08/rafael-silva-lembra-que-foi-chamada-de-vergonha-da-familia-antes-do-ouro.html> Acesso em:16 nov. 2016.

Rafaela Silva Judo. Biografia. Disponível em: <www.rafaelasilvajudo.com.br/biografia/> Acesso em:16 nov. 2016.

Astuto, Bruno. Medalhista Rafaela Silva fala da namorada: “Sou das meninas, ela me acompanha”. Disponível em: <http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bruno-astuto/noticia/2016/08/medalhista-rafaela-silva-fala-da-namorada-sou-das-meninas-ela-me-acompanha.html> Acesso em: 16 nov. 2016.

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