ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Ex-ciclista profissional, vereador é referência no cicloativismo

por Estevan Gonçalves | estevanfgoncalves@gmail.com

Entre as várias funções da bicicleta na sociedade, uma se destaca nos dias de hoje. A velha “magrela” virou forma de reivindicação por uma cidade mais humana e sustentável – o chamado cicloativismo. No Brasil, a história desse movimento ainda é recente, mas conta com vários grupos e destaques individuais que são referência na luta cicloativista. Um deles é o gaúcho natural de Lagoa Vermelha, Marcelo Sgarbossa.

Ciclista profissional entre 1987 e 1997, ele colecionou vários títulos de campeonatos regionais e nacionais, além de representar o Brasil em torneios internacionais. Após o fim da carreira de atleta, Marcelo Sgarbossa tornou-se advogado e militante na área dos direitos humanos, e posteriormente, cicloativista. “É uma luta por quem é vulnerável na sociedade. Põe uma bicicleta no meio e o ciclista vira o sujeito mais vulnerável no trânsito. Só mudam o cenário e os atores mas a pauta continua a mesma”, diz Marcelo.

Câmara dos Vereadores POA/Divulgação

Ciclista profissional de 1987 a 1997, Sgarbossa foi eleito vereador em 2012

Com um pouco mais de cinco mil votos, Sgarbossa foi eleito vereador de Porto Alegre pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas últimas eleições municipais e, desde o ano passado, tem levado à Câmara todas as pautas referentes à luta cicloativista.

Ativismo diário

Como cicloativista e vereador, Marcelo Sgarbossa entende como ninguém a realidade de uma Porto Alegre em que o tráfego de automóveis prevalece a cada dia. “Tem ciclista que pode ser atropelado a qualquer momento se não tiver o seu espaço e o respeito do motorista. É o mais fraco versus o mais forte”, declara.

Diante da situação de guerra entre ciclistas e condutores nas ruas das grandes cidades, Marcelo acredita que a maioria entende os benefícios de um veículo não-poluente, mas justifica o fato de nem todos aderirem à causa. “O carro é algo que causa muito cômodo. É uma cápsula perfeita para o isolamento. Então dizer para o motorista que a bicicleta é melhor que um automóvel mexe com o lado sociológico dele”, conta Sgarbossa, referindo-se ao caso do atropelamento de cerca vinte ciclistas ocorrido em fevereiro de 2011 – evento em que o principal grupo cicloativista de Porto Alegre, o Massa Crítica, ficou conhecido em todo o país.

Para que este quadro seja revertido, o vereador cita o próprio exemplo ao dizer que só a luta fora das instituições não basta para que pautas cicloativistas avancem e tenham efeito nas ruas. “Eu poderia falar apenas em ciclovias eficientes e campanhas educativas, mas acredito que isso seja tão importante quanto”, comenta o vereador.

Bicicleta revolucionária

No auge de sua carreira esportiva, o jovem Marcelo precisou ir morar no exterior por considerar a prática do ciclismo no país muito fraca na época. Quase dezoito anos após sua aposentadoria das pistas, o vereador enxerga a melhoria no esporte – desde o aumento no número de adeptos até a facilidade de adquirir uma bicicleta de corrida. Na capital gaúcha não é diferente: “Eu acho que a prática do esporte está crescendo muito. O que você vê de gente pedalando e usando equipamentos é incrível. Antes você não via ninguém, hoje está lotado de gente. Há um grupo que junta entre 50 e 70 pessoas só para pedalar aos domingos de manhã”.

Divulgação

Sgarbossa utiliza a bicicleta para se deslocar diariamente até a Câmara dos Vereadores de Porto Alegre

Para intensificar ainda mais o esporte em Porto Alegre, o vereador tem dois projetos na Câmara Municipal. Um deles é o bloqueio total da Avenida Beira-Rio aos domingos e o outro é reservar áreas de treinamentos noturnos na capital. Segundo Sgarbossa, serve para obter mais segurança para aqueles que praticam atividades físicas durante a noite.

Mas nem só de esporte ou luta vive um ciclista. Estar em uma “rede social”, compartilhando sua felicidade com outras pessoas que têm bicicletas é o que há de melhor para quem conserva este hábito. “Acho que ela é um símbolo de interação e revolução social. As pessoas querem ser mais felizes e então pegam uma bicicleta. Para mim ela é algo revolucionário na atualidade porque dá alegrias na vida do sujeito”, afirma o vereador.

Deixe um comentário