ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Celestino Valenzuela relembra histórias no livro Que Lance!

por Gabriela Freitas | gabriela_freitas@outlook.com

Uma pessoa querida, carismática e com muita história para contar. Assim é Celestino Valenzuela que, aos 86 anos de idade, longe dos holofotes há mais de 20, encantou quem passeava pelos corredores da 60ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Na tarde chuvosa de dois de novembro, Dia de Finados, Celestino sentou para um bate-papo junto com as jornalistas Eduarda Streb e Rafaela Meditsch para falar sobre o recém lançado livro Que Lance!. Escrita por Duda, como é conhecida, e Rafaela, a obra relata em 148 páginas a história de vida de um grande homem, símbolo de toda uma geração de fanáticos e torcedores do futebol gaúcho.

Celestino entre as autoras do livro, as jornalistas Rafaela Meditsch e Eduarda Streb

A conversa começou tímida, contando com as autoras e Valenzuela respondendo aos questionamentos de dois estudantes de jornalismo, ávidos para conhecer mais de perto os causos do ex-narrador esportivo. Aos poucos o público foi se aproximando. Fãs de diversas idades que, em um pouco mais de uma hora, conseguiram fazer perguntas e escutar o inconfundível “que lance!”, expressão criada por Celestino na década de 70.

A origem do bordão que marcou época

Celestino contou que o bordão surgiu involuntariamente, enquanto narrava o jogo do Grêmio contra o Brasil de Pelotas. Surpreendido com os passes que se desenrolavam na sua frente, soltou a agora consagrada expressão quando o atacante se aproximou da pequena área.

O ex-narrador comentou que foi surpreendido pelo então diretor da RBS TV, Clóvis Prates, que o chamou para rever o momento em que ele soltou a frase – crente de que iam mandá-lo embora. Pelo contrário: acharam o bordão verdadeiro, forte e que deveria ser incorporado às narrações.

Paulo Brito, que substituiu Celestino quando ele se aposentou, em 1989, também acabou criando uma expressão própria, o “feitooooo!”, dando continuidade ao exemplo de Valenzuela, com sua marca registrada.

A história por trás do livro

Celestino Valenzuela autografou Que Lance! na Feira do Livro de Porto Alegre

Durante 12 meses as jornalistas pesquisaram, buscaram fontes e construíram a obra. O livro traz diversas histórias da vida do ex-narrador esportivo como o conto da onça, em que Celestino, na época em que passou pelo Pantanal, foi desafiado a tirar uma foto com ela. O principal objetivo das jornalistas foi fazer o resgate histórico de uma vida que permeia a história do esporte gaúcho. Duda explica que algumas histórias foram cortadas. “Foram mais de cem páginas de próprio punho… é uma memória absurda”, diz a jornalista, ressaltando o difícil processo de escolha dos causos que iriam compor o livro.

Celestino nos tempos em que era apresentador e narrador esportivo de RBS TV, em 1977

Valenzuela fala com felicidade e gratidão sobre o rumo que a vida tomou. Seu sonho? Ser jogador de futebol. Chegou a treinar no Grêmio e no Internacional. Teve a oportunidade de ser jogador profissional no time Cruzeiro, de São Gabriel. Entretanto, no sua partida de estreia, machucou o menisco – fato que levou o ponta-direita a pendurar as chuteiras. Mas essa vivência e a descoberta de que ele tinha uma boa voz para narrar o aproximaram da comunicação e da narração esportiva.

Celestino Valenzuela é um profissional respeitado e admirado que marcou toda uma época. “Eu fui atrás, era uma meta que eu tinha. Ele foi um pioneiro no rádio, na TV, no jornalismo esportivo, teve uma carreira brilhante”, comenta Rafaela sobre a persistência em convencer o ex-narrador a contar as suas memórias. O comunicador não é conhecido e admirado somente por quem conviveu com suas narrações nas décadas de 70 e 80. Gerações mais novas também o conhecem e se fascinam pela qualidade do seu trabalho. Desta forma, além de fatos da vida, Que Lance! traz também dicas de narração para aqueles que almejam uma posição, seja no rádio ou na televisão.

Deixe um comentário