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Graciele Herrmann quer fazer história nos Jogos Olímpicos de 2016

por Daniel Fagundes | daniel.dsfagundes@gmail.com

Vinte e quatro segundos e 76 centésimos pode parecer um número inexpressivo, mas na natação pode mudar uma história. É o caso da pelotense Graciele Herrmann, 22 anos, que com essa marca igualou o recorde sul-americano dos 50m livre. O feito se torna ainda mais expressivo porque em 2009, quando a venezuelana Arlene Semeco superou a marca anterior, era permitido o uso do polêmico maiô tecnológico, cuja presença nas piscinas permitiu a quebra de 33 recordes mundiais em um ano.

A marca conquistada em abril no Troféu Maria Lenk foi a primeira de Graciele abaixo dos 25 segundos. “São muitos anos de trabalho, três anos batendo na marca de 25s17, 25s10, mas nunca 24. É bem gratificante, porque que o trabalho que a gente vem fazendo está dando certo e vai dar mais ainda, porque estamos treinando muito mais forte. Agora a gente vai para bater menos do que isso”, comenta a atleta.

Graciele ficou com a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011

O caminho até o recorde sul-americano

Após os últimos resultados Graciele se tornou a grande aposta da natação feminina brasileira para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Para conquistar esse status, a gaúcha teve que trocar de cidade e procurar um grande clube que lhe desse suporte. “Para começar em um esporte como a natação é bem difícil, não é como o futebol que você já tem as categorias de base e da base você já vai para o futebol profissional. Você começa na base, mas não tem nenhum apoio. Teu apoio são teus paitrocínios. Então é bem difícil até você chegar em um clube grande, como eu fiz com 15 anos e vim para o Grêmio Náutico União”, analisa.

A busca pela natação foi curiosa e diferente. “Eu comecei por causa de umas brincadeiras dos meus primos. Eles não me ensinavam a nadar direito. Eles me ensinavam a me afogar. Então eu queria aprender a nadar e, com o estímulo do meu irmão, com 12 anos comecei no clube Brilhante”, conta a nadadora, referindo-se ao clube que começou em Pelotas.

Ouro conquistado por Cesar Cielo nos Jogos de Pequim-2008 mudou o cenário da natação brasileira

Divisor da águas da natação brasileira

O ouro conquistado por Cesar Cielo na prova dos 50m livre dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 mudou a natação brasileira. Além de reconhecimento e visibilidade, os patrocinadores começaram a investir mais no esporte. Atualmente, Graciele conta com apoiadores e afirma: “são eles que me dão o aporte hoje para eu seguir em frente e buscar a vaga nas Olimpíadas”.

Guadalajara-2011 e Londres-2012

Com apenas 20 anos, Graciele foi a caçula da delegação brasileira na natação dos Jogos Olímpicos de Londres-2012 e, apesar de não avançar às semifinais, a pelotense comemorou a participação. “No final de 2011 eu projetei fazer o índice para as Olimpíadas. Fiz e em 2012 fui para Londres. Não me saí muito bem, mas como foi minha primeira participação, eu acredito que foi muito boa minha classificação”, celebra.

Nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, Graciele participou da seleção brasileira pela primeira vez e ficou a apenas três centésimos do índice, trazendo a medalha de prata nos 50m livre.

Atleta do Grêmio Náutico União é a principal aposta de medalha da seleção feminina de natação do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016

De olho nos Jogos Olímpicos do Rio-2016

Graciele também era modelo, mas por achar a atividade muito chata a pelotense agora se dedica apenas às piscinas. E esse foco está nas próximas competições e, principalmente, nos Jogos Olímpicos. “No fim do ano temos o Open, que vai ser classificatório para os Jogos Pan-Americanos de Toronto-2015 e para o Mundial de 2015. Todas as competições nos dão mais força pra chegar bem nas Olimpíadas de 2016”, comenta.

A gaúcha quer fazer história. Baixar cada vez mais o índice de 24s76, conquistar o ouro nos Jogos Pan-Americanos e trazer uma inédita medalha para a natação feminina do Brasil nas Olimpíadas do Rio.

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