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Marieke: a história que dividiu opiniões

Jessica Zeferino | jessicazeferino.jh@gmail.com | edição de Débora Ramos | debora.indcris@hotmail.com

Livre para voar (Foto: Arquivo Pessoal)

Wielemie como é chamada  carinhosamente pelos seus fãs significa “a roda e eu” e descreve perfeitamente quem é Marieke.

Nasceu em Diest, na Bélgica, em 10 de maio de 1979.  Aos 11 anos foi diagnosticada com uma doença degenerativa na coluna cervical, aos 14 perdeu por completo os movimentos das pernas. Para quem acha isso o fim ela estava disposta a transformar em um recomeço.

Durante a reabilitação no hospital, aprendeu a reverter sua situação, falou para si mesma que não iria jogar a toalha e que ia tentar conviver melhor com o que lhe havia  acontecido. Começou a pesquisar e ficou impressionada com a quantidade de esportes que ela poderia praticar, desde basquete em cadeiras de rodas até mesmo vôlei sentada. Praticou  natação por um ano, mas teve que interromper devido a razões médicas, então passou para o basquete, um esporte com o qual já estava familiarizada, mas não lhe deu satisfação suficiente. Em 2004 lhe convidaram novamente para nadar, mas ela recusou a proposta,  depois  entrou para um clube de triathlon.

Dois meses após treinar todos os dias com determinação e foco, Marieke já estava apta e participou de um triathlon real. Marieke tomou tanto gosto pelo triathlon e se sentia tão bem que  se tornou campeã mundial na  AWAD na categoria handycle em Laisanne. Em 2007 foi campeã mundial em Hamburgo, na Alemanha, mas desta vez em todas as classes. Em 2008 sua vida tomou um rumo diferente, sua situação piorou e as condições para praticar o triatlo já não era possível.

Suas condições  para  treinar uma semana para nada era difícil,ainda mais quando se mora longe do local onde se treina, ela tinha que ser levada de carona por seus amigos  e seu treinador,mesmo assim permaneceu firme, continuou seu caminho para poder  apreciar a pequenas coisas da vida

Em 2009 houve novos desafios, desta vez desafios saudáveis, primeiro recebeu seu cão Zenn, ele foi treinado para ser seu cão de serviço mas acabou se tornando um filho. Marieke contou que em noites em que teve dores muito fortes que desmaiava era Zenn que lhe acordava com lambidas no rosto.

Vervoot e seu cachorro de estimação Zen

Vervoot e seu cachorro de estimação Zen (Foto: Arquivo Pessoal)

Outro grande desafio foi a criação de sua biografia Wielemie Sport For Life.

Em 2011 estava no 2° Campeonato Europeu Blokarten na categoria mosca e o esporte de cadeiras de rodas estava cada vez mais conquistando lugares nos pódios.

Em setembro de 2012  participou dos Jogos Paraolímpicos e ganhou a prata nos 200 metros, alguns dias mais tardes ganhou o ouro nos 100 metros e quebrou seu tempo de  19,69 seg o recorde paraolímpico.

Após seu regresso para Diest foi calorosamente recebida por cerca de 2000 pessoas. Quando decidiu que viria para os Jogos do Rio 2016, Marieke confirmou a aposentadoria do esporte de alto rendimento aos 37 anos, após ter  disputado os 100m T52, sua última prova paralímpica. Disse ainda que, depois dos Jogos, tem planos de se manter conectada ao esporte e incentivar mais pessoas a praticarem esportes.

Marieke contou em várias entrevistas que quando está na cadeira de rodas pronta para disputar é como se todas as dores e todos os medos saíssem dela na mesma velocidade que ela corre. E quer aproveitar o máximo de sua vida, e quando tiver mais dias ruins que dias bons aplicará a eutanásia.

FONTES CONSULTADAS:

TERRA NOTÍCIAS. Marieke Vervot e a defesa da eutanásia. Disponível em: https://noticias.terra.com.br/marieke-vervoort-e-a-defesa-da-eutanasia,f3e6b9f4f1d465fd1f8120d09487d60egffdlyby.html. Acesso em: Set. de 2016.

KESTELMAN, Amanda e FRICKE, Gabriel. Rio de Janeiro. Com eutanásia assinada, belga dá adeus com bronze. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/paralimpiadas/noticia/2016/09/com-bronze-belga-se-despede-da-paralimpiada-antes-da-eutanasia.html.

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