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Conheça um pouco mais sobre Walace, titular da seleção Olímpica e do Grêmio

por Ana Hoffmann | ana_hoffmann83@hotmail.com | edição de Leonardo Ferreira | leonardoferreira305@hotmail.com

Momento em que o jogador recebe a medalha Olímpica. (Foto: Divulgação)

Do carnaval baiano à seleção brasileira. Entre histórias e fatos, o jogador Walace Souza mudou sua vida radicalmente. A convocação olímpica aos 21 anos não foi esperada por ele. Com a oportunidade de jogar em casa pela Olimpíada 2016, o meia do Grêmio conta, nesta reportagem, sua reação após a convocação. Como foi a sua trajetória até a tão sonhada Olimpíada. O antes da carreira, como era a sua vida em sua cidade natal. O começo de tudo, o não do Bahia. A passagem pelo Avaí, a vinda para Porto Alegre, e o assédio Europeu.

Walace Souza afirma: “Desde pequeno a gente sonha com isso.” Um jogador de futebol com marcas e histórias. Com aparência típica de boleiro, com suas tatuagens diversificadas, mas humildade diferenciada. O atual dono da camisa 5 Tricolor esbanja sorrisos, e vive a sua melhor fase da carreira. Um guri, um jovem talento que se encontrou com o futebol desde cedo, Walace sempre soube que iria ser jogador. Não conheceu o pai biológico, mas teve alicerce do seu padrasto. Sua mãe, Aline, era a referência para o filho, porém não era muito a favor dessa aventura do menino.

O guri que jogava no time do bairro onde morava recebeu a sua primeira oportunidade aos 13 anos de idade. Foi em uma viagem para Maceió, com a qual a mãe não concordava. Nessa história entrou o padrasto de Walace, que também já tinha sido jogador de futebol e apoiava o sonho do garoto. Foi então que dona Aline, mãe de Walace, liberou o filho para viagem. Passando 4 meses em Maceió em sua primeira oportunidade em um clube de futebol, o baiano voltou para Salvador e ali permaneceu 6 meses. Logo depois, foi para Minas Gerais, onde recebeu a sua segunda oportunidade em um clube de futebol, e por lá ficou 1 mês. Retornou a sua cidade, Salvador, com uma passagem rápida de apenas um mês pelo Bahia.

Jogando por um campeonato chamado 2 de Julho foi observado pelo Avaí de SC. Contratado pelo clube catarinense, Walace permaneceu três anos. Um fato inusitado aconteceu nesse período jogando pelo Avaí. Com a chegada de um novo menino no clube, Walace ficou no banco. Seu treinador, sabendo da sua qualidade e vendo que o Walace tinha uma altura relevante de 1,88m disse: “ Você não pode ficar sem jogar, vou te colocar de zagueiro.” Ele conta e caí em risos ao relembrar esse acontecimento e diz: “De zagueiro eu não vou não.”

Nos últimos seis meses de Avaí, o meia veio a Porto Alegre disputando a Copa Santiago, contra o Tricolor Gaúcho. Foi onde deslanchou! O Grêmio, em 2014, contratava Walace. Em uma troca de jogadores o Tricolor Gaúcho liberava Marquinhos e pedia três atletas ao Avaí. Nessa troca pontual, desembarcava Walace no velho Olímpico.

Com deficiências na sua base, “despercebido e magrinho”, como o próprio jogador se definia, ainda com seus 19 anos ele foi para o sub 20 do Grêmio. Mais adiante, em 2015, o guri começou a receber oportunidades de Felipão, o comandante da equipe na época. Com aparições diferenciadas em jogos da equipe principal, o meio campista foi se destacando cada vez mais. Não demorou muito para o Grêmio confirmar que tinha feito uma bela aposta. Walace foi encontrando seu lugar no time, e desde lá não saiu mais. Houve trocas de comando, mas o jogador foi mantido.

Walace Grêmio

O meia defendendo a time tricolor (Foto: Divulgação)

Não demorou muito e sua estrela começou aparecer. A convocação chegou na sua vida. Na primeira lista o nome de Walace não saiu. De repente uma ligação surge. Era Micale (técnico da seleção olímpica), dizendo que haveria uma possibilidade do atleta ser chamado e que era para ele aguardar. A convocação oficial saiu, o nome do guri estava presente. Walace ressalta: “Eu quase morro de alegria ao lembrar. Eu já tinha perdido até a esperança”. Ele conta que estava treinando e quem trouxe a boa nova foi o diretor da base. “Eu já saí ligando para minha esposa e comemorando. Ela ficou doida, achava que era mentira”, celebra o jogador ao recordar.

Ao relembrar tudo isso ele enfatiza: “Não caiu a ficha!”. Quando questionado sobre o seu passado, ele conta um pouco mais sobre duas marcas. “Teve um momento que, no Bahia, o técnico me disse na lata que eu não servia para ser jogador. Eu fui para minha casa, fiquei meio triste uns dois dias, mas não desisti. E logo fui para o Avaí, isso que não servia para ser jogador”. Ainda sobre o passado, perguntado sobre o que ele seria, então, se não fosse jogador, ele responde sem hesitar : “Ai você me pegou, talvez gogoboy.” E cai na risada novamente. Isso porque Walace, em Salvador, ajudava a sua mãe, na infância, no bloco carnavalesco. Em eventos com seu padrasto, Walace montava os camarotes no meio da folia.

O jogador traz consigo boas lembranças da folia de Salvador, mas também recorda um nome que o ajudou muito em seu passado recente. Foi um homem chamado Beija, já falecido. Foi ele quem levou o camisa 5 para o Avaí, e Walace recorda com muita gratidão. “Foi ele que fez a ponte para eu ir pra Santa Catarina”. Falando sobre o seu momento no Grêmio e o romance com a Europa, Walace confirma que existe sim um triângulo amoroso. Mas promete permanecer no Grêmio. “A Europa e eu estamos namorando ainda. Mas eu vou parar, prometo vou parar. Eu estou tranquilo aqui no Grêmio”. O jogador não dispensa o sonho de jogar no velho continente, mas tranquiliza a torcida Gremista e reafirma: “Eu vou dar sempre o meu melhor para o Grêmio”.

O meia do Grêmio também fala sobre sua esposa, redes sociais, rivalidade Gre-Nal e paixão tricolor. O bom ditado afirma: por trás de um grande homem existe uma grande mulher. No caso dele não é diferente. Walace é casado a 4 anos e tem um filho. E agrega como a parte mais importante da sua vida. “Minha esposa e eu nos conhecemos na Bahia, trouxe ela pra cá. Ela me apoia demais. E meu filho é tudo! Ele é o mais importante que eu tenho na minha vida. Se eu chego meio cabisbaixo por algum problema, eu lho para ele e pronto! Quero ser sempre o melhor para ele. Fazer o melhor para ele.”

Walace Grêmio

Walace com seu filho, Wallan, no colo e familiares (Foto: Arquivo Pessoal)

As redes sociais têm sido um instrumento que vem aproximando cada vez mais os ídolos de seus fãs. Com os jogadores de futebol é uma febre, eles podem publicar o seu dia a dia e deixar o torcedor a par de tudo. Walace é um desses atletas que desfruta da rede social. “Sou, eu que mecho nas minhas redes sociais, Facebook e Instagram. Gosto muito do insta, tenho a página lá no face também. Posso compartilhar com o pessoas as coisas, sei que eles gostam. Eu não estou muito acostumado com essa loucura, como eu disse não caiu a ficha ainda. Mas eu fico muito feliz com esse reconhecimento, esse carinho de todos.” De acordo as postagens do jogador, o atleta tem passado a ideia que o Walace é um “cara família”, isso porque o jogador têm diversas fotos com seu filhos e sua esposa em casa, em parques. Ele afirma “Ah, o Walace, se define como um cara família, dou sim minha saidinha porque ninguém é de ferro. Mas eu me cuido, o cara tem que se cuidar. Eu sou esse cara aqui, brincalhão, levo a vida assim. Sou gente boa”.

Há mais de dois anos em Porto Alegre, o camisa 5 tricolor já percebeu que a rivalidade na capital é forte. As vésperas de um Gre-Nal importantíssimo pelo Campeonato Brasileiro, Walace sem travas na língua da o seu palpite sobre o rebaixamento do principal rival. “ Olha… tomara que eles já venham meio bambeados, que a gente vai terminar de rebaixar eles. Tomara.” Walace já tem um carinho pela camisa tricolor, assim como o torcedor respeita o meio-campo de apenas 21 anos. E quando questionado sobre o que significa o Grêmio na vida dele hoje, o baiano de sorriso largo diz: “O Grêmio para mim é tudo! O Grêmio foi quem me deu a minha primeira oportunidade profissional. O Grêmio é que ta me dando valor.” O atleta aproveita e manda um recado para o torcedor gremista “Eu sempre vou dar o meu máximo, se não for tecnicamente, eu vou dar meu máximo correndo, guerreando. Alguma coisa eu tenho que fazer. Pode ter certeza.”

FONTES CONSULTADAS:

O atleta Walace Souza foi entrevistado em: 14 de out. 2016

SPORTV. Em alta, Walace torce para estar na seleção olímpica: “Uma boa para mim”. Disponível em: http://sportv.globo.com/site/programas/rio-2016/noticia/2016/07/em-alta-walace-torce-para-estar-na-selecao-olimpica-uma-boa-para-mim.html. Acesso em: 10 out. 2016

ZH ESPORTES. Walace é convocado para a seleção olímpica no lugar do vontade Fred. Disponível em:  http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/gremio/noticia/2016/07/walace-e-convocado-para-a-selecao-olimpica-no-lugar-do-volante-fred-6620982.html. Acesso em: 10 out. 2016.

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