ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Novos e velhos talentos representam o Rio Grande do Sul nos Jogos Paralímpicos

por Jeniffer de Oliveira | jenny_m.19@hotmail.com | edição de Débora Ramos | debora.indcris@hotmail.com

Nos jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, Alex Celente foi medalha de bronze com a seleção brasileira de goalball. (Foto: Beta Redação)

Determinado, extrovertido e alegre. Quando perguntei sobre as qualidades de Alex, ele me citou esses três adjetivos. Realmente, ele apostou na sua grande determinação para chegar aonde chegou. Alexsander Almeida Celente Maciel é um ala da seleção brasileira de goalball que vem acumulando conquistas em sua trajetória. Além da prata nas paralímpidas de Londres em 2012, a seleção brasileira de goalball também faturou o bronze este ano, nos jogos do Rio de Janeiro.

Alex, também foi campeão mundial da International Blind Sports Federation (IBSA), na Finlândia, foi medalha de ouro na Parapan-Americano de Toronto, em 2015, e, em 2011, em Guadalajara. Em 2009, no Parapan da IBSA foi prata, e já na sequência, buscou o bronze nesse mesmo torneio, nos Estados Unidos.

Mas antes de conquistar essa carreira de dar orgulho em muita gente por aí, Alex Celente passou por um drama logo na infância. Já nasceu sem visão no olho esquerdo, e aos 4 anos, numa brincadeira com seu irmão mais novo, teve seu olho direito atingido por um dardo. No dia seguinte, não enxergava mais nada.

– Ele atirou, eu foquei e não sai da frente, pegou no olho que eu enxergava.

No Instituto Santa Luzia, na Zona Sul de Porto Alegre, que passou a frequentar aos 8 anos de idade, pegou gosto pelo esporte, mais especificamente pelo goalball. Aos 14 anos começou a competir em nível nacional. Mal ele sabia que estaria se tornando um grande atleta que hoje representa o Rio Grande do Sul na seleção brasileira de goalball.
Além de atleta paralímpico, Alexasander atua como auxiliar administrativo no serviço público. E quem olha para tudo que ele já conquistou não imagina que ele chegou a recusar uma convocação para a seleção brasileira em 2001, aliás, a sua primeira.

– Como eu não sabia da lei que garante a permanência de atletas no serviço público, eu desisti da convocação na mesma hora. Eu não iria podia largar meu trabalho, eu iria viver como – Contou Alex.

Lei Pelé, lei do Passe Livre

A lei que existe desde 1998, concede o abono de falta para o atleta que for servidor público civil ou militar, da administração pública direta, indireta, autárquica ou fundacional que for convocado para integrar a representação nacional em treinamento ou em competição desportiva no país ou fora dele.
Alex desistiu, mas a Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV) não. Em 2008, na estreia da equipe masculina de goalball em jogos paralímpicos, houve novamente a oportunidade. Dessa vez ele não ousou recusar. Se antes disso seu nome na seleção geralmente era confirmado, depois da estreia nas paralímpiadas em Pequim seu lugar virou garantido.
Atualmente com 35 anos, Alex é pai de Cauã, Yasmin e de Benjamin. Para ele, os filhos irão seguir o que quiser da vida, assim como aconteceu com ele na infância, quando também contava com o apoio da família e tinha total liberdade para ser o que quisesse.

E quando se fala em aposentadoria, também se fala em esporte

  • Não pretendo continuar jogando quando eu tiver com 60 , 70 anos.A faculdade de psicologia com ênfase em esporte é um de seus planos para a fase pós-atleta.
    Autossuficiente, impaciente e teimoso. Foi o que ele me respondeu em relação a seus defeitos, Mas a autossuficiência de Alex pode ser considerada um orgulho quando o assunto for inspiração no esporte.
    Alexsander Almeida Celente Maciel, o ala da seleção brasileira de goalball que se tornou ídolo de muita gente , inclusive dele mesmo. – Não tenho ídolo, me tornei um, – garante ele.

Vanderson Chaves, aposta do futebol que deu certo na esgrima com cadeira de rodas

Diferente de Alexsander, outro atleta que representou o RS nos jogos paralímpicos do Rio ainda não possui uma vasta carreira dentro do esporte, mas que ele se tornou uma grande aposta na esgrima, muitos já sabem.
Persistente, corajoso e carismático. Esse é Vanderson Chaves, 22 anos de idade e morador do Bairro Bom Jesus em Porto Alegre. Foi o representante mais novo da seleção brasileira de esgrima em cadeira de rodas nos jogos paralímpicos do Rio de Janeiro.
O guri ainda teve a chance de viver uma vida de criança e a oportunidade de planejar um futuro sem os obstáculos enfrentados por um deficiente físico.
Com doze anos de idade, Vanderson teve seu sonho de ser jogador de futebol interrompido por um acidente com arma de fogo. Sonho que talvez, estivesse bem próximo de ser realizado.

– Sofri acidente no domingo e na segunda esperava a aprovação para ser jogador do Inter.

Conforme o atleta, na hora foi um choque de realidade, mas nunca pensou em desistir da vida. Vanderson não sabia que existiam modalidades esportivas paralímpicas então procurou algo que o fizesse sair de dentro de casa. Começou a praticar tênis na Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul, sendo o único jogador deficiente físico.

Esgrima

Vanderson Chaves (Grêmio Náutico União)

Vanderson Chaves (Foto: Grêmio Náutico União)

A esgrima entrou na sua vida quando tinha 18 anos, em 2012. Ao realizar uma entrevista de emprego na Prefeitura de Porto Alegre ele conheceu alguém que o indicou a modalidade. Para ele a esgrima é um esporte que esbanja adrenalina.
Ao contrário da trajetória de Alex Celente, Vanderson foi convocado pela primeira vez para a seleção recentemente, em 2013. O esgrimista não foi ousado em recusar a sua primeira participação pela equipe brasileira da modalidade.
Tendo planejado uma vida diferente ou não, o que importa é que Vanderson Chaves tem tudo para se tornar um ídolo com um futuro promissor que depende apenas de suas mãos.

FONTES CONSULTADAS:

Portal JusBrasil, Google. Comissão aprova abono de falta pra atleta empregado de empres pública. Nov/2012. Disponível em: http://cd.jusbrasil.com.br/noticias/100195308/comissao-aprova-abono-de-falta-para-atleta-empregado-de-empresa-publica

Deixe um comentário