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O Tubarão de Baltimore

por Cristine Fogliati | cristinefn@hotmail.com | edição de Leonardo Ferreira | leonardoferreira305@hotmail.com

A odisseia do maior atleta das piscinas (Foto: Getty images)

A descoberta de seu foco: as piscinas

Michael Fred Phelps II é um americano nascido no dia 30 de junho de 1985 em Baltimore, Maryland. Mundialmente conhecido pelos seus 32 recordes e suas 28 medalhas. Phelps começou a nadar cedo, aos sete anos. Diagnosticado com Transtorno de Déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), resolveu procurar seu foco nas piscinas, após o incentivo das irmãs que praticavam natação. Aos 11 anos, encontrou o técnico e segundo pai Bow Bowman e começou a treinar na North Baltimore Aquatic Club, clube que ficava na Universidade de Michigan. Pelo medo que tinha de colocar a cabeça de baixo d’água, o primeiro estilo de nado que aprendeu foi o de costas. E o que uma distração, virou uma paixão.

Aos 10 anos, o atleta quebrava seu primeiro recorde, de natação nacional no nado borboleta de 100m, com o tempo de 1 minuto 8 segundos e 54 milésimos. Nos anos 2000, aos 15 anos, se classificou para as Olimpíadas, que ocorreu em Sydney, Austrália, e se tornou o nadador americano mais jovem a competir em Jogos Olímpicos em quase 70 anos. E ficou em 5º lugar nos 200m borboleta.

De menino prodígio aos escândalos

Menino Prodígio e Tubarão de Baltimore são alguns dos elogios que a imprensa concedeu a Phelps, após o atleta ganhar, rapidamente, muita popularidade. Apontado ainda, como o nadador de maior projeção da história. Em 2003, com 18 anos, bateu oito recordes mundiais em 41 dias no Mundial de Barcelona e garantiu três medalhas de ouro. Aos 19 anos, em Atenas, no ano de 2004, o atleta virou um fenômeno mundial. De oito provas, conquistava o ouro em seis delas. Porém, no mesmo ano foi preso por dirigir alcoolizado em Salisbury, Maryland. Ganhou a liberdade condicional até o julgamento, onde foi considerado culpado com pena de 18 meses de serviços prestados à associação Mothers Against Drunk Driving (‘’Mães contra Alcoolizados no Volante’’) e a multa de 250 dólares no decorrer da sua pena.

De 2004 a 2008, estudou na Universidade de Michigan e se formou em Marketing Esportivo e Gerência. No ano de 2008, nas Olimpíadas de Pequim, o atleta evitou comparecer à cerimônia de abertura, por estar focado demais. Das provas disputadas, garantiu a marca extraordinária de oito medalhas de ouro e bateu o recorde nas provas de 400 metros medley individual, no revezamento 4×100 estilo livre, nos 200 metros livres e nos 200 metros borboleta. Michael se tornava um ícone global. Não havia quem não ouvisse falar do famoso ‘homem peixe’. Na época, Phelps se definiu como deslumbrado com o que estava acontecendo.

No vídeo a Under Armour, empresa de equipamentos e roupas esportivas, realizou uma campanha global com Phelps, com o slogan ”É o que você faz nos bastidores que te coloca no holofote”. O conceito era mostrar como é o sacrifício dos atletas nos períodos de treinamento. 

Aposentadoria precoce

Em meio à fama, o nadador começou a ‘curtir a vida’. O esporte ficou de lado. Em 2009, uma foto sua em uma festa vazou para a imprensa. Na foto ele apareceu fumando Bong (aparelho usado para fumar qualquer tipo de erva). O escândalo lhe rendeu três meses de suspensão. O atleta estava tão desleixado com a rotina que o técnico Bob criou a ‘’sexta amiga’’, onde os amigos que não eram atletas participavam dos treinos para estimular o nadador. Porém, ele admitiu, no ano de 2015, para a revista Sports Ilustrated, que nem sempre dava certo, pois perdia dois treinos por semana, por não querer ir. Preferia trocar os treinos por viagens a Las Vegas, partidas de golfe e dias de sono.

A relação com o técnico ficava cada vez pior. Em uma das brigas entre os dois em um estacionamento do centro aquático, ambos mostraram o dedo do meio. Bob chegou a arrebentar um relógio contra a parede. Phelps só voltou aos treinos dez dias depois, quando teria uma entrevista ao vivo para o canal NBC.

Michael Phelps comemora a medalha nas Olimpíadas de Londres em 2012 (Foto: Christophe Simon/AFP/ Divulgação)

Michael Phelps comemora a medalha nas Olimpíadas de Londres em 2012 (Foto: Christophe Simon/AFP/Divulgação)

Mesmo deixando o esporte de lado, nas Olimpíadas de Londres, em 2012, o nadador se tornou o atleta mais medalhado da história dos Jogos Olímpicos, pelas 22 medalhas obtidas nos três jogos disputados. Após os jogos, anunciou sua aposentadoria, que ao invés de paz, lhe trouxe noitadas e cada vez mais escândalos.

Na época o nadador declarou que a separação conturbada entre os pais e os mais de 9 anos sem ter contato com o pai lhe traziam muita angústia. O estopim foi em setembro de 2014, quando foi detido por dirigir bêbado, em alta velocidade na sua cidade natal, Baltimore.

Phelps estava viciado em apostas e álcool, e apresentava sintomas de depressão. Nesta fase, pensou em cometer suicídio, conforme declarou para a revista norte americana ESPN, além de ter permanecido no quarto, trancado por cinco dias sem comer, nem dormir. Os problemas iam além da falta de vontade de treinar. A relação conturbada com o pai agravou a situação. Familiares e amigos, principalmente o astro da Liga de Futebol Americano, Ray Lewis, lhe disseram para lutar e não desistir. Então, Phelps se internou na Meadows, clínica de reabilitação comportamental, onde ficou por 45 dias sem contato com o mundo exterior.

À volta as piscinas

Ao sair da clínica, ressurgiu um novo Phelps. Reconciliou-se com seu pai, pediu a namorada de longa data Nicole Johnson em casamento e nada de reclusão ou má conduta. O atleta se abriu como nunca, revelando mentiras e fraquezas, para enfim, voltar às piscinas com todo seu antigo potencial.

O diferencial do nadador são suas medidas invejáveis. Ele possui 1,93 de altura, envergadura de 2,01, acima do normal para o seu tamanho e maior que sua própria altura. E pés, que medem 29,8 cm, nº 43, verdadeiros pés de pato. Além dos pés, seus tornozelos são mais flexíveis que o da maioria das pessoas, pois conseguem dobrar 15 graus a mais que o normal. O corpo do atleta é tão desenvolvido para o esporte que suas medidas correspondem a de um bailarino clássico. Quando disputa alguma prova ele conta o número de braçadas para calcular a distância até a borda e assim não perder tempo. Além disso, é capaz de se recuperar mais rápido dos exercícios físicos que os demais competidores. Isto é explicado pela eliminação de ácido láctico.

Phelps reencontra seu foco (Foto: Getty images)

Phelps reencontra seu foco (Foto: Getty images)

Após exercício intenso o ácido se move para a corrente sanguínea e se torna lactato (produzido após a queima de glicose). Os altos níveis de lactato no corpo causam fadiga e retardam a recuperação física. No entanto, se o corpo conseguir reduzir os níveis de lactato mais rápido, mais ágil é a recuperação e melhor o desempenho. E é isso que ocorre com Phelps. Para se recuperar dos treinos, o atleta tem uma dieta de 12.000 calorias, o equivalente a cinco vezes a alimentação de um adulto médio. O lado ruim é a ingestão de colesterol e sódio serem, respectivamente, 14 e 15 vezes superior ao limite recomendado pelos médicos.

Aposentadoria nas Olimpíadas do Rio 2016

Por querer ter mais tempo para passar com sua família e seu filho de dois meses Boomer, Michael Phelps afirmou à SporTV que encerrou a carreira com a sensação de dever cumprido. Nas olimpíadas a mulher e o filho o acompanharam em todas as provas, torcendo na arquibancada. No último ato de sua carreira, vemos um atleta renascido, mais feliz e menos competitivo quanto sempre foi. O americano levou para casa cinco ouros e uma prata, respectivamente, nos 4x100m livre, 200m borboleta, 200m medley, 4×100 medley e 100m borboleta. Que lhe custaram em impostos cerca de R$ 175 mil. Isto porque atletas de elite como ele estão na faixa tributária superior a 39,5%. E cada atleta olímpico americano recebe um prêmio por cada medalha. A de ouro vale R$ 80 mil, a de prata R$ 48 mil e a de bronze R$ 32 mil.

Aos 31 anos e aposentado, Phelps não decepcionou. Mostrou o velho Tubarão de Baltimore, em ação e a todo vapor, só que dessa vez, em paz, no seu foco perfeito, as piscinas. E sobre futuro, o fenômeno das águas não faz ideia do que acontecerá. É assim que se encontra a mágica de ter tempo.

FONTES CONSULTADAS:

SPORTV. ”Encerrei a carreira do meu jeito”, diz Michael Phelps após levar o 23º ouro. Disponível em: http://sportv.globo.com/site/programas/rio-2016/noticia/2016/08/encerrei-carreira-do-meu-jeito-diz-michael-phels-apos-levar-o-23-ouro.html. Acesso em: 11 out. 2016.

FRANCESCHINI, Gustavo. O homem que não falha. Disponível em: http://www.uol/olimpiadas/especiais/atletas-celebridade—michael-phelps.htm. Acesso em: 11 out. 2016.

FORDYCE, Tom. Da depressão ao Olimpo: as cinco fases da Odisséia de Phelps. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37028511. Acesso em: 11 out. 2016.

UTSUMI, Igor. Phelps pagará R$ 175 mil em impostos por medalhas da Rio-2016; entenda. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/08/1802562-phelps-pagara-r-55-mil-em-impostos-por-medalhas-da-rio-2016-entenda.shtml. Acesso em: 11 out. 2016.

MEDEIROS, Renata. 14 fatos sobre Michael Phelps que vão deixar você de queixo caído. Disponível em: http://segredosdomundo.r7.com/14-fatos-sobre-michael-phelps-que-vao-deixar-voce-de-queixo-caido/. Acesso em: 11 out. 2016.

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