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Para Glauco Pasa, jornalista deve se preocupar em contar uma história “bem contada”

por Danrley Gonçalves | darnleygoncalvesm@gmail.com

Jornalista formado em 1996 pela Universidade Federal de Santa Maria, Glauco Pasa começou a estagiar na RBS TV já no segundo semestre do curso. Teve passagens por outras emissoras, como a afiliada do SBT no Paraná, mas logo voltou a trabalhar na RBS TV, onde está até hoje. Ao longo de 25 anos de carreira Glauco acumulou diversos prêmios e participou de coberturas marcantes como o Mundial conquistado pelo Inter em 2006. O repórter conversou com o UniRitter Esporte sobre o jornalismo esportivo e os desafios da profissão.

Quando tu escolheste o jornalismo?
Não foi planejado, tinha uma certa facilidade para escrever e achei que poderia me favorecer a ponto de vista de uma profissão, por isso escolhi jornalismo.

Tu pretendias trabalhar com o jornalismo esportivo?
Eu entrei porque era a única vaga que tinha na época, mas eu gostei muito. Fique um ano no esportivo e seis anos na cobertura de geral. Eu só voltei para Porto Alegre (de Foz do Iguaçu, onde trabalhou na afiliada do SBT no Paraná) porque eu gostei de fazer jornalismo esportivo, porque a proposta era para trabalhar com isso.

Wimbelemdon/Divulgação

Glauco entrevista atleta do projeto Wimbelemdon em fevereiro de 2014 para uma matéria do extinto RBS Esporte, da RBS TV

Quais os fatos que mais chamaram tua atenção na carreira?
Com certeza o Mundial do Inter em 2006 porque foi uma cobertura extenuante, muito difícil. As condições tecnológicas ainda não eram boas. Apesar de ser no Japão, tinha muita dificuldade de mandar material. A gente chegou não imaginando que o Internacional poderia ser campeão, as coisas estavam se encaminhando para uma direção e acabaram indo para outra. A exigência foi muito maior. É uma coisa que me marcou porque eu consegui entrar em todos os telejornais em nível nacional. É gratificante para o jornalista. Eu já tinha oito anos de RBS, mas ainda tinha dificuldade para entrar na Globo. Isso me marcou muito.

Algum fato negativo que tenha te chamado a atenção?
Toda vez que eu tenho que falar de brigas de torcida. Não admito, é muito ruim trabalhar tendo que falar sobre isso.

Arquivo pessoal

Em 2014, ao lado do cinegrafista Jorge Duarte, Glauco conquistou o segundo lugar no Prêmio Ari de Telejornalismo Esportivo com um programa especial sobre a trajetória do ex-jogador do Grêmio e da seleção brasileira Everaldo

Qual a principal qualidade de um jornalista esportivo? O que você diria para quem está começando?
Humildade. Ele tem que observar muito. A principal escola para quem quer ser um bom jornalista é ver o que está acontecendo. E não só na faculdade, ele tem que observar televisão, rádio, jornal, a mídia de internet… e colher daí os melhores valores que ele achar. O bom repórter de televisão em quem que ele pode se inspirar, o bom repórter de jornal… quais lições ele pode tirar. A humildade faz com que a pessoa cresça. E na televisão, que é o meio em que eu trabalho, as pessoas acham que tem algum superpoder. A vaidade é muito forte. E esses jornalistas perdem a noção que eles apenas fazem parte de um engrenagem, que eles estão ali apenas para contar uma história bem contada e assim ser reconhecido.

Como tu vês o jornalismo esportivo no Brasil?
A gente está num processo de transformação num modo geral. Porque tem a questão do entretenimento, que se misturou muito com o jornalismo esportivo. Hoje é impossível falar só em jornalismo esportivo sem falar de entretenimento. Nosso público quer mais e a gente tem que se adequar a essa nova realidade. O público que está vendo esporte é aquele que vê estatística, curiosidade sobre o jogo. Mas a gente tem que saber dosar o jornalismo e o entretenimento.

Como tu vês a entrada da internet no jornalismo esportivo? Ela é mais positiva ou negativa?
Tem os dois aspectos. Foi uma transformação que veio para favorecer os meios de comunicação, hoje nós conseguimos mandar de qualquer parte do mundo imagens pela internet, não só áudios, que pesam muito mais; hoje a cobertura ficou muito mais facilitada. É incrível como o torcedor consegue a informação muito mais rápido pela internet e como ela consegue criar informações que no meu ponto de vista são irrelevantes, mas que ganham um público consumidor justamente por ter essa facilidade de comunicação. Hoje a internet fala do “xixi” do Douglas dando tanta importância quanto o resultado do jogo, ou como foi o jogo. A internet é tão abrangente que ela consegue falar do essencial e muito do periférico, que é o “xixi” do Douglas. Mas tem um público que consome. Isso para mim não é jornalismo, mas a internet faz uso. E aqui não vai uma crítica direta e sim uma constatação que apropria o torcedor de uma informação que não é fundamental, mas que vem do interesse do consumidor.

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