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Pinga, um campeão em busca de cidadãos

por Guilherme Wunder | guilherme-ws@hotmail.com

O Sport Club Internacional viveu os seus tempos mais difíceis entre as décadas de 1980 a 2000, quando quase caiu para a segunda divisão do campeonato nacional. Talvez o momento de maior glória do time vermelho e branco tenha sido conquista inédita da Copa do Brasil. Em um jogo trágico, decidido por um pênalti até hoje duvidoso, aconteceu a confirmação da volta por cima do zagueiro Jorge Luís da Silva Brum, popularmente conhecido como Pinga.

O atleta, revelado pelas categorias de base do Internacional, surgiu no início dos anos 80 como uma grande promessa da zaga colorada. Mas foi em 1984 que confirmou as expectativas quando, ao lado de Mauro Galvão, formou a defesa da seleção brasileira que disputou os Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984. Na ocasião o Brasil perdeu a final para a França.

A seleção olímpica em Los Angeles-1984. Em pé: Pinga, Gilmar Rinaldi, Mauro Galvão, Ademir, Ronaldo e André Luis; agachados: Tonho, Dunga, Kita, Gilmar Popoca e Silvinho

A carreira se valorizava a cada dia e o atleta chegou até a ser cogitado para a Copa do Mundo de 1986. Mas foi aí que o grande drama de sua jornada aconteceu. Em um clássico Gre-Nal válido pelo Campeonato Gaúcho de 1987, o zagueiro Pinga rompeu todos os ligamentos do joelho em uma dividida com o atacante gremista Fernando.

O drama e a volta por cima

Gaúcho, nascido em Porto Alegre, Pinga conta que a lesão era de um grau tão elevado que não existiam sequer tratamentos e registros desse tipo na medicina brasileira – tanto é que o atleta teve que viajar algumas vezes para os Estados Unidos para realizar exames: “Nesse período eu li e ouvi várias vezes que eu não seria uma pessoa normal, que andaria com dificuldade e que o futebol acabava ali para o jogador Pinga”, relembra o ex-zagueiro do Inter.

O jogador conta que ficou dois anos e três meses longe dos gramados, somente realizando tratamentos médicos, cirurgias e fisioterapia. Com a carreira dada como encerrada por médicos e imprensa, Pinga encontrou força e motivação na família para dar essa volta por cima. “O meu filho, que tinha apenas três meses de idade na época, ficou a semana inteira que permaneci em repouso da cirurgia lá comigo, no hospital. Quando eu olhava para o berço e via aquela criança inocente participando de tudo aquilo comigo, que tirei força e motivação pra reverter aquela situação e dar a volta por cima”, conta Pinga.

Em 1991, o gaúcho, já com 26 anos, voltou aos gramados pelo Ituano, e logo em seguida retornou ao Internacional. Pinga sofreu o pênalti que daria o título inédito da Copa do Brasil de 1992 ao colorado. Após esse período, o zagueiro passou por alguns clubes do país, com destaque para Corinthians, Paysandu e Fortaleza. O atleta encerrou a carreira em 2000, pelo Serrano, do Rio de Janeiro.

A aposentadoria e os novos projetos

Após a aposentadoria o atleta ficou por alguns anos longe dos holofotes, mas em 2005 Pinga iniciou um novo projeto com o esporte. Dessa vez o agora ex-zagueiro começou a trabalhar em um projeto social na periferia de Porto Alegre, onde com o futebol ele tenta tirar crianças e jovens das ruas e inseri-los na sociedade: “Nesse programa que fiz parte pude acompanhar de perto a evolução desses alunos e cidadãos de bem e incluídos em uma sociedade como boas pessoas”, conta Pinga.

Lucas Zeni/UniRitter Esporte

Pinga é funcionário do Internacional e trabalha em projetos de inclusão social por meio do futebol

Desde 2014 Pinga também está envolvido em outro projeto social, agora na cidade de Alvorada, uma das mais carentes do estado. A parceria entre o Sport Club Internacional e a Prefeitura de Alvorada realiza três vezes por semana a escolinha de futebol para crianças e jovens. O treinamento é realizado de forma gratuita, no campo do São Caetano, localizado no bairro de mesmo nome, próximo ao centro do município.

“Infelizmente a nossa realidade, principalmente para as crianças e jovens, se dá pelo medo de que essas pessoas acabem caindo no mundo das drogas. E essa é a minha preocupação e a preocupação de muitos professores, educadores e pessoas mais experientes de vida compartilham. E essa não é só uma realidade de Alvorada, mas sim de todo o Rio Grande do Sul e Brasil”, fala o ex-atleta e hoje funcionário colorado.

O projeto foi idealizado pela Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer da Prefeitura de Alvorada, em convênio com o Inter. As inscrições ainda estão abertas e podem ser realizadas no Ginásio Poliesportivo Djalma Neves – rua Vasco da Gama, 560, bairro São Caetano, das 9h às 12h e das 13h às 17h. Ainda restam vagas para crianças de 10 a 12 anos na parte da manhã.

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