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Presidente do São José projeta clube “top de linha” e defende contas em dia no futebol

por Aleksander de Araújo e Adrienne Cardoso | aleksander.araujo@gmail.com e adrienne.jornalismo@gmail.com

Milton Vaz era uma criança comum, apaixonada por esportes, como quase todos os meninos de sua idade. Amava o futebol e tinha o sonho de ser jogador. Ele até chegou a ser goleiro do Grêmio na década de 70, mas o seu destino não foi exatamente como ele esperava; o envolvimento com o esporte deu-se ainda como titular, mas não em campo. Na década de 80 ele se tornou sócio do Esporte Clube São José e foi convidado para ser diretor de futsal. Depois, assumiu a diretoria de patrimônio e a diretoria geral de esporte amador. Milton foi crescendo pouco a pouco, fortalecendo a credibilidade e construindo uma gestão estratégica, conseguindo prêmios e vencendo torneios. Em 2013, o mesmo ano em que o São José foi campeão da Taça Centenário (copa disputada entre os quatro clubes gaúchos que completavam 100 anos no ano vigente), ele assumiu a vice-presidência. Até que, em 2015, Milton se tornou presidente. Hoje, Milton Vaz ainda participa de esportes para veteranos, além de jogar bocha, futebol de mesa e xadrez. Todos esses esportes praticados, é claro, no clube.

Como foi o caminho até a presidência do Esporte Clube São José?

Em 1982 comecei como participante, antes o clube não era tão organizado e me convidaram para ser sócio. Passei a gostar! Comecei a participar efetivamente e me colocaram como conselheiro. Eu já tinha experiência coordenando times de várzea em Cachoeirinha, fui campeão e vice-campeão, então por isso que foi fácil para mim. Em 2006 me colocaram como dirigente de futsal. Com a primeira equipe que eu coloquei, já fomos campeões metropolitanos, então eles (a direção geral) passaram a acreditar na minha administração. Depois, como diretor de patrimônio, comecei a modificar, começou a fluir e me deram o cargo de diretor geral de esportes. No ano retrasado eu fiquei em transição: dois anos como vice-presidente e, agora, dois anos como presidente, iniciados neste ano, no dia quatro de janeiro.

Aleksander de Araújo/UniRitter Esporte

Na sala da presidência do São José, a flâmula do clube ocupa um lugar de destaque

Como é a rotina no clube?

Chego de manhã, vejo os funcionários, dou as tarefas. Vou no futebol, vejo como está andando. Tem a comissão técnica, o treinador e o auxiliar técnico, nós fazemos uma reunião pois sempre mandam currículos de atletas, então analisamos e falamos com os jogadores quando gostamos.

Nós nunca vimos o São José na mídia com problemas de dívidas, é interessante porque na maioria das vezes um clube opera com débitos. Como o clube consegue se manter ativo?

É um ciclo, o clube é uma instituição filantrópica, não visamos lucro. Nós temos aluguéis, churrascaria, lojas… nós temos uma tabela, um cronograma, sabemos quanto entra e até onde a gente pode ir. Não passamos. Nós não fazemos o campeonato com mais do que a gente tem. As contas devem estar em dia. “Ah, mas assim teu time não vai ser campeão”, as pessoas dizem. Mas nós não ficamos devendo. Se tu ligares para um jogador e convidar para jogar aqui, ele vem correndo, pois sabe que aqui ele recebe, mesmo que seja pouco. O salário é fiel. Somos rigorosos nos pagamentos, não devemos nada para ninguém. A filosofia de quem vem para direção é não dever para ninguém, para não ficarmos no negativo. Não se vê na mídia “São José deve para jogadores”, pois não devemos. Nós temos o patrocínio da TV, colocamos propaganda no estádio e no site, o pessoal vai contribuindo.

E a renda do público nos jogos?

Fica em segundo plano. Depende de como está o time. Se o time está bem, enche. Se está mal, fica vazio o estádio. É um recurso extra.

Como é a relação com a torcida organizada?

Eles cobram o desempenho da equipe, não tanto, mas sempre cobram. É proporcional. Quando brigam eu reduzo os ingressos e tenho controle deles. Há uma boa relação, estamos agregando, a torcida organizada está se associando. É uma relação de completa amizade. Sempre tem uma pequena confusão, mas isso é normal. É um clube pequeno, se tu torceres tem que torcer mesmo, senão não anda. Qualquer torcida pequena é fanática pelo seu próprio clube. Aqui não é diferente.

Aleksander de Araújo/UniRitter Esporte

Quadro com o time que conquistou o título da Taça Centenário em 2013 também tem um lugar de destaque na sala do presidente do clube

Qual a mensagem que você passa antes de a equipe jogar contra times de maior expressão como Grêmio e Internacional? É diferente ou é apenas mais um jogo?

Tem sim uma imagem diferente que eu passo, até para motivar mais. Eu falo para eles não ficarem pressionados. Quando se joga com um time grande, são jogadores que ganham R$ 750 mil. Aqui é R$ 15 mil! Eles tentam diminuir os jogadores daqui, mas eu falo que eles tem que mostrar o seu trabalho e não se abalar com as provocações, que são homens como eles. Nós não pedimos nada diferente para os jogadores, em matéria de jogo, só coisas que eles já fizeram, apenas queremos que eles se sintam mais aguerridos. Eu sempre vou no intervalo no vestiário, eu vou em todos os jogos (só alguns que eu não posso ir), falo com os jogadores dias antes. Eles precisam ser motivados e ver o presidente os empolga.

Como funciona a parceria com o futebol americano (o clube se associou ao time do Porto Alegre Bulls em 2014)?

Eles precisam da estrutura. Nós damos isso, o apoio logístico e disponibilizamos a van. A vantagem que nós vimos é que o nosso campo é sintético e por isso funciona. Em outro gramado o custo é muito alto quando estraga. E o campo do Zequinha é grande, eles vem treinar. Futuramente, se a federação quiser, aqui vai estar disponível para jogos, campeonatos,… para nós não tem problema.

São José Bulls/Naian Meneghetti/Divulgação

Desde 2014 o Porto Alegre Bulls leva o escudo do Esporte Clube São José no futebol americano

E a participação do Zequinha em outros esportes?

No basquete, a equipe foi campeã metropolitana, campeã Federaclubes. No vôlei, foram campeões no Federaclubes e terceiro lugar no Brasileiro Master Clubes, além de outros títulos. Na patinação, sempre conquistando títulos. No hóquei sobre patins também já teve e o futsal já está funcionando para a temporada.

Quais são os futuros projetos do clube?

O projeto é otimizar os esportes e tocar em frente, fazer funcionar. O mandato é curto, eu tenho que fazer funcionar, não posso demorar. Quero deixar o clube “top de linha”. Eles cobram que eu informatizo demais, que antes era uma porta e agora tem que “colocar o dedo” (biometria). Eu quero que os sócios se sintam bem, para eles virem sempre. Eu vim crescendo como no colégio, fazendo trabalhos, os professores vão te aprovando e no final eles te dão o diploma.. eu cheguei ao maior até agora, a presidência do São José. Agora meu futuro pode ser na Confederação Gaúcha de Futebol, na CBF… (risos)!

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