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Projeto da Prefeitura de Porto Alegre aposta na inclusão por meio do esporte

por Camila Delvaux | camiladelvaux93@gmail.com

O Social Esporte Clube, projeto da Secretaria Municipal de Esportes de Porto Alegre (SME), começou em 2005 com o coordenador Ernesto Dorneles. Deu tão certo que até hoje ele está em alta com a criançada. Desde 2010, quando Dorneles deixou a pasta, Magda dos Santos assumiu a responsabilidade. Mais do que ninguém, ela conhece o poder do esporte em transformar realidades: é mãe de Daiane dos Santos, a maior ginasta brasileira de todos os tempos.

Magda reconhece que é difícil trabalhar em um país em que o único esporte com investimentos sérios é o futebol, porém afirma que a motivação de permanecer na iniciativa é presenciar a realização de cada criança dentro do esporte. “Até hoje passaram mais de 4.500 crianças pelo projeto. Vejo cada história de superação que sei que nada tem esse poder além do esporte”, afirma Magda.

Blog Miriam Suhre/Divulgação

Magda dos Santos, coordenadora do Social Esporte Clube, é mãe da ex-ginasta Daiane dos Santos

O objetivo do Social Esporte Clube é a inclusão social de crianças carentes. No esporte, elas começam a aprender a se organizar, cuidar do outro, respeitar, trabalhar em equipe e se socializar dentro de um clube. Quatorze clubes colaboram com o projeto: AABB, ACM, Lindóia Tênis Clube, Planet Ball, São José, SESC, Caixeiros Viajantes, Geraldo Santana, Fundação Tênis, Gondoleiros, Grêmio Náutico União, Grêmio Náutico Gaúcho, Sogipa e Sociedade Hípica Porto-Alegrense.

Como o Social Esporte Clube se desenvolve em clubes que investem  no esporte de alto rendimento, muitas crianças acabam se destacando. “Algumas crianças que entram já são atletas e outras vão aprender a ser tornar um. Dentro dessas crianças temos vários destaques. Um deles é atleta da Sogipa, Samory Uiki, de 17 anos, que pratica o atletismo na modalidade de salto em distância e já está selecionado para participar do treinamento para as Olimpíadas de 2016”, conta Magda. Samory terminou 2013 como o terceiro melhor colocado no ranking mundial de menores da IAAF, a Federação Internacional de Atletismo, e é reconhecido como uma das principais apostas da nova geração brasileira da modalidade.

A distribuição dos clubes para as crianças se dá de acordo com o número de vagas disponíveis e depende do esporte escolhido. A SME sempre encaminha para uma atividade próxima à casa da criança, assim ela gasta menos com deslocamento. Além disso, a secretaria tem um acompanhamento desses jovens dentro da escola. Se eles estão crescendo o rendimento ou mantiveram boas notas, permanecem no projeto. E, caso a criança se destaque, o clube também pode solicitar a permanência, como aconteceu com Emily Vitória Ricardo, da ginástica artística do Grêmio Náutico União.

Sogipa/Divulgação

Atleta da Sogipa, Samory Uiki foi revelado pelo projeto Social Esporte Clube

Aos nove anos, Emily está há quatro meses no projeto e já chama a atenção nos torneios. Recentemente ela participou do Campeonato Brasileiro pré-infantil e juvenil de ginástica artística em Garulhos (SP). “A nossa função é fazer a inclusão dessas crianças dentro do esporte. A história de vida dessa menina é incrível, ela já é uma campeã”, conta, emocionada, a coordenadora do Social Esporte Clube. Órfã, a futura ginasta foi adotada por uma família que conheceu no Grêmio Náutico União.

Magda deixa uma mensagem importante e que faz refletir sobre o motivo do esporte ser tão especial na vida das pessoas de alguma maneira. Ela, que é mãe da maior ginasta do Brasil, fala sobre como no esporte não tem discriminação. “Não existe preconceito. Ali as pessoas negras, brancas, pobres, ricas, homossexuais ou não, mostram o seu talento e brilham. E o esporte causa isso. Ele tem o poder de fazer a diferença”, diz Magda.

Podem participar do Social Esporte Clube crianças e adolescentes entre seis e 17 anos que tenham renda familiar de até três salários mínimos. O tempo máximo de permanência no projeto é de três anos.

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