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Projeto de surfista gaúcho une esporte e sustentabilidade

por Débora Neto | deboraneto.jornalismo@gmail.com

Ser um surfista gaúcho e não conhecer Jairo Lumertz é como jogar futebol no Brasil e não conhecer Ronaldo. Qualquer um que entra no mar gélido e escuro do litoral do Rio Grande do Sul, ouve as histórias de um dos primeiros gaúchos a encarar as melhores ondas do mundo. Não por acaso, Jairo é um dos principais nomes do esporte no estado.

Radicado na praia de Imbé, Jairo já surfou no Havaí, El Salvador, Argentina, Uruguai, Peru e Chile, além de muitas outras praias brasileiras. “Comecei a surfar aos 11 anos e ao longo de minha vida estive em vários lugares. Porém, o melhor lugar para se estar é sempre na praia de origem, junto de meus amigos”, conta o surfista.

Arquivo pessoal/Jairo Lumertz

Jairo com as crianças do projeto Prancha Ecológica

O começo no esporte foi difícil. Incentivado pelo irmão, ele teve que trabalhar durante um ano na oficina da família para pagar a sua primeira prancha. Reflexo disso é que, hoje, aos 41 anos, Jairo desenvolve um projeto de surfe voltado para jovens com menos condições financeiras, o projeto Prancha Ecológica.

Segundo Jairo, a ideia surgiu em uma viagem internacional, quando ele resolveu montar uma prancha usando garrafas PET. Ao retornar ao Brasil, o surfista conheceu a atual esposa, Carolina Scorsin, que ficou encantada com a proposta e decidiu levá-la adiante. Com isso, os dois começaram a montar o projeto, com o qual eles passariam por várias escolas do país incentivando a prática do esporte e a sustentabilidade.

Além disso, seriam feitas oficinas para a confecção da prancha e workshops capacitando professores que tivessem interesse em levar o projeto às suas escolas. “Fez tanto sucesso que as pranchas de garrafas já são vistas por várias regiões do Brasil. Sempre tive vontade de participar de alguma atividade com os jovens e este projeto caiu como uma luva”, conta, orgulhoso.

Projeto foi destaque nacional em reportagem da Rede TV!

O surfista relata que a prancha, equipamento básico para a prática do esporte, é cara. Portanto, além de estimular a reciclagem, o projeto proporciona oportunidades no surfe e no stand up paddle para todos. “É uma ótima ferramenta de educação ambiental e ainda traz benefícios para o corpo, físicos e psicomotores, na hora da montagem. Engloba tanto aqueles que não tem condições, quanto os profissionais de esporte que sentem a necessidade de experimentar novos desafios”, destaca Jairo.

Divulgação

Prancha ecológica já passou por diversos estados do Brasil como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Tocantins

A prancha ecológica já passou por diversos estados do Brasil como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Tocantins. O projeto já realizou dois festivais com as pranchas de garrafa PET, em Garopaba, e retirou em torno de 7 mil garrafas que estavam poluindo a natureza. O casal também criou a associação Eco Garopaba e atendeu mais de 6 mil crianças.

Jairo ainda quer fazer muito para incentivar suas duas paixões, o surfe e a natureza, e vê no projeto a esperança de um planeta mais limpo. “Vimos crianças carentes com vontade de viver e, às vezes, sem condições dignas de um ser vivo. Vemos um Brasil poluído e com um esquecimento fatal da Amazônia. Seguimos com toda força, acreditando sempre nas novas gerações para juntos conquistarmos um mundo melhor”, diz.

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