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Rafaela Silva: do preconceito ao ouro

por Luísa Meimes | luisameimes@gmail.com | edição de Robson Hermes | robsonhermescolombo@gmail.com

Com família e amigos na arquibancada, Rafaela Silva ganhou o ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (Foto: Geraldo Bubniak/AGB)

“Desde pequenas nós temos que conquistar nosso espaço. A gente merece respeito.”
Rafaela Silva em entrevista à TV Folha

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Rafaela Silva posa ao lado de seu treinador, Geraldo Bernardes. (Foto: Tiago Campante/CBJ)

Nas Olimpíadas de Londres 2012, Rafaela Silva, com apenas 19 anos de idade, já era uma esperança de medalha para o Brasil, mas acabou sendo desclassificada por aplicar uma “catada de perna” contra a adversária húngara, um golpe ilegal, proibido há três anos pela Federação Internacional de Judô.

A derrota foi seguida de xingamentos como “macaca” e diversos outros comentários racistas nas redes sociais, que abalaram a atleta. Quatro anos depois, a primeira medalha de ouro da Rio 2016 veio para Rafaela Silva e a memória da agressão veio com êxtase e choro em declaração à TV Globo: “O macaco que tinha que estar na jaula hoje é campeão”. A conquista deu ao Brasil um menu variado de interpretações, para todo tipo de gosto político e ideológico.

Rafaela Lopes Silva iniciou no judô aos cinco anos de idade, no Instituto Reação, projeto social criado pelo ex-judoca Flavio Canto, localizado na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Com o apoio de seu primeiro treinador, Geraldo Bernardes – atual treinador da seleção olímpica de refugiados – Rafaela foi se destacando e canalizando sua agressividade, motivo de seus pais a colocarem no esporte, e em 2008 iniciou suas conquistas no judô. Nascida e criada na comunidade Cidade de Deus, localizada na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, Rafaela Silva diz que nunca deixou a situação de sua família a afetar e pretende passar para outras crianças o que lhe foi passado.

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Campeã olímpica, Rafaela Silva e sua namorada torcem pela seleção feminina no Maracanã (Foto: Reprodução/Instagram)

Depois de contar com apoio psicológico, se “desligar” das redes sociais para conseguir se recuperar e quase desistir do judô inúmeras vezes após sua derrota em Londres, hoje com 24 anos, Rafaela Silva retomou sua carreira e conquistou medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016. A atleta concorda que sua vitória atual serve como mais um exemplo de superação no esporte. Rafaela comentou emocionada ao Sportv que treinou muito para alcançar a medalha: “Eu treinei muito, não queria mais aquele sofrimento de Londres. Depois da minha derrota, muita gente me criticou, disse que judô não era para mim e que eu era uma vergonha para a minha família. Agora eu sou campeã olímpica dentro da minha casa”.

A carioca disse em entrevista à TV Folha que o esporte feminino está crescendo cada vez mais, afirmou também, que desde que uma mulher nasce ela tem que conquistar seu espaço e que o esporte acaba dando mais visibilidade às mulheres “não é por ser mulher que não podemos fazer o que a gente quer”. Rafaela namora atualmente a ex-judoca Thamara Cezar e não vê problema em falar sobre o assunto nem em ser referência no esporte por ter vindo da periferia do Rio de Janeiro, ser mulher, negra e lésbica e mostra, não somente ao Brasil, mas ao mundo, que seu nome é sim um dos maiores tesouros do esporte nacional e que ela não veio para brincar.

FONTES CONSULTADAS:

ASTUTO, Bruno. Medalhista Rafaela Silva fala da namorada “Sou das meninas, ela me acompanha”. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bruno-astuto/noticia/2016/08/medalhista-rafaela-silva-fala-da-namorada-sou-das-meninas-ela-me-acompanha.html. Acesso em: 18 out. 2016.

TENÓRIO, Cibele. Conheça histórias de superação de mulheres medalhistas da Rio 2016. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/rio-2016/noticia/2016-08/conheca-historias-de-superacao-de-mulheres-medalhistas-da-rio-2016. Acesso em: 18 out. 2016

SACRAMENTO, Marcos. A medalha de Rafaela Silva, gay assumida, é um golpe na homofobia dos quartéis. Disponível em: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-medalha-de-rafaela-silva-gay-assumida-e-um-golpe-na-homofobia-dos-quarteis-por-marcos-sacramento/. Acesso em: 18 out. 2016.

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