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Rebeca Andrade: o salto de uma infância pobre às Olimpíadas

por Giordana Cesari | gio-cunha@hotmail.com

Rebeca Andrade nos Jogos do Rio-2016 (Foto: Mike Blake/Reuters)

Nascida em Guarulhos (SP), filha de uma empregada doméstica e com mais sete irmãos, Rebeca Andrade iniciou a carreira com apenas quatro anos, quando sua tia decidiu levá-la ao ginásio no qual trabalhava. Depois disso, ela nunca mais abandonou o esporte. Rebeca vivia com a família em uma casa alugada. Com oito anos, teve que dizer ‘até logo’ e caminhar em busca de seu espaço na ginástica artística. Morou com a tia, com a coordenadora do ginásio e, em 2013, se mudou com a técnica Kelly Kitaura para o Rio de Janeiro em busca de um espaço para treinar.

A pequena ginasta treina desde os seus quatro anos (Ricardo Bufolin / CBG)

Rebeca treina desde os quatro anos (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)

Os obstáculos da vida de ginasta
Como todo atleta de alto rendimento, Rebeca também teve lesões ao longo da carreira. Em 2014, teve duas lesões sérias no tornozelo, mas isso não foi motivo para a perda de seu sorriso e, acima de tudo, o sonho de competir em uma Olimpíada.

Porém, em junho de 2015, no treino, ela rompeu o ligamento cruzado do joelho direito. Mais uma cirurgia, e essa demandava seis meses de recuperação. Isso queria dizer que Rebeca estava fora dos Jogos Pan-Americanos de Toronto e do Mundial da Escócia. Essas duas competições eram de extrema importância para sua classificação às Olimpíadas Rio-2016. E ela estava fora.

‘Rebeyoncé’
Se recuperando de uma lesão e mostrando sintomas de depressão, Rebeca precisava de um jato de ânimo. Em outubro de 2015, voltando aos seus treinos, Kelly, sua treinadora, mostrou a nova música que Rebeca utilizaria em suas apresentações. Um remix das músicas “Crazy In Love” e “Single Ladies”, da cantora americana Beyoncé. A pequena gigante ginasta se motivou a continuar.

Em entrevista ao G1, a treinadora contou que o desafio era pegar uma música que motivasse e que deixasse Rebeca feliz. “Então a única solução é a Beyoncé. Ela adorou a música, ficou superfeliz e funcionou. A nota dela aumentou muito depois que ela trocou de música”, disse.

Olimpíadas Rio 2016 (RicardoBufolin/CBG)

Rebeca nos Jogos do Rio-2016 (Foto: RicardoBufolin/CBG)

As Olimpíadas Rio-2016
Recuperada da lesão no joelho, Rebeca tinha que mostrar sua capacidade no evento-teste das Olimpíadas para a possível classificação. A ginasta faturou o bronze nas barras assimétricas e garantiu o lugar do Brasil nas Olimpíadas. O país precisava ficar entre os quatro melhores – e essa medalha ajudou para que isso acontecesse.

Rebeyoncé não subiu ao pódio nos Jogos Olímpicos. Conquistou o 11º lugar no individual geral e ficou em 8º lugar na competição por equipes. Mas isso não tirou o orgulho e sorriso da mãe da ginasta. “Ela não ganhou medalha, mas representou muito bem o nosso país. Para nós o 11º lugar é ouro. E a Rebeca tem só 17 anos… que venha Tóquio em 2020”, comentou Rosa em entrevista ao UOL.

Salto inédito na ginástica artística
Rebeca apresentou nos Jogos Olímpicos do Rio um salto que nenhum outro atleta já tinha executado. É uma acrobacia inédita em competições da Federação Internacional de Ginástica (FIG). O tsukahara é um salto com dupla e meia pirueta e, se homologado, levará o nome ‘Andrade’. Se isso acontecer, ela entrará para o time dos atletas com movimentos homologados composto por Daiane dos Santos, Diego Hipólito, Arthur Zanetti e Sérgio Sasaki.

FONTES CONSULTADAS
STEVAUX, Débora. A pequena gigante: os voos da ginasta Rebeca Andrade. Disponível em: http://mdemulher.abril.com.br/estilo-de-vida/claudia/a-pequena-gigante-os-voos-da-ginasta-rebeca-andrade. Acesso em: 18 de out. 2016.

KESTELMAN, Amanda; JANNIBELLI, Ivy; GUERRA, Marcos. Rebeca apresenta movimento inédito e tenta batizá-lo nos Jogos do Rio. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/ginastica-artistica/noticia/2016/08/rebeca-vai-apresentar-movimento-inedito-e-tentar-batiza-lo-na-rio-2016.html. Acesso em: 18 de out. 2016.

DOMINGUES, Felipe. Ginasta brasileira supera infância difícil pelo sonho de se tornar ginasta. Disponível em: https://esportes.terra.com.br/lance/ginasta-brasileira-supera-infancia-dificil-pelo-sonho-de-se-tornar-ginasta,5956593a1088c3ac90a6fb9c6ed779409coopo7z.html. Acesso em: 18 de out. 2016.

SALIM, Roberto. Na família de Rebeca Andrade, a maior ginasta é dona Rosa, mãe de 8 filhos. Disponível em: http://olimpiadas.uol.com.br/colunas/roberto-salim/2016/08/13/na-familia-de-rebeca-andrade-a-maior-ginasta-e-dona-rosa-mae-de-8-filhos.htm. Acesso em: 18 de out. 2016.

ESPORTES, TERRA. “Diva”, Rebeca Andrade admite que pensou em abandonar ginástica após lesão. Disponível em: https://esportes.terra.com.br/ginastica/diva-rebeca-andrade-admite-que-pensou-em-abandonar-ginastica-apos-lesao,a7c110977f755e08fe90440ffbaa4595jew3sad5.html. Acesso em: 18 de out. 2016.

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