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“Luto para que um dia esse sonho se realize”, diz Sabrina Ferri sobre a cura da lesão de medula

por Jéssica Kasper e Letícia Anele | jehkasper@hotmail.com e leticiaanele@gmail.com

Empresária do ramo de alimentos saudáveis, Sabrina Ferri, 35 anos, sempre teve o esporte como hobby. Há sete anos, no entanto, a sua vida passou por uma grande mudança. Ela andava em um balanço de madeira que fica a cerca de cinco metros do chão na Praia do Rosa, em Santa Catarina – o chamado “balansurf”, procurado por turistas e sufistas que visitam a praia –, quando sofreu uma queda e ficou tetraplégica. Sabrina, que sempre foi conhecida por ser uma pessoa muito ativa, não se deixou abater pelo acidente. Ela é uma das blogueiras do Cure Girls, um site que conta com a participação de mulheres do mundo inteiro que sofreram lesão medular. O objetivo é encontrar a cura arrecadando dinheiro por meio de corridas e eventos. Um desses eventos acontece no dia 3 de maio. É a Wings For Life World Run, corrida mundial em 35 cidades em seis continentes em que 100% das inscrições vão para a pesquisa da cura da lesão medular.  A ONG Wings For Life foi criada pelos austríacos Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, e Heinz Kinigadner, o primeiro campeão mundial de motocross da Áustria, após o filho de Heinz ficar paraplégico. Sabrina participará da atividade promovida pela ONG porque acredita na cura para a lesão medular. Em entrevista ao UniRitter Esporte, ela falou sobre sobre a vida e os planos para o futuro.

Arquivo pessoal/Sabrina Ferri

Sabrina ficou tetraplégica ao cair do balansurf, um balanço muito procurado por surfistas e turistas na Praia do Rosa, em Santa Catarina

O que mais motiva você a encontrar a cura?

É saber que, no futuro, ninguém vai precisar ouvir que está tetraplégico. Só eu sei o quanto isso é angustiante. É muito difícil ouvir um diagnóstico desse. Por isso o melhor a se fazer é lutar por isso (pela cura).

Após o acidente você continuou trabalhando como empresária do ramo de alimentos saudáveis?

Tenho que saber lidar com essa frustração. Após o acidente fiquei dois anos e meio na reabilitação. Eu fui achando meios… trouxe um programa que me possibilitou mexer no computador com os movimentos do meu rosto. Ter voltado a trabalhar foi muito importante para eu me sentir viva de novo.

Antes do acidente você praticava esportes?

Sempre. Sou formada em Educação Física, eu era uma atleta amadora. Nunca fui profissional, mas fazia jiu-jitsu e foi apaixonante. Tinha aquela coisa de competição, alimentação saudável e cuidados para não se machucar. Foi bem bacana vivenciar isso.

Mesmo depois do acidente você inspirou muitas pessoas. O que inspira você a ter vontade de viver?

Arquivo pessoal/Sabrina Ferri

Em 2014, Sabrina (à direita) participou da Wings For Life World Run, uma corrida que tem como objetivo arrecadar recursos para as pesquisas destinadas à cura de lesões da medula

O que me inspira e me motiva é estar viva para ver uma cura. Os meus pais me inspiram muito. Os obstáculos são maiores para os cadeirantes, é muito complexo porque você tem que lidar com a fragilidade do ser humano, mas não vou me sentir humilhada por estar em uma cadeira de rodas. Isso justifica um pouco do que me leva a buscar a cura. Apesar de eu trabalhar, a cadeira me limita no sentido de que eu gostava da prática de esportes, gostava de correr no final da tarde e hoje não posso fazer isso. É preciso deixar de lado a hipocrisia e encarar os fatos. Isso deixa as pessoas mais humanas.

A fisioterapia é importante?

Faço fisioterapia diariamente, é muito importante. Não vai me fazer andar, mas me possibilita estar trabalhando todos os dias. Me mantém alongada e sem dor. Fisioterapia é vida.

Você acredita na cura?

Acredito que, quando a cura acontecer, vai ser universal. Mas precisa de investimento. Fiz uma festa para arrecadar verbas em uma casa noturna de Porto Alegre no ano passado, com uma amiga inglesa que também é tetraplégica. A medicina investe muito mais em estética e os problemas neurológicos necessitam de um investimento maior. Então eu luto para que um dia esse sonho se realize.

Letícia Anele/UniRitter Esporte

Sabrina luta pela cura da lesão de medula

A capa do seu perfil no Facebook  é uma foto no balanço que causou o acidente. Lá era o seu lugar favorito?

Sempre adorei praia e me sentia muito em casa na Praia do Rosa. Tenho muitos amigos que moram lá, foi um lugar que me acolheu e onde aconteceram muitas coisas boas comigo. Por mais que a pior coisa da minha vida tenha acontecido lá, as melhores coisas são maiores. O amor que eu tenho pelo Rosa não vai mudar por causa do acidente.

Você se considera feliz?

Sou cercada por bastante gente que gosta de mim. Sou realista, sou ateia. É bem complexo falar isso, cresci no meio de ateus. Não posso dizer que sou infeliz com tantas pessoas que gostam de mim. É bem difícil acordar e saber que meu corpo está limitado. Se eu tivesse todos os movimentos, estaria com a felicidade plena.

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