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Samory Uiki, uma aposta de grandes saltos para o atletismo brasileiro

por Caroline Nunes | carolinecorrean@gmail.com

Samory Uiki é o atual campeão brasileiro e sul-americano sub-20 de salto em distância. Natural de Porto Alegre, ele também lidera o ranking brasileiro e sul-americano juvenil da modalidade com a marca de 7,77 metros. O jovem gaúcho representou o Brasil e levou uma medalha de prata no Mannheim Bauhaus Junioren-Gala realizado neste ano, na Alemanha, e considerado um dos maiores torneios sub-20 do mundo. Hoje com 18 anos, Samory ocupa a 13ª posição no ranking mundial juvenil. O atleta iniciou a rotina de treinos aos oito anos com o apoio do programa Social Esporte Clube – uma parceria da Secretaria Municipal de Esportes, Recreação e Lazer com clubes esportivos de Porto Alegre que permite a crianças cuja renda familiar é de até três salários mínimos a prática de diversas modalidades esportivas. Ao longo dos 10 anos dedicados ao atletismo, Samory também foi exemplo fora das pistas. Em 2014, foi aprovado em Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, por meio do esporte, recebeu convites de diversas universidades norte-americanas. Atualmente mora em Ohio, nos Estados Unidos, onde estuda Relações Internacionais na Universidade Estadual de Kent – e segue, é claro, a rotina de treinos.

Como se deu o início do atletismo na tua vida? Alguém te influenciou?
A minha entrada no atletismo teve muita influência dos meus pais. Eles souberam de um programa de bolsas em clubes de Porto Alegre chamado “Social Esporte Clube” e tiveram a visão de me colocar no atletismo.

Daniel Nunes/Divulgação

Samory llidera o ranking brasileiro e sul-americano juvenil de salto em distância com a marca de 7,77 metros

Tu começaste no atletismo com oito anos. Tu tiveste que abrir mão de muitas coisas para treinar? Como foi conciliar os estudos e o esporte?
O atletismo só somou na minha vida, era uma boa brincadeira. Com o passar do tempo foi se tornando uma coisa séria e então tive que abdicar de muitas atividades que pessoas “normais” fazem como ir a festas, dormir na casa de alguém e até mesmo deixar de ir aos aniversários de família, passar tempo com meus familiares. À primeira vista, conciliar estudos com treinos pode parecer complicado, mas na verdade é muito tranquilo. No Ensino Médio eu treinava sempre no turno inverso das aulas. E, na Sogipa, onde eu treinava, éramos sempre incentivados a nos comprometer primeiramente com a escola e depois com os treinos. Um dos requisitos para continuar treinando é ter boas notas.

Tu enfrentaste algum obstáculo no início da carreira?
No início da minha carreira, mesmo indo treinar apenas três vezes na semana, sempre tinha o problema de passagem para o ônibus. Mas com o passar do tempo consegui superar isso.

Agora tu estás estudando nos Estados Unidos. Como aconteceu a tua ida para a Kent State University?
Em 2013 eu participei do Mundial sub-18 e devido ao meu desempenho recebi alguns convites de universidades norte-americanas. Mas só em 2014 comecei a contatá-las. Depois de analisar e completar todos os requerimentos, concluí que a Kent State era o lugar certo para mim.

Como tu estás treinando atualmente?
Comecei o trabalho com o meu novo treinador na segunda semana de setembro. Além dele, irei trabalhar diretamente com seis profissionais que são tanto da área acadêmica como da área esportiva.

Quais os teus principais objetivos para os próximos anos? Tens chances de participar dos Jogos Olímpicos de 2016?
Meu objetivo para o próximo ano é ir para a final do Troféu Brasil. Ainda estou longe do índice para 2016, mas sempre há uma possibilidade.

Arquivo pessoal

Para Samory, o importante no esporte é nunca desistir

Na tua opinião, o que precisaria ser feito de mais urgente para que todos os atletas pudessem ter condições para ter um treinamento de alto nível?
Acredito que o real problema é a divulgação do atletismo, principalmente nas escolas. Nós, brasileiros, temos essa cultura que gira em torno do futebol e, na verdade, existem dezenas de esportes que são tão interessantes quanto ou até mais que o futebol. Portanto, se houver mais divulgação, mais exemplos que se tornaram grandes atletas, mais crianças e jovens sentirão vontade de conhecer e praticar o atletismo. E com isso, consequentemente, haverá mais investimento. Estamos em ano pré-olímpico, está tendo muito investimento, mas, infelizmente, ou felizmente, apenas para os que já estão no topo. Espero que após o encerramento desses Jogos Olímpicos fique um legado e que haja um plano a longo prazo para o esporte em geral. Para que o Brasil deixe de ser apenas “o país do futebol” e se torne “o país de todos os esportes”.

Qual seria a tua dica para quem está iniciando no atletismo?
O que sempre falo para os iniciantes, que serve para qualquer esporte, é que por mais difícil que as coisas estejam, por mais que o resultado esteja demorando a chegar, não se deve desistir, o treino não é em vão. Cito o meu exemplo, faço atletismo há quase 10 anos, minha primeira medalha veio só depois de quatro anos treinando e foi uma medalha de bronze. O que eu senti depois daquela medalha é algo que provavelmente jamais esquecerei.

Divulgação/COB

Campeã olímpica no salto em distância em Pequim-2008, Maurren Maggi é um dos ídolos de Samory no atletismo

Qual o teu grande ídolo no esporte e por quê?
Meu ídolo é a Maurren Maggi. Porque ela foi a primeira mulher, na história, a ganhar um ouro olímpico no atletismo (no salto em distância, inclusive). Aquela medalha foi um dos fatores que me fez continuar motivado a praticar o esporte.

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