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“Tem que trabalhar muito”, diz João Batista Filho, repórter de esportes da Bandeirantes

por Juan Molina e Wesley Machado Dias | molina.jornalismo@gmail.com e dias.jornalismo@gmail.com

Repórter da Bandeirantes, João Batista Filho, 25 anos, conversou com o UniRitter Esporte sobre as suas experiências na área esportiva. JB, alcunha pela qual é popularmente chamado, começou a carreira trabalhando na Rádio Osório. Mais tarde, em 2009, ingressou como repórter na Rádio Guaíba, onde teve a oportunidade de trabalhar ao lado de Luiz Carlos Reche, com quem diz ter aprendido muito. Após três anos na Rádio Guaíba, JB foi para a Rádio GreNal, em 2012, onde permaneceu por pouco tempo. Hoje atuando na Band, ele fala sobre a carreira no rádio e na TV, além dos desafios de quem trabalha com esporte.

Quais os desafios que o jornalista esportivo tem que enfrentar ao longo da carreira?

Eu acho que o maior desafio é ser o mais preciso possível na notícia. Para mim é complicado porque a internet traz muito informação, traz muita coisa nova e traz muita mentira também. Você tem que saber quais verdades vai conseguir, hoje, principalmente no futebol. Existem muitos empresários que mentem, jogadores que mentem, dirigentes que mentem e que procuram ali fazer o seu lado. Então, para mim, a maior batalha é isso, saber quem está falando a verdade, quem está falando a mentira e tentar passar para o ouvinte a situação mais concreta, esse é o maior desafio.

Arquivo pessoal/João Batista Filho

João entrevista o ex-jogador do Grêmio, Zé Roberto, na zona mista da Arena

Como é o dia-a-dia do jornalista esportivo?

O dia-a-dia é correr atrás de informação. Porque a informação do treino todo mundo tem. Eu tenho um blog, vivo 24 horas do blog, vivo a Band 24 horas, a rádio ou a TV, ou qualquer outro local. Ontem, por exemplo, eu fui jantar com um empresário e lá a gente estava falando sobre futebol, sobre notícias, sobre bastidores, compras, vendas, “rolos”, e não “rolos”, e quem faz certo, quem faz errado, enfim… Isso bem ou mal é trabalho. E houve pessoas dizendo: “Ah, mais estava lá tomando um chope com o cara”. Até nem bebi, eu tomei Coca-Cola, mas é um trabalho porque tu estás ali fazendo algum tipo de situação, conversando e tal. Então eu encaro meu trabalho literalmente 24 horas por dia. É claro que, às vezes, por exemplo, sábado à noite você está no cinema e toca seu celular tem algum ouvinte, leitor, alguma pessoa te chamando no Facebook perguntando: “E aí, o Grêmio vai contratar fulano?” Cara, é sábado de noite, deixa eu olhar um filme no cinema (risos)! Mas eu acho que essa é a vida do jornalista, tentar descobrir informações a todo custo. Literalmente CQC, Custe o Que Custar. Não! Não sendo corrupto, mas custe o que custar.

Para você que já é do meio do futebol, o jornalismo esportivo é somente futebol?

Eu fiz Educação Física antes de fazer Jornalismo. Então é óbvio que não posso ser muito simplista, mas é claro que eu penso que jornalismo esportivo não é só futebol, e é claro que eu gosto de outros esportes. Eu fiz judô, eu fiz natação, eu fiz outras coisas e procurei entender outras coisas. Eu adoro NBA, eu adoro no futebol americano… Só que vamos ser honestos, nós vivemos num mundo capitalista e num mundo capitalista o que as pessoas precisam? De dinheiro. E o que dá dinheiro no Brasil? Falar de futebol. Dá dinheiro falar de outras coisas? Infelizmente não dá muito. É um erro, não estou dizendo que está certo, mas por conta do sistema que nós vivemos falar de futebol dá dinheiro. Então, a gente acaba falando de futebol, em outros locais dá dinheiro falar sobre outros esportes. Nos Estados Unidos os caras falam de basquete e dá muito dinheiro, só que aqui infelizmente não dá. Então essa é a minha visão.

Atualmente, a gente vê diversos ex-jogadores que estão entrando para o jornalismo esportivo, muitos sem a formação do jornalista. Qual a sua opinião? Você acha que isso desvaloriza um pouco o trabalho do jornalista esportivo, desvaloriza quem está se formando para tentar chegar lá?

Eu gosto muito da Marília Gabriela. Eu lembro que eu estava vendo uma entrevista dela com o William Bonner e ela fez essa mesma pergunta, e o William responde: “Olha, o jornalista tem que entender o seguinte: a Globo não vai numa faculdade de Engenharia buscar repórter. O repórter vai vir da faculdade de jornalismo, o cara que é formado em jornalismo”. Mas por outro lado, ele quis dizer o seguinte: “Ah, Calma! Vocês não vão perder o emprego de vocês”. Então, como é que eu vou te explicar, tem os dois lados, a Globo continua (ou as emissoras) elas continuam prestigiando, dificilmente tu vais entrar sem ser formado, mas tem esses caras “tops” que ocupam espaço. Mas acho que é uma fatia tão pequena, agora por exemplo, a ESPN trouxe o Iarley, o Sorin e o Zé Elias, só que foram vagas novas que foram abertas, os caras que estavam na ESPN continuaram na ESPN. O Tiago Simões, Gustavo Hoffman… todo mundo continua na ESPN, só abriram novas vagas. É o melhor? Não. Mas acho que se o cara for bom ele vai ter espaço.

Arquivo pessoal/João Batista Filho

João Batista Filho na época em que trabalhava na Rádio Grenal

Você tem um grande feito no jornalismo esportivo?

Recentemente eu tive um lance bacana que foi a notícia do Anderson, quando pela primeira vez, no final do ano passado, ele falou para a imprensa e não falou para mais ninguém, que tinha proposta do Inter. E aquilo foi o fruto de um trabalho, foi uma negociação. Foi conversando com pessoas, conversando com empresário, chegando no jogador, conquistando a confiança dele. Para sair o produto final teve umas vinte tentativas, no mínimo. Ele perguntou o que eu achava como jornalista de ele falar da proposta. Eu fui tentando conquistar a confiança dele. Eu poderia ter falado no ar, só que se eu falasse no ar que ele tinha uma proposta do Inter, não teria tanto peso quanto o Anderson falando que tinha proposta. Então a história toda foi se desenvolvendo e eu fui conseguir a entrevista com ele numa segunda-feira às nove e meia da noite, ou seja, eu tive que ficar aqui (na Band) até às nove e meia da noite. Não tem outro jeito, tem que ser dedicado.

Como você lida com a questão da imparcialidade?

Essa questão de gremista e colorado é praticamente normal, porque essa é a forma que o torcedor tem de ofender, entendeu? Vê o “Chico colorado” do Felipão (o técnico do Grêmio chamou o árbitro Francisco da Silva Neto de “Chico colorado” durante um jogo contra o Ypiranga pelo Gauchão). É errado ser colorado? Claro que não. O Felipão sabia que iria chatear o cara, pois coloca em xeque a isenção dele. Mas esse é o jeito do torcedor.

Existe alguma situação que te chateia no jornalismo esportivo?

O que mais me deixa triste, honestamente, no jornalismo, é quando não acreditam na minha notícia. Recentemente, eu e o Daniel Oliveira trabalhamos numa (notícia) que foi a do Alan Ruiz. Descobrimos que o Alan tinha ligado diversas vezes para o Grêmio querendo voltar. Chequei a informação, fui atrás e ficamos sabemos que era verdade. Falamos na TV, divulgamos o blog e durante a tarde, a irmã do Alan Ruiz divulgou que era mentira e todo mundo começou a falar que era muito mentira. Isso me deixa muito triste. Ok, ela estava fazendo o jogo dela, mas aquilo prejudicou o meu trabalho. Você pensa “cara, mas eu trabalhei tanto por ela”, sabe? Mas tem aquela história, quem trabalha é recompensado. E depois o Alan concedeu uma entrevista, afirmando que quer voltar para o Grêmio e o Rui Costa confirmou essa ligação, ou seja, a notícia era verdade, nós tínhamos razão. Então, críticas vão ter aos montes, cabe ao jornalista saber conduzi-las.

Arquivo pessoal/Luiz Carlos Reche

Apresentador e debatedor da Band, Luiz Carlos Reche é citado por João Batista Filho como uma das referências no jornalismo esportivo

Qual dica você deixa para os futuros jornalistas?

Trabalho. Você só consegue isso com trabalho. É óbvio que uma hora tu vais errar, é óbvio que hoje aqui na Bandeirantes eu não cometo erros que eu cometia na Guaíba quando eu comecei, por conta da experiência. A única dica que eu deixo é essa. Tem que trabalhar e tem que ouvir muito os mais velhos. Claro que tem que ter personalidade e cada um tem seu jeito, mas tem que ouvir a “voz da experiência”. Aqui na Band ouço muito o (Luiz Carlos) Reche, que era meu chefe na Guaíba, o (Fabiano) Baldasso está toda hora colando em mim e dizendo: “Olha, essa manchete seria melhor que essa” ou “usou esse termo errado”. É óbvio que você tem que ter um pouquinho de talento também, não adianta o cara ser um zero à esquerda!

7 Comments on “Tem que trabalhar muito”, diz João Batista Filho, repórter de esportes da Bandeirantes

  1. Gostei da matéria. Muito bem estruturada. Parabéns.

  2. Show, Gurizada!
    Gostei muito da entrevista. Fizeram boas perguntas e obtiveram respostas que servem muito para vocês que pretendem seguir no segmento esportivo. Parabéns!

  3. WALTER DOS SANTOS DE SOUZA // 18 de abril de 2015 at 20:32 // Responder

    Baita matéria! Duas feras a dupla Dias e Molina, muito boa entrevista!

  4. Uma matéria muito bem feita. Nem parecem iniciantes, parecem jornalistas já formados.

  5. Alexandre Molina // 23 de abril de 2015 at 17:57 // Responder

    Muito boa matéria. Esclarecedora para estudantes de Jornalismo que pretendem atuar no Jornalismo Esportivo. Parabéns!

  6. Muito boa a entrevista!
    Parabéns gurizada do UniRitter Esporte!

  7. Grande matéria! Parabéns!!!

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