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Terezinha Guilhermina: um novo olhar para o atletismo

por Tainá Fontella | taina_antunes_rs@hotmail.com | edição de Robson Hermes | robsonhermescolombo@gmail.com

Considerada a velocista paralímpica mais rápida do mundo, Terezinha Guilhermina é exemplo de superação e espontaneidade (Foto: Divulgação)

Terezinha nasceu em Betim (MG), no dia 3 de outubro de 1978, com retinose pigmentar, uma doença que provoca a perda gradual da visão. De uma família humilde, com doze irmãos, sendo que cinco também possuem deficiência visual, ela encontrou no atletismo a força pra superar as dificuldades da vida. Quando criança, tropeçava nos móveis, mal enxergava os objetos e tinha dificuldades na escola, porém a família não suspeitava que pudesse ser um problema na visão. Terezinha acreditava que todo mundo enxergava como ela. Na escola, disseram que ela tinha miopia e mesmo ela usando óculos, nada adiantava.

A SUPERAÇÃO SOBRE A DEFICIÊNCIA

Com 16 anos, a família ainda não tinha noção da gravidade da doença de Terezinha. Em um exame realizado na Santa Casa de Betim, o resultado mostrou que ela tinha apenas 5% de visão e que com o tempo a perderia por completo. Apesar de ser um choque tanto para ela como para sua família, Terezinha não se dobrou perante mais uma dificuldade que a vida lhe apresentou. As expectativas de como seria sua vida não foram animadoras. Ela matriculou-se em um curso técnico de administração, e as dúvidas de que conseguiria se formar eram enormes, pois seria preciso usar calculadora, fazer balanços, algo que a diretora da escola julgou ser improvável para uma cega. Aos 21 anos Terezinha conseguiu completar o curso e com um histórico de ótimas notas. Depois conseguiu um estágio na área. E, apesar de sempre subestimada, ela sempre conseguiu fazer tudo que quis.

A PAIXÃO PELO ATLETISMO

Terezinha descobriu o atletismo no ano de 2000, quando se inscreveu em um projeto da prefeitura de Betim. Um projeto que oferecia aos portadores deficiência a possibilidade de praticar esportes, como atletismo e natação. Ela se inscreveu para natação, pois tinha um maiô. Sua vontade era o atletismo, mas não se inscreveu por não ter um tênis. Então sua irmã, Evania, deu-lhe o único que tinha. O seu primeiro tênis da carreira e que Terezinha guarda como lembrança até hoje.

Depois disso, a ascensão de Guilhermina foi rápida. Em 2001, ela foi convocada para o Pan-americano, na Carolina do Sul (EUA), para representar a seleção brasileira. Para quem demorou muito tempo para sair de sua pequena cidade, esse era um salto enorme na carreira. Em sua primeira competição internacional, competiu na categoria T12, para atletas com alguma visão, onde conquistou três medalhas de prata. E sua carreira e marcas só melhoraram. Em 2004, nas Paralimpíadas de Atenas, conquistou o bronze nos 400 metros. Como seu problema de visão avançou, Terezinha teve que trocar de categoria, passando para a T11 (atletas completamente cegos).

Terezinha Guilhermina com seu guia Rafael Lazarini, após sua primeira prova nos Jogos Olímpicos Rio 2016 (Foto: Cezar Loureiro/MPIX/CPB)

Terezinha Guilhermina com seu guia Rafael Lazarini após sua primeira prova nos Jogos Olímpicos Rio-2016 (Foto: Cezar Loureiro/MPIX/CPB)

EXPECTATIVA AO COMPETIR EM CASA
A participação de Terezinha Guilhermina nos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi marcada por polêmicas e vitórias. A atleta foi desclassificada nas provas eliminatórias sob a acusação de ter sido puxada pelo guia. O Comitê Paralímpico Britânico, no entanto, teve seu recurso aceito e a atleta foi mantida na final. “O guia está comigo do meu lado. Não tem como passar da minha frente. Não sei correr puxada. Eu não preciso, eu treino como atleta, sou atleta. Diante dessas situações todas, me considero como sendo minha principal adversária ainda”, declarou a atleta, após o episódio.

Mesmo sob polêmicas, Terezinha se despediu dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 com a medalha de bronze. Foi a terceira colocada na final dos 400m rasos da classe T11, no Estádio Olímpico, e deixou as disputas do atletismo nos jogos ocupando um lugar no pódio. Com o bronze obtido em sua despedida do Rio 2016, Guilhermina soma agora oito medalhas em quatro participações nos Jogos Paralímpicos – são três ouros, duas pratas e três bronzes – em quatro provas diferentes: os 100m, 200m e 400m rasos, além do revezamento.

“Vivi todas as emoções da minha vida nessa semana, com o mundo inteiro me assistindo. Foi um grande desafio. Foi um privilégio fazer parte desta festa e sentir todo o respeito e o carinho dos torcedores que vieram me assistir”, finalizou a atleta ao se despedir dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

FONTES CONSULTADAS:

HAWAD, Fernando. Terezinha Guilhermina: Atletismo Paralímpico. Disponível em: http://www.esporteessencial.com.br/entrevista/terezinha-guilhermina-atletismo-paralimpico. Acesso em: 21 out. 2016.

Site Oficial da atleta Terezinha Guilhermina. Disponível em: http://terezinhaguilhermina.com/#contato. Acesso em: 21 out. 2016.

KESTELMAN, Amanda; DILASCIO, Flávio. Aos 37 anos, Terezinha Guilhermina mira 3 medalhas de ouro no Rio 2016. Disponível em:  http://globoesporte.globo.com/paralimpiadas/noticia/2016/04/aos-37-anos-terezinha-guilhermina-mira-3-medalhas-de-ouro-no-rio-2016.html Acesso em: 21 out. 2016.

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