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Simone Biles: uma ‘afronta’ ao primeiro 10 da ginástica

por Nicholas Homrich dos Santos | nico.homrich@hotmail.com | edição de Débora Ramos | debora.indcris@hotmail.com

A multicampeã, Simone Biles, feliz ao lado de sua medalha (Foto: Getty Images)

Ainda cedo, aos 3 anos, Simone Biles foi tirada da mãe. Decidiu não fazer atividades extracurriculares e formatura. Já passou por diversas situações controversas, mas nunca se deixou abalar. É a ginasta mais condecorada dos Estados Unidos em mundiais (14 medalhas). Tem o corpo ideal para a prática do esporte: 47 quilos, 1,45 metro e 19 anos. Prazer, Simone Biles.

Na infância
Aos 3 anos de idade Simone foi morar com seu avô materno, Ronald Biles, e sua segunda mulher Nellie, pois Shanon Biles, filha de Ronald, era dependente de drogas e álcool. Os serviços sociais tiraram dela custódia de Simone e mais três filhos. O quarteto se separou. As meninas foram para a casa de seu avô, no Texas, onde Simone descobriu seu amor pela ginástica, já os irmãos mais velhos foram morar com a irmã de Ronald. Ainda que sua mãe tenha sido presa 20 vezes, tenha perdido o direito de cuidar de seus filhos e tenha um passado marcado por excesso de drogas e álcool, Simone ainda fala com ela por telefone e diz não se interessar pelo momento que sua mãe biológica viveu antes dela nascer.

A atleta, assim como confirma Nadia e outros especialistas, combina técnica com potência

Simone Biles combina técnica com potência (Foto: Marcelo Machado)

Primeiro contato com a ginástica
Certo dia, uma excursão da escola de Simone foi cancelada por motivos de clima. A escola decidiu, em vista disso, ir até um centro de ginástica artística. E, como a garota gostava de pular e dar piruetas, mostrou algumas manobras que deixaram os instrutores boquiabertos, fazendo com que eles escrevessem um bilhete para seus responsáveis: “Vocês já pensaram em colocar sua filha na aula de ginástica?”. Dois anos depois, Simone foi descoberta por Aimee Borman, uma parceria que perdura até hoje.

Na juventude: a primeira decisão
Com 14 anos, Simone ia para o colégio e fazia seus treinamentos nos horários em que o estudo permitia, porém, em 2012, já com 15, decidiu não fazer como a maioria das pessoas. Estudaria em casa, abrindo mão da formatura e de atividades extracurriculares. Essa escolha possibilitou com que ela passasse mais tempo treinando. Seus treinamentos passaram de 20 para 32 horas semanais – um aumento significativo que foi recompensado um ano depois, com o primeiro título individual geral no mundial.

Caso Carlotta Ferlito
Em 2013, no Mundial da Bélgica, mais um episódio para esquecer. Após Biles ser campeã no geral individual, a ginasta italiana Carlotta Ferlito disse para a companheira de time que, na próxima vez, elas deveriam pintar a pele de preto para vencer. As palavras incomodaram a Federação Americana de Ginástica e, obviamente, a família da ainda promessa do esporte, Simone Biles. “Quero me desculpar com as meninas americanas. Não queria ter sido rude ou racista. Adoro Simone e sou uma grande fã da ginástica americana. Cometi um erro, não sou perfeita. Não pensei antes de falar. Sou apenas humana. Me desculpem”, publicou a italiana posteriormente.

Simone Biles se apresentando nos Jogos Olímpicos de 2016 ( Foto: AFP)

Simone Biles se apresentando nos Jogos Olímpicos de 2016 (Foto: AFP)

Primeira Olimpíada
Simone Biles chegou ao Rio de Janeiro como favorita em todas as provas que disputaria individualmente: salto, barras assimétricas e barra de equilíbrio. Fora as coletivas que, juntando, somariam sete. Saiu do Brasil com cinco medalhas (quatro de ouro e uma de bronze).

O Biles
No meio de sua apresentação no Mundial da Antuérpia, em 2013, Simone executou um movimento nunca antes visto. Ele virou sua marca pessoal e, mais do que isso, leva seu nome, pois o código de pontuação da ginástica homenageia os atletas criativos concedendo-lhes ao movimento por eles inventado seu nome. Ficou conhecido assim: o Biles.


“O ‘Biles’ é um mortal duplo esticado. Mas antes de terminar o segundo mortal ela faz um giro em outro eixo, para o lado, como se estivéssemos de pé e girássemos para a direita ou para a esquerda. Então ela combina dois eixos de rotação”, explica Ana Ordóñez, treinadora de ginástica no clube FlipFlap em Zaragoza, na Espanha.

Simone Biles versus Nádia Comaneci
Não podemos falar de ginástica sem mencionar o nome de quem levou o esporte à perfeição. Mesmo quem não acompanha tanto a ginástica artística sabe quem foi ou já ouviu a história de Nádia Comaneci. No dia 18 de julho de 1976, a adolescente romena, com 14 anos, foi protagonista de um marco histórico: o primeiro 10 da história da ginástica artística. Nem o placar estava preparado para tal feito, pois só havia espaço para três dígitos. Foram quase 20 segundos de movimentos perfeitos de série nas barras assimétricas. Ela se apresentava com movimentos que lembravam muito o balé. Do outro lado, temos o oposto, a norte-americana, que tem como principais características em suas apresentações potência, velocidade e altura nos saltos. Desde 2006, o sistema de pontuação foi modificado porque muitos atletas estariam se saindo melhor fazendo séries fáceis com boa execução do que quem tentava séries inovadores e mais difíceis e que, por conta disso, erravam mais. Agora, a pontuação é dividida em duas partes: execução e dificuldade. Partindo desse critério, Biles acabou uma apresentação no solo com 15,993, ficando apenas 0,67 da perfeição.

FONTES CONSULTADAS:

RIO 2016. Simone Biles. USA. Disponível em: https://www.rio2016.com/atleta/simone-biles. Acesso em: 14 out. 2016.

BBC BRASIL. De infância difícil a supercampeã. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/geral-37063487. Acesso em: 15 out. 2016

SAÚDE IG. De infância difícil a supercampeã: o que torna Simone Biles tão extraordinária. Disponível em: http://saude.ig.com.br/2016-08-12/simone-biles.html: Acesso em: 15 out. 2016.

DELAS.Conheça Simone Biles, a estrela da ginástica nos Jogos Olímpicos. Disponível em: http://www.delas.pt/conheca-simone-biles-a-estrela-da-ginastica-nos-jogos-olimpicos/. Acesso em: 17 out. 2016.

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