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Uma longa jornada: Yusra Mardini, da Síria para as piscinas olímpicas

por Lúcia Haggstrom | lursilv@hotmail.com | edição de Robson Hermes | robsonhermescolombo@gmail.com

Yusra Mardini, da Síria, durante uma sessão de treinamento (Foto: Alexander Hassenstein/Getty Images)

Em março deste ano, Thomas Bach – presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) – anunciou a existência de uma delegação para atletas refugiados nos Jogos Olímpicos Rio-2016, que competiriam sob a bandeira dos jogos. A delegação foi formada por 10 atletas nascidos em diversos países que se encontram em conflito e, portanto, não podem participar dos jogos. A iniciativa visou não apenas oportunizar esses atletas, mas fornecer a eles o suporte treinar e competir com boas chances. A nadadora síria Yusra Mardini, de 18 anos, foi nomeada a porta-bandeira do time na abertura dos Jogos Rio 2016.

Em meados do ano passado, a atleta teve sua casa destruída em conseqüência da guerra civil que assola a Síria desde 2011. Acompanhada de sua irmã, Sarah, a menina, que tinha 16 anos, deixou seu país para tentar melhores condições de vida em países europeus. Após a jornada por terra até chegar à Turquia, Mardini, sua irmã e outras 18 pessoas entraram em um barco com capacidade para seis pessoas com destino a Lesbos, ilha grega. Depois de 30 minutos navegando no Mar Egeu, o motor do barco, sobrecarregado, parou de funcionar. “É meio difícil pensar que você é uma nadadora e mesmo assim, vai morrer na água, que é o que conhece melhor”, disse a atleta ao jornal britânico Independent. Yusra, Sarah e mais uma pessoa, as únicas a bordo que sabiam nadar, pularam na água e nadaram empurrando o barco durante três horas e meia, até Lesbos, salvando a vida de todos.

FILE - This is a Monday, Nov. 9, 2015 file photo of Yusra Mardini from Syria poses during a training session in Berlin, Germany. They’ve fled war and violence in the Middle East and Africa. They’ve crossed treacherous seas in small dinghies and lived in dusty refugee camps.They include a teenage swimmer Yusra Mardini from Syria, long-distance runners from South Sudan and judo and taekwondo competitors from Congo, Iran and Iraq. They are striving to achieve a common goal: To compete in the Olympics in Rio de Janeiro. Not for their home countries, but as part of the first ever team of refugee athletes.(AP Photo/Michael Sohn, File)

Mardini em treinamento na Alemanha (Foto: Michael Sohn/AP)

A atleta hoje mora e estuda em Berlim, além de ter uma rotina intensa de treinamento. Yusra acorda às 5h, treina em piscinas por 3 horas. Depois do treino, a menina vai para o colégio e à tardinha, treina durante mais 4 horas. Mardini deixou as piscinas do Rio 2016 na 41ª colocação nos 100 metros borboleta e em 45ª na categoria 100 metros livre. Atualmente focada nos Jogos de Tóquio, a atleta não desanima com as colocações que alcançou em 2016, mas diz que em 2020 irá lutar por uma medalha. “Vou continuar nadando. Eu espero estar na próxima Olimpíada, mas não quero ser tão lenta na piscina como fui agora. Eu quero ganhar uma medalha, então preciso treinar forte”.

A heroína do Mar Egeu representa nos Jogos Olímpicos milhares de pessoas, que como ela e a irmã, precisaram abandonar suas casas e sua nação em uma fuga perigosa e incerta por melhores condições de vida e se refugiam nos mais diversos países do mundo para tentar reconstruir suas vidas.

“Tudo isso é sobre tentar começar uma vida nova e melhor, e entrando no estádio, nós estamos encorajando todos a perseguir seus sonhos”, diz a atleta.

Projetando um futuro, a atleta pensa em construir sua vida na Alemanha, e voltar à Síria quando houver paz para inspirar pessoas através da sua experiência.

FONTES CONSULTADAS:

INDEPENDENT. Yusra Mardini: Olympic refugee who swam for three hours to save 20 lives ‘overwhelmed’ by support. Disponível em: http://www.independent.co.uk/news/people/yusra-mardini-olympic-refugee-who-swam-for-three-hours-to-save-20-lives-overwhelmed-by-support-a7182156.html. Acesso em 23 out. 2016.

INDEPENDENT. Yusra Mardini: Olympic Syrian refugee who swam for three hours in sea to push sinking boat carrying 20 to safety. Disponível em: http://www.independent.co.uk/news/people/yusra-mardini-rio-2016-olympics-womens-swimming-the-syrian-refugee-competing-in-the-olympics-who-a7173546.html. Acesso em: 23 out. 2016.

ESTADÃO. De heroína no Mar Egeu à piscina olímpica: conheça Yusra Mardini. Disponível em: http://www.independent.co.uk/news/people/yusra-mardini-rio-2016-olympics-womens-swimming-the-syrian-refugee-competing-in-the-olympics-who-a7173546.html. Acesso em: 23 out. 2016.

THE GUARDIAN. From Syria to Rio: refugee Yusra Mardini targets Olympic swimming spot. Disponível em: https://www.theguardian.com/sport/2016/mar/18/syria-rio-refugee-yusra-mardini-olympic-swimming. Acesso em: 20 out. 2016.

THE NEW YORKER. The Swimmer Who Fled Syria. Disponível em: http://www.newyorker.com/news/sporting-scene/the-swimmer-who-fled-syria. Acesso em: 23 out. 2016.

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