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UniRitter Esporte conversa com o mestre Régis, um dos pioneiros do jiu-jitsu no Rio Grande do Sul

por Jean Costa | jean.costa966@hotmail.com

Régis Alexandre da Silva (na foto à direita, de cinza) tem 49 anos, é formado em Ciências Contábeis pela Unisinos e mora em Porto Alegre. Dono de duas academias especializadas em jiu-jitsu, ele é conhecido no Rio Grande do Sul como um dos quatro atletas responsáveis por alavancar a popularidade do esporte. Ao lado dos mestres Hélio Fadda, Carlos Alberto Pereira e Márcio Pinheiro, Régis tornou a arte marcial mais conhecida no Estado. Respeitado em todo o país, o mestre e faixa preta há 20 anos conversou com o UniRitter Esporte sobre a sua trajetória na arte marcial suave, como é conhecido o jiu-jitsu. 

Quem apresentou o jiu-jitsu para você?

Meu primo Natanael foi quem me apresentou. Na época eu estava com 15 anos e já tinha praticado algumas artes marciais, mas não tinha gostado. Até que um dia meu primo me levou em uma aula e eu me apaixonei pelo esporte. A partir daquele dia a minha vida mudou por completo. Sem o jiu-jitsu na minha vida, hoje eu seria apenas um simples contador de algum escritório.

Divulgação/UFC

Um dos grandes ícones do jiu-jitsu, Royce Graice foi, segundo o mestre Régis, quem apresentou o esporte ao mundo nos anos 90

O que levou você a investir no esporte em uma época em que ele não era tão popular aqui no Estado?

O fato de ser pouco conhecido no Estado pesou muito na minha decisão. Eu queria passar todo meu conhecimento para quem conhecia o jiu-jitsu e para quem não conhecia, mas que passaria a se interessar com tempo. E também porque, querendo ou não, o jiu-jitsu é um esporte que alavancaria muito em popularidade nos anos seguintes no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo graças ao Royce Graice, que foi um dos grandes ícones do esporte e o apresentou ao mundo nos anos 90. 

Onde você obteve a primeira conquista como faixa preta? Qual foi a sensação?

Foi no Rio de Janeiro, em 1995, não lembro muito bem da data exata. Só sei que foi na tarde de um domingo e que estava muito quente lá dentro. Foi uma ótima sensação. Treinei durante muito tempo para essa conquista e a experiência que adquiri durante outros campeonatos me serviu de motivação ainda maior.

 Jean Costa/UniRitter Esporte

Régis sobe ao pódio na primeira etapa da Copa Prime disputada neste ano em São Leopoldo

Quando você abriu a primeira academia? 

Foi em 1999, na capital. Eu tenho duas academias, uma em Porto Alegre, na avenida Baltazar a Escorpião Jiu Jitsu e outra em Cruz Alta,  a J.O R1 Escorpião Jiu Jitsu, onde outro mestre é responsável. Ao todo, eu e meus sócios temos 31ª filiais pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Quantas horas por dia você dedica aos treinamentos?

Dedico aproximadamente quatro horas por dia para o meu treino solo e mais algumas horas ensinando meus alunos.

Como é sua metodologia de ensino?

A metodologia é ampla. Quando recebemos um aluno, procuramos saber os objetivos em relação à modalidade. Estimulamos os alunos para aproveitar ao máximo seu potencial e não deixando de solidificar seus pontos fracos. Quem se mete em confusão fora da academia é banido e procuramos informar todas as filiais e outras academias que dão aula de jiu-jitsu para não aceitarem esses alunos.

Porque você não migrou para o MMA, como muitos atletas da arte marcial fizeram?

Porque, ao meu ver, não era um bom rumo pra minha carreira. E também eu não tinha interesse por outras artes marciais envolvendo trocação.

Você já sofreu com racismo no esporte?

Racismo é algo ridículo e que, infelizmente, ainda existe no esporte e no mundo. Graças a Deus nunca sofri com isso, porém ouvia muitos atletas, em campeonatos que participei, comentando sobre situações do tipo.

Vinicius De Oliveira/UniRitter Esporte

Lutadores da filial de Gravataí posam para foto com Régis (no centro, de quimono branco) após mais um dia de treino

Tem alguma frase que seja marcante para você?

O bom atleta de jiu-jitsu tem que manter corpo e mente equilibrados para alcançar seus objetivos, porque se não conseguir manter o foco nos seus objetivos isso arruína com a carreira.

Você tem algum ídolo no jiu-jitsu?

Rickson Gracie.

Divulgação

Rickson Gracie é apontado por Régis como o seu principal ídolo no esporte

Qual a sua finalização favorita?

Eu não tenho uma preferida em si, mas o armlock tem algo em especial comparado às outras. Ele me deu a primeira conquista como praticante de jiu-jitsu. O lutador pega o braço do adversário e coloca-o entre suas pernas, ficando com o punho dele, seguro por suas mãos, no centro do peito, dominando-o com o dedo polegar do adversário apontado para cima. O atleta que ataca deve colocar uma perna sobre o pescoço forçando o calcanhar contra ele e a outra sobre o peito, mantendo o adversário sob seu domínio. Fazendo isso, quem ataca deve unir seus joelhos para tornar mais agudo o ângulo entre a articulação do cotovelo do adversário e o seu próprio quadril, que faz o ponto de apoio para a alavanca. Por fim o atleta projeta seu quadril, elevando o cotovelo do adversário, e mantém o punho dele num nível mais baixo que seu cotovelo. Forçando o cotovelo e obrigando o adversário a abandonar, caso não houver desistência, o golpe destrói toda a articulação do cotovelo.

 

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