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Usain Bolt, o relâmpago jamaicano

por Osmar Martins | zionwebjob@hotmail.com | edição de Leonardo Ferreira | leonardoferreira305@hotmail.com

Para termos de contextualização, estaremos tratando da apresentação do maior velocista de todos os tempos e do homem mais rápido do mundo. Dito isso, vamos às vias de fato. Usain St Leo Bolt, ou apenas Bolt, nasceu na calma e pequena Trelawny, Jamaica, para correr o mundo. Quando criança, sua energia e alegria eram utilizados em outras atividades longe das pistas, críquete e futebol eram seus maiores prazeres. Foi então que o treinador da equipe de críquete da escola notou certo potencial na velocidade do garoto, insistindo assim para que tentasse seguir no atletismo.

Vale a reflexão. Se, por algum motivo, Usain decidisse não seguir o conselho do técnico e mesmo assim tivesse conquistado tudo, proporcional ao críquete, o atleta teria a mesma ou sequer parte do reconhecimento?

Bolt começou seus dias de velocista aos 12 anos, logo após firmar parceria com o ex-velocista olímpico Pablo Mcneil, que se tornou seu treinador. Aos 15 já ganhou sua primeira medalha em torneio escolar, correndo os 200m. No mesmo ano, conquistou também medalhas de prata nos 200m e 400m nos CARIFTA Games em Bridgetown. Porém sua verdadeira ascensão, tanto midiática quanto competitiva e técnica, foi após o ouro nos 200m do Mundial Juvenil de Atletismo de 2002, em Kingston, quando ele se tornou o mais jovem a ter conquistado tal medalha.

Bolt em seu rito de pedido de silêncio. (Foto: Getty Images/ Paul Gilham)

Bolt em seu rito de pedido de silêncio. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)

Esta competição que foi chave para o crescimento de Bolt como atleta, talvez o principal gatilho desencadeador de todo o resultado futuro. Foi na final deste torneio quando ocorreu algo que fez o Raio mudar para sempre. Pela primeira vez exposto ao público e ao cenário mundial, com bandeiras e milhares gritando seu nome, Bolt tremeu. Por nervosismo, ansiedade, foco e todo o conjunto possível de sentimentos, ele coloca as sapatilhas nos pés trocados e só foi avisado momentos antes da prova. Este episódio repercutiu internamente no atleta, ele mesmo deu declarações posterior ao evento, dizendo que nunca mais se deixaria afetar a pressões externas e que ali, naquele momento, aprendeu que pode controlar o público. Depois disso, com seus ritos, gestos, espírito leve e alegria, Bolt tornou o que poderia virar fraqueza em sua maior arma.

Após a competição de Kingston, Bolt continuou com bons resultados, aumentando sua popularidade e atraindo a imprensa. Certos rótulos e boatos começaram a surgir, que poderiam acabar por atrapalhar o futuro do atleta. Não tendo como fugir da mídia, mas buscando maior estrutura, Bolt e seu novo técnico, Glen Mills, mudaram-se da pequena Trelawny para a capital Kingston, o que não foi tão bom assim. Adolescente, começando a ganhar dinheiro e fama, Bolt perdeu um pouco o foco nas corridas e queria aproveitar a vida, ser feliz, ideologia que sempre o perseguiu. Apesar da nova cidade e dos problemas extra-pista, o novo treinador tentava passar a Bolt um conceito mais profissional e comprometido ao atletismo. Foi então que, em 2004, já com 17 anos e como profissional, quebrou os 20s para os 200m e tornou-se o primeiro velocista júnior a ter este feito.

Apesar do momento turbulento e das lesões constantes por conta da escoliose, Bolt era esperado como sensação para os Jogos Olímpicos de 2004. Talvez o maior ou o único fracasso da carreira, por conta de lesão no tendão, Usain Bolt não chegou nem as finais.

Em 2005 seguiu tendo bons resultados, mas as contusões eram constantes e preocupantes, fazendo com que ele perdesse a final dos 200m do mundial de Helnsinque e ficasse em último lugar. No ano seguinte, lesão na panturrilha o desclassifica dos Jogos de Commonwealth. Bolt passa por diversos tratamentos e tentativas de recuperações até o fim do ano de 2006, quando em 2007, no campeonato nacional jamaicano, venceu os 200m com 19.75, quebrando os 19.86 de Donald Quarrie. Nesta prova em especial, Bolt tinha uma motivação diferente, seu treinador havia prometido para ele que se batesse o recorde nacional, o autorizaria a disputar também os 100m. No fim do ano, disputou apenas os 200m, do Mundial de Atletismo de Osaka 2007, ficando com a prata, perdendo para Tyson Gay.

Chegava o maior momento da carreira de Bolt, os Jogos Olímpicos de Pequim, 2008. Como o grande favorito, logo após confirmar que disputaria os 100m, 200m e 4x100m, cumpre toda e qualquer expectativa existente, medalha de ouro e recorde mundial nas três modalidades, 9.69, primeiro homem abaixo de 9.7 nos 100m, 19.30 nos 200m e 37.10 no revezamento. Logo após seu desempenho absurdo, com direito a comemoração nos últimos metros, que gerou polêmica sobre espírito esportivo no mundo inteiro, surgiram boatos também de doping, por conta de muitos casos na época na Jamaica. Quanto ao doping, nunca nada foi provado. Em relação a sua comemoração, Bolt respondeu como Bolt, “Eu só estava feliz”, afirmando não ter desrespeito algum em comemorar o próprio desempenho, acabando por abrir mão de um resultado ainda melhor em tempo.

Bolt em sua comemoração clássica. (Foto: Jamaica Experience/Divulgação)

Bolt em sua comemoração clássica. (Foto: Jamaica Experience/Divulgação)

No ciclo olímpico 2008-2012, Bolt venceu nada menos que 5 títulos mundiais, medalha de ouro nos 100m, 200m e 4x100m, em Berlim, 2009. Sendo destes, dois novos títulos mundiais, nos 100m, conseguiu a incrível marca de 9.58m, em seu primeiro embate com Tyson Gay nesta competição. Já para os 200m rasos, Bolt quebrou sua própria marca de 19.30 e fez 19.19. Além da competição na terra alemã, o Raio passou também na Coréia do Sul, pelo Campeonato Mundial de Atletismo, em Daegu, onde protagonizou um evento ímpar em sua carreira: Queimou a largada dos 100m, sendo assim desclassificado. Correu e ganhou os 200m e bateu novo recorde mundial nos 4x100m, quebrando o próprio recorde, de 37.10 para 37.04.

Apesar do bom retrospecto, não chegou como favorito aos Jogos Olímpicos de Londres, 2012. Bolt havia ficado em segundo lugar nas seletivas jamaicanas, atrás da nova sensação, o jovem conterrâneo Yohan Blake. Não durou muito os dias da nova promessa no alvo principal dos holofotes, logo na prova dos 100m, Bolt leva o Ouro com novo recorde olímpico, 9.63, com Blake na segunda posição. A história se repete nos 200m, porém desta vez, ainda sem novo recorde. O Raio estava guardando o melhor para o final, no último dia da Olimpíada, novo recorde mundial para a Jamaica nos 4x100m , 36.84.

Após os resultados, o atleta deu uma declaração que gerou polêmica no mundo inteiro. “Eu hoje sou uma lenda. E também sou o maior atleta vivo”, concordâncias e discordâncias para cá e lá, sem comparações a terceiros, o velocista é isento de questionamentos. Não totalmente, ainda havia certos críticos que queriam mais, achavam cedo para chamar de lenda ou tinham medo de afirmar antes do fim da carreira do atleta. E realmente, ainda havia mais por vir.

Em 2013, tempo depois de ter sofrido derrota para Justin Gatlin, Bolt retorna ao Mundial de Atletismo de Moscou, vencendo as três provas que disputou, 100m, 200m e 4x100m, tornando-se o maior campeão de atletismo da história, com 9 títulos mundiais. Não menos importante, recuperou também o posto de homem mais rápido do mundo, deixando Gatlin na segunda posição. No ano seguinte, acabou por sofrer com lesões e correu “pelos fãs” um revezamento 4×100, ficando na primeira posição em um campeonato na Escócia. Quebrou também o recorde indoor dos 100m, com 9.98. Foram tempos difíceis e de poucos resultados significativos.

Campeonato Mundial de Atletismo de Pequim, China, 2015. Usain Bolt era posto à prova mais uma vez, por conta da falta de resultados nas últimas temporadas. Novamente com bom-humor e certa tranquilidade, repetiu o feito e venceu as três competições, Ouro nos 100m, 200m e 4x100m, somando inigualáveis 11 títulos mundiais.

Usain Bolt incluído na equipe de atletismo da Jamaica por decisão do comitê atlético, não por classificação. Pois é, foram nestas condições que o Raio chegou ao Brasil. Devido a contusões, não foi capaz de participar das seletivas pré-olímpicas. Mesmo assim, por conta do tamanho carisma de seu público, mesmo com Neymar na cidade maravilhosa, Bolt era o maior vendedor de ingressos da Olimpíada. Chegava o dia das seletivas para os 100m rasos e a expectativa era saber a que vinha Usain Bolt ao Brasil. Seria para fechar com chave dourada o tri olímpico nas três modalidades ou apenas a passeio e diversão? Logo, as respostas foram dadas. Sem alguma dificuldade, soltando nos últimos metros, classifica-se em primeiro para a final.

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Bolt em exemplo claro da sua principal diferença em relação a outros atletas, a leveza em correr. (Foto: Jamaica Experience/Divulgação)

Chegava o momento, os gestos, o ritual, o pedido de silêncio, a lenda estava no Rio. E ele vence sorrindo com sobras a final dos 100m, garantindo o primeiro tri olímpico da história. Não satisfeito, manteve o feito nos 200m e 4x100m e se concretizou eternamente na história do esporte mundial. Agora sim, dentre tantos adjetivos e codinomes, Lenda, Mito, Monstro, Raio.

FONTES CONSULTADAS:

MENDES, Nathália. Usain Bolt: a história do tricampeonato olímpico nos 100m rasos. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/rio-2016/noticia/2016-08/usain-bolt-historia-do-tricampeonato-olimpico-nos-100m-rasos. Acesso em: 19 de out. 2016

BBC SPORT. Usain Bolt: O que treinadores, colegas e rivais acham do homem mais rápido do mundo. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/geral-37088076. Acesso em: 19 de out. 2016

WIKIPÉDIA. Usain Bolt. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Usain_Bolt. Acesso em: 19 de out. 2016

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